Publicidade
SÃO PAULO – A costumeira combinação entre indicadores econômicos e referências corporativas – que, de um modo geral, vem favorecendo os mercados desde o início ano – trouxe um tom mais cauteloso e provocou pregões de forte volatilidade nas bolsas internacionais ao longo da semana. Por aqui, no entanto, a pressão externa não impediu a continuidade do ciclo de alta da bolsa brasileira, que contou com uma sessão a menos em função do feriado de Corpus Christi na quinta-feira (11).
Nos últimos pregões, os investidores domésticos assistiram a já esperada confirmação de que a economia interna enfrenta recessão e o surpreendente corte que levou o juro básico do País ao menor nível desde sua criação. Assim, neste cenário repleto de referências discrepantes, o Ibovespa conseguiu segurar-se frente à instabilidade externa e encerrou sua quarta semana consecutiva de valorização, desta vez de apenas 0,41%.
No mesmo sentido, o clima de incertezas nos mercados não exerceu a influência que seria de se esperar nas negociações envolvendo o dólar comercial, que ampliou sua desvalorização verificada em 2009 com queda de 1,58% acumulada nos cinco últimos dias, a despeito também das sucessivas intervenções do Banco Central no mercado à vista.
Noticiário mais ameno
No mercado norte-americano, a semana se iniciou com os questionamentos sobre a possibilidade do Federal Reserve voltar a elevar a taxa básica de juro com o objetivo de conter possíveis pressões inflacionárias. O noticiário, por sua vez, era norteado pela expectativa de que os principais bancos do país, como JP Morgan, Wells Fargo e Bank of America, se preparavam para pagar os recursos do Tarp (Troubled Asset Relief Program).
Ainda no setor financeiro, a American Express anunciou que irá comprar novamente US$ 3,39 bilhões das ações preferenciais que foram adquiridas pelo governo dos EUA, ao passo que a gestora de recursos BlackRock comunicou a conclusão das negociações para adquirir a divisão do banco Barclays por US$ 13,5 bilhões, tornando-se assim a principal empresa do setor em escala global.
O cenário externo também reservou atenção à confirmação da aquisição da montadora Chrysler pela italiana Fiat, após objeções que levaram a Suprema Corte a postergar a liberação do acordo. Paralelamente, destaque para a Home Depot, que assim como fez a Texas Instruments no início da semana, revisou para cima suas projeções operacionais para 2009.
Continua depois da publicidade
Indicadores para todos os gostos
Também nos EUA, os indicadores divulgados trouxeram percepções diferentes sobre a proximidade de uma recuperação da economia. Do lado positivo, o número de pedidos de auxílio-desemprego veio abaixo do esperado, enquanto o volume das vendas subiu acima do previsto em maio. Em contrapartida, os estoques das empresas e do atacado recuaram mais do que as previsões. Já o Livro Bege do Federal Reserve mostrou que o nível de atividade da economia do país voltou a enfraquecer, apesar da desaceleração ter se dado em um ritmo menor do que o observado no início do ano.
A China também se destacou com importantes indicadores divulgados ao longo da semana. Surpreendendo positivamente, o índice de gastos com construção urbana nos cinco primeiros meses do ano e o volume de novos empréstimos em maio mostraram forte crescimento. Em sentido oposto, a balança comercial da China trouxe um tom mais preocupante ao revelar uma queda de 26,4% nas exportações do país no mês passado.
Na Europa, por sua vez, o destaque ficou com a queda recorde na produção industrial da região em abril, decepcionando as previsões dos analistas. Por último, no mercado de commodities, a AIE (Agência Internacional de Energia) elevou sua estimativa para a demanda global pelo petróleo neste ano para 83,3 milhões de barris, influenciando as negociações com o produto.
Continua depois da publicidade
Brasil tem referências de peso
No Brasil, os dados do PIB (Produto Interno Bruto) mostraram que a economia sofreu um recuo de 0,8% no primeiro trimestre do ano em relação aos três meses anteriores, o que caracterizou a entrada do País em recessão. No entanto, o resultado veio melhor do que o esperado pelo mercado, que previa uma contração do produto superior a 1%.
Outro grande destaque foi a surpreendente decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de reduzir em 100 pontos-base a taxa Selic, para 9,25% ao ano. O anúncio que levou o juro ao menor nível desde a sua criação foi feito na quarta-feira (10), após o fechamento dos mercados. O comunicado do colegiado, porém, sugeriu que o ciclo de afrouxo monetário pode estar próximo do fim.
Completando as referências domésticas, os índices inflacionários divulgados na semana – IPC-S, IGP-DI e IPC-Fipe – revelaram um leve aumento nos preços, ao passo que o emprego na indústria registrou recuo em abril. Destaque também para o anúncio de que o Brasil deve diversificar suas reservas com a aquisição de US$ 10 bilhões em títulos do FMI (Fundo Monetário Internacional).
Continua depois da publicidade
Finalmente, a cena corporativa trouxe ocorrências de peso, como a aquisição da rede Ponto Frio pelo Pão de Açúcar por R$ 824,5 milhões, o anúncio da Vale de que acordou um corte de 28,2% nos contratos de longo prazo para o minério de ferro fino fornecido a siderúrgicas japonesas e sul-coreanas, além do reajuste de -4,5% nos preços da gasolina A e de -15% no óleo diesel nas refinarias divulgado pela Petrobras.
As variações de Ibovespa, câmbio e renda fixa
Com três altas em apenas quatro pregões, devido ao feriado de Corpus Christi na quinta-feira (11), o Ibovespa encerrou a segunda semana de junho com leve valorização de 0,41%, aos 53.558 pontos. Com este desempenho, a alta acumulada desde o início do ano foi para 42,63%.
Apesar das novas intervenções do Banco Central e do clima incerto nos mercados, o dólar manteve a trajetória predominante ao longo do ano. Com forte queda de 1,58%, a moeda norte-americana encerrou o período cotada a R$ 1,9270 na venda.
Continua depois da publicidade
No mercado de renda fixa, a taxa dos contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2010, entre os líderes de liquidez, ficou em 8,96% na sexta-feira, queda de 0,15 ponto percentual diante do valor do final da semana passada. Por sua vez, a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 9,05%, com baixa entre as semanas.
Destaques da agenda na terceira semana de junho
Dentro da agenda para a terceira semana de junho, os investidores estarão atentos, sobretudo, aos indicadores de inflação norte-americanos e à produção industrial dos EUA em maio.
No cenário nacional, o destaque fica para a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária). O documento descreve os motivos por trás do corte de 100 pontos-base promovido na taxa básica de juro brasileira, para 9,25% ao ano.