Governo dividido entre medidas de estímulo e arrecadação em queda

Analistas chamam atenção para o nível da dívida sobre o PIB e acreditam em Copom mais cauteloso na próxima reunião

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SÃO PAULO – Por trás das medidas de estímulo econômico promovidas pelo governo federal até agora, como a prorrogação da redução do IPI (Imposto Sobre Produto Industrializado) em alguns setores, homologada na segunda-feira (29), os analistas expõem uma administração pública preocupada com o nível de investimentos e veem uma arrecadação em queda.

Em troca das medidas anticíclicas para estancar os efeitos da desaceleração econômica mundial sobre a economia doméstica, o governo enfrenta problemas com o nível de arrecadação, assim revelam os analistas da Gradual Investimentos.

Ainda na esfera das escolhas, a equipe da LCA acredita que as medidas de estímulo visam atender, também, a demanda por crédito das empresas, à espera de uma repercussão positiva sobre o nível de investimento privado, uma vez que há, teoricamente, “mais crédito na praça”.

O fantasma da dívida

A queda esperada na arrecadação reascende um problema antes constante no cotidiano do governo brasileiro; a dívida em relação ao PIB (Produto Interno Bruto). Para a Gradual, um descuido neste quesito pode afetar a credibilidade do país no cenário internacional.

Os gastos programados pelo governo, via o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), em complemento à queda dos tributos, acendem o sinal vermelho, afirma a equipe, de modo que o governo deve encontrar o ajuste fino entre políticas anticíclicas e arrecadação.

Copom em alerta

Para a LCA, a postura expansionista pode instigar uma postura mais cautelosa por parte do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) nas próximas reuniões, uma vez que a taxa de juro é um elemento fundamental para rolar a dívida.

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Apesar das perspectivas, os analistas mantêm a expectativa de corte de 25 pontos-base no próximo encontro do colegiado, marcado para 22 de julho, mesmo em meio aos sinais de encerramento do ciclo de flexibilização monetária.