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SÃO PAULO – O Ibovespa acelera perdas nesta quinta-feira (10), com uma realização da alta de 4% de ontem em meio à revisão da perspectiva do Brasil pela Moody’s, que deve rebaixar o rating do País. A queda foi acentuada após a divulgação dos preços de importação de novembro e dos pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos, que deixam o clima tenso para a decisão de juros do Federal Reserve na próxima semana. Lá fora, os índices norte-americanos operam entre perdas e ganhos.
Às 13h24 (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa brasileira caía 0,89%, a 45.695 pontos. Já o dólar comercial sobe 0,98% a R$ 3,7735 na venda, enquanto o dólar futuro para janeiro de 2016 tem alta de 0,78% a R$ 3,800. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 opera em alta de 3 pontos-base a 15,79%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 registrava ganhos de 5 pontos-base a 15,80%.
Logo após o fechamento do mercado na quarta-feira, a Moody’s colocou o rating do Brasil, atualmente em “Baa3”, em revisão para rebaixamento, colocando o país perto de perder o selo de bom pagador atribuído pela agência de classificação de risco. Uma revisão significa normalmente que uma ação sobre a nota pode acontecer em um prazo de 90 dias, segundo informações no site da Moody’s. De acordo com a agência de risco, a revisão da nota brasileira de crédito é consequência da acelerada deterioração das condições macroeconômicas e das tendências fiscais do país. Em comunicado, a agência citou ainda o risco de paralisia política.
Bruno Rovai, do Barclays, disse que se o processo de impeachment for longo, resultando em paralisia política, o downgrade pode vir em menos de 90 dias.
A perda do grau de investimento é dada como praticamente certa no Executivo. “Demorou demais”, resumiu um integrante da área econômica à Reuters, sem antes lamentar que o movimento para o rebaixamento tenha se acelerado.
Já no cenário político, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou em entrevista no Salão Verde que não haverá mais votações no Plenário da Casa até a decisão definitiva do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a tramitação do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Segundo Cunha, são os próprios partidos que estão interessados em obstruir as votações, aguardando uma decisão final do STF.
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Além disso, vale destacar o encontro que a presidente Dilma Rousseff e o vice-presidente Michel Temer tiveram na noite da véspera, após a polêmica carta do vice para a presidente em que ele apontou “fatos reveladores” da desconfiança que o governo tem em relação a ele e ao PMDB. Dilma divulgou nota afirmando que ela e Temer decidiram ter “uma relação extremamente profícua, tanto pessoal quanto institucionalmente”. Um pouco antes, ao sair da reunião, o vice-presidente disse aos jornalistas que na conversa com Dilma ficou acertado que os dois terão “uma relação pessoal e institucional que seja a mais fértil possível”.
EUA
Os pedidos de auxílio-desemprego nos EUA foram de 269 mil para 282 mil na semana passada, contra estimativas de 269 mil. Já os preços de importação caíram 0,4% no mês passado, melhor do que a deflação esperada pela mediana das expectativas dos analistas.
Ações em destaque
As ações dos bancos caem hoje depois de pregão de euforia na véspera, quando o Ibovespa subiu 3,75%. Além do dia de correção, as ações são afetadas por expectativa de que a Fazenda tribute letras de crédito imobiliário (LCI) e do agronegócio (LCA) até o final do ano. Segundo analistas do BTG Pactual, a notícia é ruim para o setor, já que o custo de financiamento dos bancos com LCI e LCA também deverá subir. O impacto é maior para os bancos públicos.
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Hoje, a maior queda do setor vem justamente do Banco do Brasil (BBAS3, R$ 18,12, -3,62%), mas vale lembrar que ontem também essa foi a ação que mais subiu entre os bancos na Bolsa. Seguem o movimento negativo Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 28,93, -0,15%), Bradesco (BBDC3, R$ 23,89, -3,04%; BBDC4, R$ 21,34, -2,78%).
As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:
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Os papéis da Petrobras (PETR3, R$ 9,37, -0,95%; PETR4, R$ 7,49, -2,09%) também recuam. A companhia foi rebaixada novamente pela Moody’s. Essa foi a terceira vez no ano que a agência classificação de risco rebaixou a nota da estatal, indo agora de “Ba2” para “Ba3”. A agência ainda revisou a nota da petrolífera para possível novo rebaixamento. Em fevereiro, a Petrobras perdeu o grau de investimento pela Moody’s ao ser rebaixada de “Baa3” para “Ba2”.
As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:
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Entre as altas do dia estavam as ações de companhias exportadoras de papel e celulose como Fibria (FIBR3, R$ 49,11, +0,64%). Estas empresas são beneficiadas pela alta do dólar, já que possuem suas receitas nesta moeda e os custos em real.
Cenário externo
As bolsas chinesas fecharam em baixa nesta quinta-feira, devolvendo ganhos modestos de mais cedo na sessão mesmo após reguladores tranquilizarem os investidores de que as reformas das listagens das companhias não vão abrir as comportas para uma enxurrada de ofertas públicas. Xangai teve baixa de 0,46%, enquanto Hang Seng teve queda de 0,45%, enquanto o japonês caiu 1,32%. Os mercados de ativos de risco continuaram a refletir o petróleo. O Brent subia ligeiramente para a marca de US$ 40,4 o barril na Ásia, mas continua perto da mínima de 7 anos de US$ 39,57 o barril alcançada na quarta-feira. Enquanto isso, a Europa tem um dia entre leves perdas e ganhos; destaque para as ações da Glencore, que sobem cerca de 10% após anunciar corte de postos de trabalho e gastos do capital.
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