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Entre abril e maio, as bolsas de Nova York, Dax (Alemanha), CAC (França), Xangai e Ibovespa se valorizaram em, respectivamente, 4,1%, 19,6%, 15,4%, 9,3% e 12,5%. Será que isto caracteriza uma nova bolha?
Ao que parece, uma situação um pouco parecida com “O pós 11 de setembro” está se repetindo. Em função da deterioração da confiança mundial que se instalou a partir do quarto trimestre de 2002, o Fed (Federal Reserve), capitaneado por Alan Greenspan, iniciou um processo de queda da taxa de juros, almejando reanimar a moribunda economia dos Estados Unidos, duramente atingida por atos terroristas.
| “Petróleo a US$ 100 o barril em 2010” |
Entre 2002 e 2008, a situação da economia mundial era a seguinte: taxas mundiais de juros baixas, liquidez mundial e novos consumidores nos mercados emergentes inserindo-se no mercado de trabalho. O resultado foi não somente uma forte valorização dos ativos financeiros, mas também das commodities.
Todos devem se lembrar que o preço do pãozinho aumentou logo após o repique do preço do trigo em Chicago. Como esquecer que o preço do leite também ficou mais caro, por conta da seca que atingiu regiões produtoras da Oceania e da maior demanda mundial (com um bom empurrão vindo da Ásia)? A alta do preço do milho (impulsionada pelo programa de produção de etanol dos Estados Unidos) e do farelo de soja pressionou os custos dos produtores, que, aproveitando que os consumidores estavam com as carteiras abertas, repassaram os custos para o consumidor.
Desta vez, novamente presenciamos uma situação em que os juros internacionais estão novamente em níveis historicamente baixos. Entretanto, ao contrário do período 2002-2008, há um número maior de pessoas sem emprego, que foi adicionado às estatísticas de desemprego por conta da crise financeira que tomou de assalto a economia mundial.
Mas os investidores estão ansiosos para recuperar as elevadas perdas sofridas o entre quarto trimestre de 2008 e o primeiro trimestre de 2009. Agora que estão vendo que os sinais vitais da economia dos EUA estão subindo diante dos estímulos oferecidos pelo dinheiro público (que outra alternativa havia?), estão antecipando uma melhora e voltando a investir em ativos financeiros, inclusive commodities.
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O preço do petróleo WTI na bolsa de Nova York já voltou a registrar US$ 70 o barril, e o valor do milho, soja e trigo na bolsa de Chicago já saiu da depressão em que estava desde novembro de 2008. Alguns analistas esperam alguma correção, tanto das bolsas como dos preços das commodities em algum momento, já que subiram muito em um curto prazo de tempo. Mas quais fatores poderiam apertar o gatilho e desencadear um movimento de correção, e seria este de longa duração?
Um fator seria os próprios investidores que, pressentindo a iminência de um ajuste, começarem a sair antes. Entretanto, voltariam logo que as bolsas e os preços atingissem um piso, pois não gostariam de estar fora do mercado com a economia mundial em recuperação. A demanda, apesar de enfraquecida em função da elevação da taxa de desemprego, tende a voltar a se reaquecer, já que os indicadores de confiança do consumidor em diversos países estão apontando alta.
E consumo significa redução dos estoques e, consequentemente, novas encomendas às indústrias. Os juros internacionais não devem sofrer um forte repique no médio prazo, sob o risco de “resetar” a recuperação da economia. Isto significa que parte da liquidez mundial deverá continuar a migrar para as bolsas. Países emergentes como Brasil e China estão apresentando resiliência durante a crise. Obviamente que houve impactos deletérios, mas os amortecedores (programas públicos e consumo das famílias) estão funcionando.
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Portanto, ao que parece, a valorização recente das commodities veio para ficar, o que implica em uma volta da inflação de alimentos no médio prazo. Alguns bancos já preveem que o preço do petróleo volte a US$ 100/barril em 2010, cenário em que o autor aqui também concorda.
Chau Kuo Hue é economista e escreve mensalmente na InfoMoney, às quartas-feiras.
chau.hue@infomoney.com.br