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Os contratos de minério de ferro na Ásia caíram para níveis mínimos recordes em meio à especulação de que as usinas na China estão refreando a produção de aço enquanto lutam contra perdas, uma queda dos preços e uma redução do crédito, o que prejudica a demanda pela matéria-prima que é transportada principalmente da Austrália e do Brasil.
Os futuros afundaram 1,8 por cento, para 331 yuan (US$ 51,89) por tonelada na Dalian Commodity Exchange, o preço de encerramento mais baixo desde o começo das negociações em outubro de 2013, e o contrato SGX AsiaClear em Cingapura caiu para um novo valor mínimo. As perdas sofridas nos mercados na Ásia podem sinalizar declínios no preço no Metal Bulletin para minério à vista em Qindgao, que é atualizado uma vez por dia. Esse preço passou de US$ 45,58 por tonelada seca na terça-feira, o valor mais baixo em quatro meses, para US$ 46,35 na quarta- feira.
“Os fabricantes de aço estão passando por um momento muito difícil e muitos deles frearam a produção”, disse Dang Man, analista da Maike Futures em Xi’an, China, em entrevista por telefone. “Considerando as condições creditícias ruins enfrentadas pelas usinas de aço, eles só comprarão minério de ferro quando tiverem bastante confiança em que a queda dos preços pode ser detida. Caso contrário, será mais um prejuízo para eles”.
Enfraquecimento
O minério de ferro tem sido esmurrado neste ano pela crescente oferta de baixo custo da Rio Tinto e da Vale e pela demanda cambaleante por aço na China, cujas usinas respondem por cerca de metade da produção global. A China Iron & Steel Association previu na quarta-feira que a produção de aço se contrairá quase 3 por cento no ano que vem. O minério de ferro em Qingdao chegou ao fundo com US$ 44,59 no dia 8 de julho, o patamar mais baixo nos dados diários sobre preços de maio de 2009 até hoje.
“Para o minério de ferro e o aço, continuamos projetando que os preços se enfraquecerão mais a partir de agora”, disse Daniel Hynes, estrategista sênior de commodities do Australia & New Zealand Banking Group, em entrevista de Xangai. “Em particular, o minério de ferro poderia atingir novos valores mínimos em um futuro não muito distante”.
O minério de ferro poderia testar o nível de US$ 40 antes do final do ano, pois a demanda enfrenta desafios causados pelos cortes na produção de aço, principalmente na China, prevê o Standard Chartered. A demanda da China pela commodity está atingindo um pico e poderia se contrair no ano que vem e em 2017, escreveu a analista Judy Zhu em um relatório na semana passada, e acrescentou que a queda dos preços do aço, a deterioração do consumo e a diminuição das margens dos fabricantes de aço acarretam mais reduções da produção.
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A produção de aço bruto na China despencará 23 milhões de toneladas, para 783 milhões de toneladas no ano que vem, segundo uma previsão da associação de aço da China. No mês passado, o maior grupo do setor no país informou perdas mais abrangentes para o setor e observou que embora as taxas oficiais de juros na China tenham sido cortadas, algumas usinas enfrentavam custos mais altos de financiamento.
“As usinas chinesas de aço continuam acumulando prejuízos”, disse Matthew Hope, analista do Credit Suisse, em um relatório publicado nesta quinta-feira que apontou para a possibilidade de que a oferta de minério de ferro possa cair no primeiro semestre de 2016 após as interrupções em minas no Brasil e as demoras para um novo projeto na Austrália. “Mas poucas usinas estão parando. Em vez disso, elas estão reduzindo seus estoques de minério de ferro e aguentando”.