Ação que sofreu uma “tempestade perfeita” pode estar barata na Bolsa?

Múltiplos indicam que Light tem um potencial de valorização impressionante, mas para liberá-lo, a empresa precisa passar por um choque de gestão
Crédito: Bloomberg
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SÃO PAULO – Caindo 41,5%, pode-se dizer que 2015 não tem sido um bom ano para a Light (LIGT3). Tudo por conta de uma “tempestade perfeita” que atingiu a empresa, composta por aumento da alavancagem, cancelamento da venda da participação da Renova, crise macroeconômica seguida por forte aumento das tarifas de energia e mudança no governo de Minas Gerais. Contudo, para o BTG Pactual, talvez não seja a hora ainda de desistir da companhia de energia. 

Em relatório assinado pelos analistas Antônio Junqueira, João Pimentel e Júlia Ozenda, o BTG diz que a Light tem potencial para se tornar um exemplo de turnaround, já que o equity value (valor da empresa aos acionistas) dela implica que a unidade de distribuição da empresa está operando com 30% de desconto em relação ao seu valor justo levando em consideração a sua base de ativos. “Em um cenário hipotético, no qual a administração da companhia é capaz de transformar os negócios e o valuation salta a, digamos, 1,5 vezes no múltiplo EV/RAB [equity value dividido pela base de ativos regulados, ou seja, relativos a eletricidade, terrenos e gás natural], a ação da Light teria um upside impressionante de R$ 5,7 bilhões (ou R$ 27 por ação)”, explica. 

O relatório ainda cita que o choque cultural pode ser promovido na empresa é outro motivo para ficar otimista no longo prazo. O investidor poderia ficar cético em relação aos múltiplos da Light estarem baratos, uma vez que pouco tempo atrás, valendo o dobro do que vale hoje, as ações da companhia já refletiam múltiplos baixos. No entanto, hoje a Light tem boas chances de ter um choque de gestão promissor, mas que isso não é motivo para abandonar de todo a cautela. “Nós esperaríamos um pouco mais antes de sair comprando a história da empresa”, diz o BTG.

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Tudo isso faz com que o banco tenha decidido colocar a recomendação da companhia em neutra. “A base de ativos da Light (tanto para distribuição quanto para geração) implica um tremendo potencial de valorização. Fora isso, nós não nos sentimos confortáveis em pular para dentro da ação antes dos sinais adequados aparecerem”. Ou seja, a hora pode não ser de comprar, mas certamente é de acompanhar de perto os próximos passos da Light.  

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