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SÃO PAULO – Após encerrar o ciclo de alta de juros, o Banco Central deve manter mais uma vez a Selic inalterada em 14,25% ao ano, segundo economistas. Apesar disso, é possível que autoridade monetária mostre um tom mais duro diante de dados inflacionários ainda crescentes e com a recente valorização do dólar. A reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) termina nesta quarta-feira (21).
Para a equipe de analistas do Goldman Sachs, a tendência é que o comunicado pós-reunião se mantenha o mesmo: “o Copom entende que a manutenção da taxa de política a este nível por um período prolongado de tempo é necessário para a convergência da inflação para a alvo até o final de 2016 “. Porém, há uma chance de um tom mais “hawkish” no documento, exatamente por conta dos dados recentes da economia doméstica.
A ideia seria o BC transmitir a mensagem de que vai continuar atento e acompanhará de perto a evolução do balanço de riscos para a inflação, a fim de, se necessário, ajustar a postura de política monetária para assegurar a convergência da inflação para a meta de 4,50% ao longo do horizonte relevante para a política monetária. Para os analistas do BTG Pactual, para que a autoridade consiga atingir essa meta inflacionária, manter os juros seria essencial.
Já para João Pedro Ribeiro, como a principal questão na atual crise brasileira é a deterioração fiscal (agravada pelo impasse político), o Banco Central tende para uma dinâmica de se abster em seguir uma estratégia de resposta tradicional de metas de inflação e que poderiam aprofundar a recessão e aumentar os custos fiscais, pelo menos até que haja mais clareza sobre essas questões.
No entendimento do economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Camargo Rosa, o BC deve manter a Selic em 14,25% até parte de 2016, pois acredita que a taxa neste nível poderá fazer com que as expectativas de inflação desacelerem, levando o IPCA para 4,50% no fim do ano que vem. “A convergência das expectativas é que vai ser um sinal de mudança na condução da política monetária”, disse.
De certa forma, Camargo Rosa acredita que o BC não está mais olhando tanto para a inflação de 2016, mas para a de 2017. Conforme ele, no ano que vem ainda haverá algum realinhamento dos preços administrados que tende a afetar a inflação daquele período. Se a CPMF voltar, disse, a pressão deve ser ainda maior. “Aí, fica difícil buscar 4,50%”, afirmou.