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SÃO PAULO – O que o mercado mais aguardava nos últimos meses pode acabar ficando para trás. Segundo Ray Dalio, fundador do maior hedge fund do mundo, o Bridgewater Associates, afirmou nesta terça-feira (25) que no lugar da alta de juros nos EUA, o Federal Reserve deve anunciar já em sua próxima reunião, em setembro, um novo Quantitative Easing, programa de estímulos à economia.
De acordo com Dalio, o risco crescente de deflação – e não a inflação – está pressionando a decisão do banco central norte-americano sobre o aumento das taxas de juros, algo que não ocorre desde 2006. A deflação iminente é, talvez, melhor vista nos preços das commodities, disse. O futuro do petróleo bruto, por exemplo, só este mês já caiu 17%, em grande parte por conta da baixa demanda de energia na China.
Dias como ontem e hoje, com a China anunciando corte de juros e vendo sua Bolsa desabar 7,6% apenas nesta terça estão entre as principais preocupações dos investidores. Durante os últimos dias, a onda de vendas no gigante asiático levou a uma “debandada global” em ações e levou o mercado a buscar proteção em ativos como os Treasures americanos de 10 anos.
A linha de raciocínio é a mesma de Lawrence Summers, ex-secretário do Tesouro, que em um artigo escrito no Financial Times disse que o aumento das taxas em um futuro próximo seria um “erro grave”. Mais tarde ele foi ainda mais longe, e em sua conta no Twitter sugeriu que o Fed deve pensar em outro programa de compra de títulos, no estilo do QE3.
“Está longe de ser claro que o próximo movimento do Fed será de aperto”, escreveu ele. “Como em Agosto de 1997, 1998, 2007 e 2008, nós poderíamos estar na fase inicial de uma situação muito grave […] Agora os problemas não são o excesso de confiança ou investidores alheios ao risco, por isso não há necessidade do Fed criar um choque no mercado”, afirmou.
Para Dalio, o risco é que “o Fed pode estar tão comprometido com o aperto já tão aguardado que seria difícil para eles mudar para um caminho muito mais fácil se isso for preciso”.
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Apesar das dúvidas e até da surpresa com uma análise dessas, uma coisa é clara: o mercado já começa a afastar a ideia de uma alta de juros em setembro. Se no início do mês o mercado futuro indicava uma chance de 50% da elevação das taxas no próximo mês, agora essa previsão é de apenas 26%.