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O fim de semana esticado, com o Brasil descansando, não trouxe muito alívio para a presidente Dilma Rousseff. A decisão do ministro do STF, Teori Zavascki, de autorizar o Ministério Público investigar os ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Edinho Silva (Comunicação Social), por suspeitas de envolvimento na Operação Lava-Jato, e de remeter para investigações no Paraná as suspeitas de irregularidades, também ligadas ao petrolão, nas contas das campanhas de Lula e da própria Dilma, tiraram o sono presidencial e de seu entorno no feriadão.
Nem o fato de o ministro Zavascki ter autorizado também investigar o senador tucano Aloísio Nunes (SP) serviu de consolo. A realidade é que a Lava-Jato, que até o momento apenas tangenciava a presidente, chegou agora dentro do Palácio do Planalto, em dois seus principais auxiliares. E no caso de Edinho, pode bater direto em Dilma, porque ministro está sendo investigado – por uma denúncia do presidente da UTC, Ricardo Pessoa, tido como líder do cartel das empreiteiras no Petrobrás – por supostamente ter pedido R$ 7,5 milhões para a campanha de 2014 da presidente. Edinho era o tesoureiro de Dilma.
É uma situação delicada para a presidente. Não houve manifestação oficial, a não ser as notas de praxe dos dois ministros desmentindo qualquer envolvimento suspeito em negócios escusos na Petrobrás e algumas manifestações de solidariedade de outros ministros, como o da Justiça, Eduardo Cardoso.
Hoje é que a roda de fato começará a rodar. E isto deve aumentar as pressões para a presidente precipitar a reforma administrativa – e ministerial. Porém, parece difícil que Dilma vá se livrar desses dois ministros no momento, não é o feitio dela. O que deixará seu governo mais frágil politicamente.
PMDB ausente
Além disso, ficou evidente que o PMDB está mesmo em rota de fuga do governo – e não faz questão mais de disfarçar seu distanciamento. O vice-presidente Michel Temer divulgou sábado, por meio de seu porta-voz, uma nota “corrigindo” sua declaração da semana passada em São Paulo de que Dilma não fica até 2018 se continuar com a popularidade tão baixa, para desanuviar o ambiente.
E estava no palanque do desfile de 7 de Setembro em Brasília amistosamente ao lado da presidente, sem aparências de parte a parte de mágoas. Porém, dos seis ministros peemedebistas, apenas um, Helder Barbalho, da Pesca, foi à festa em Brasília. Não compareceram também ao evento de Brasília nem o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, nem o do Senado, Renan Calheiros. Ausências notadas anotadas.
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Para conversar sobre a situação política e econômica do país, Temer marcou para esta terça-feira na capital uma reunião com os sete governadores do PMDB e os principais líderes partidários. A situação financeira da maioria dos estados – vide o Rio Grande do Sul – governado pelo peemedebista Ivo Sartori, que esta parcelando o pagamento dos salários dos servidores – é dramática. Eles esperam algum alívio de Brasília – e as orelhas palacianas arderão, certamente.
Na Festa da Independência, protegida por forte esquema de segurança, a presidente não teve dissabores que alguns temiam próximo do palanque onde se encontrava com as autoridades. As manifestações em Brasília e nos estados também foram de pouca monta – de inusitado ficou apenas um boneco gigante dela, com um nariz bem avantajado, semelhante ao Pixuleco com a imagem de Lula.
Impostos por decreto
Se não houve trégua na crise política, a crise econômica somente hibernou nesses dias.
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Mesmo assim, de sexta-feira para cá, o governo e a presidente deram sinais que contrariam o que pensam os empresários e boa parte dos analistas econômicos a respeito das soluções para o imbróglio da economia.A semana assim pode começar também agitada nesse terreno, como certamente vai começar na política.
Na sexta-feira, em pronunciamento na Paraíba, indiretamente Dilma renegou parte do que havia acertado na quinta-feira, quando deu seu total apoio ao ministro Joaquim Levy e à sua política fiscal. Levy defende que o governo faça novos cortes de gastos e somente adicionalmente aumente, “provisoriamente” (expressão usada na Turquia) algum imposto. Pois bem, para sua platéia paraibana, a presidente disse que o governo já cortou tudo que tinha de cortar e para realizar o ajuste agora precisará encontrar novas fontes de receita.
Mesmo os grupos simpáticos ao governo estão apertando o torniquete em torno da política econômica – o que explica as posições contraditórias de Dilma. O grupo de manifestantes de Brasília ontem, que apoiava a presidente, fazia ao mesmo tempo críticas a Joaquim Levy. No grito dos excluídos nos estados o mote também foi a crítica à política econômica. No sábado, em Belo Horizonte, com o beneplácito do PT e partidos de esquerda, foi criada, por um grupo formado de movimentos sociais, CUT, UNE, MST, uma “Frente Brasil Popular”.
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Ao mesmo tempo em que defende a democracia e a permanência da presidente, o manifesto de lançamento da Frente exige o fim do ajuste fiscal. O coordenador nacional do MST, João Pedro Stédile definiu a posição geral: disse que “Dilma precisa mudar as burrices que vem fazendo”. Entre as burrices o aumento da taxa de juros e os cortes nos gastos sociais.
Burrice, erros ou equívocos, a presidente não parece disposta a admitir abertamente falhas em sua primeira gestão, apesar de inúmeros conselhos, inclusive de Lula, para que o faça como forma de começar a recuperar a confiança no governo. Ontem, no pronunciamento na internet, ela fez mais de uma mea-culpa envergonhada: “Se cometemos erros, e isso é possível, vamos superá-los”, concedeu a presidente.
Apesar disso, a presidente avançou um pouco. Admitiu que as medidas econômicas adotadas no primeiro mandato se esgotaram, lembrou que os remédios amargos adotados agora são indispensáveis e admitiu inclusive reavaliar investimentos nas áreas sociais para fechar a linha de cortes e chegar aos 0,7% do PIB em 2016 de superávit primário que o ministro Joaquim Levy colocou na mesa como indispensável.
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O ajuste, já se sabe, contudo, não virá somente de menores gastos. Parte da conta vai sair da cobrança de mais impostos. E a solução será aumentar, como já foi registrado neste espaço na semana passada e confirmam hoje “O Estado de S. Paulo” e o portal da revista “Veja”, os impostos já existentes, como o IPI, Cide, IOF – o que pode ser feito por decreto, sem anuência do Congresso. Outra idéia, segundo o “Valor Econômico” é ‘vender’ parte da dívida da União, e poderia render R$ 40 bilhões.
Nesse terreno, a semana vai ser decisiva. O ministro Joaquim Levy volta da Europa para definir a situação do Orçamento, de vez. E volta otimista: para ele, a recuperação da economia brasileira é “questão de meses”.
Outros destaques dos
jornais do dia
– “Banco Central fará oferta líquida de R$ 3 bilhões hoje no câmbio” (Valor)
– “Falta caixa para o Minha Casa Minha Vida 3” (Globo)
– “Cresce 31% a renegociação de dívidas em bancos, diz BC” (Folha)
– “Recessão e estoques altos suavizam repasse cambial” (Valor)
– “China reduz imposto para acionistas no longo prazo” (Globo)
– “Venezuela: Corte Interamericana de Direitos Humanos condena governo” (Globo/Estadão)
LEITURAS SUGERIDAS
- Miriam Leitão – “Governo acuado” (diz que a dúvida é se um governo impopular consegue um imposto temporário e a reforma da Previdência) – Globo
- José Paulo Kupfer – “A dinâmica da dívida” (analisa a situação da dívida pública brasileira e diz que há outras trajetórias possíveis antes da perda do grau de investimento) – Estadão
- Editorial – “O PT pelo avesso” (diz que embora nada tenha sido provado contra Lula, a exposição do boneco Pixuleco mostra a ojeriza que seu partido desperta em parcelas crescentes da sociedade) – Folha
- Delfim Netto – “Aumentar a Cide pode ajudar” (diz que o aumento de R$ 0,60/litro traria R$ 15 bi em receitas federais; seria um inconveniente menor) – Valor
- Raymundo Costa – “O aparelhamento enfrenta Dilma” (comenta as dificuldades da presidente de reduzir ministérios e diz que ela sentiu que a dor de cortar 10 ministérios é a mesma de cortar 15 ou 20) – Valor