Colunista InfoMoney: A cautela começa a tomar conta…

No curto prazo, poderemos sofrer; Fed não vê alívio nas condições de crédito nos EUA; a Bovespa já ficou cara?
No médio prazo, estamos bem na fita… Senão vejamos… O Brasil já está saindo da crise global, escorado pela demanda interna e por medidas de estímulo à economia adotadas pelo governo, ainda que o PIB (Produto Interno Bruto) possa apresentar variação negativa este ano, acreditam executivos de grandes empresas que participaram do Reuters Latin American Investment Summit.

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“Chegou a hora do Brasil”, avalia o diretor-presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, para quem a crise já começa a ser vista pelo retrovisor. O presidente da TAM , David Barioni Neto, acredita que o País já saiu da crise, embora não seja prudente baixar a guarda. “Batemos no fundo e estamos subindo.”

Com base em análise fundamentalista e no recente desempenho do mercado doméstico, o Citigroup elevou sua recomendação para as ações do Brasil de “neutra” para “acima da média”, assim como suas projeções para o Ibovespa. O banco norte-americano espera que o índice encerre este ano próximo dos 60 mil pontos, acima da estimativa do último relatório, em torno de 55 mil pontos. Contudo, a equipe acredita que haverá uma correção de curto prazo no mercado nacional, ao passo que recomenda aguardar o movimento, para só assim aumentar posições no Brasil.

“Não custa nada colocar as barbas de molho por uns tempos”

Outra pergunta que surge agora constantemente seria… A Bovespa já ficou cara? Segundo um estudo da corretora Ágora Invest, a resposta é não. Quando comparada às dos demais países emergentes, a Bovespa ainda está barata. Um dos indicadores favoritos dos analistas para mostrar isso é o P/L, isto é, a relação entre o preço da ação e o lucro que ela gera. A corretora avaliou 11 bolsas emergentes. O P/L médio do grupo é 14,9. Já a Bovespa aparece com 12,4, em quinto lugar. Os dados foram colhidos no início de abril, antes, portanto, da disparada recente em abril e agora, em maio.

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Para nos deixar ainda mais tranquilos, surge a seguinte afirmação… A América Latina tem resistido a choques econômicos tão bem durante a crise global que Brasil, Colômbia e Peru podem ter seus ratings de crédito elevados para grau de investimento dentro de 12 meses, disse recentemente o vice-presidente sênior da Moody`s Investors Service, Mauro Leos. A Moody`s já elevou os ratings de crédito soberano de outros países da América Latina durante a queda da atividade econômica mundial – do Uruguai, em janeiro, e do Chile, em março.

Agora, no curto prazo, poderemos sofrer… Observemos…

O Federal Reserve, com base nas pesquisas realizadas com as instituições financeiras norte-americanas, concluiu que o ciclo de perdas não está encerrado e que a maioria dos bancos registrará neste ano aumento no não pagamento dos empréstimos contraídos. Mais da metade das instituições inquiridas revelou que o crédito duvidoso vai aumentar, caso a economia progrida em linha com o consenso das estimativas. Nos últimos três meses, um número maior de instituições financeiras endureceu as condições para a concessão de novos empréstimos a particulares, no setor de habitação e no de cartões de crédito. O pior é a conclusão do relatório: os sinais de estabilização da economia não estão aliviando as condições de concessão de crédito nos EUA.

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Adicionalmente, com um viés cauteloso ao tratar do desempenho recente dos mercados globais, os analistas do Credit Suisse revisaram suas posições com relação à América Latina, elevando marginalmente a previsão para a pontuação do Ibovespa no meio do ano, de 43 mil pontos para 47 mil pontos, segundo relatório divulgado recentemente (estamos bem acima disto!). Para o banco suíço, o momento de euforia fez o mercado dar um passo maior que a perna, o que pede retorno para uma estratégia mais defensiva, pautada em ações ligadas ao consumo interno, evitando-se as ligadas a commodities.

Para nos deixar mais apreensivos, a economia brasileira deve contrair-se 0,44% este ano, espera o mercado financeiro. Conforme o Boletim Focus, apresentado nesta segunda-feira pelo BC (Banco Central), o recuo projetado para o PIB é mais marcado do que aquele contemplado no relatório anterior, de retração de 0,30%…

Finalmente, de acordo com o chefe da área de análise da Link Investimentos, Andrés Kikuchi, boa parte dos papéis já está com preço ajustado em função das altas recentes. Kikuchi já não é tão otimista quanto à continuação da sequência de ganhos. “Os fundamentos econômicos não indicam potencial muito maior para esta alta. Teria que haver uma expectativa futura melhor para antecipar mais alta no curto prazo. Mas pode haver uma antecipação das expectativas do mercado que trarão uma melhora do desempenho da bolsa ainda neste ano”, afirmou. Um número significativo de empresas por aqui negociadas já está bem acima do preço-alvo definido para o ano de 2009!!!

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Em suma, não custa nada para os que se anteciparam, a colocar as barbas de molho por uns tempos, aguardando uma nova oportunidade a preços mais interessantes, que deverá surgir forçosamente a nossa frente…

Gil Ari Deschatre é professor da FGV e do Ibmec e escreve mensalmente na InfoMoney, às segundas-feiras.
gil.deschatre@infomoney.com.br