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CAMPOS DO JORDÃO * – A recessão que o país vive atualmente ainda pode se estender por um longo tempo, na opinião do ex-presidente do Banco Central, Affonso Celso Pastore. Ele destacou que a queda do PIB não foi tão acentuada como em outras ocasiões – por exemplo na crise de 2008/2009. No entanto, a duração deve ser maior. “A recessão não é tão profunda quando olhamos a relação entre o pico e o vale (ponto de maior crescimento do PIB e de maior retração), mas será mais longa. Possivelmente será uma das mais longas da história. Acho que ainda entramos no ano que vem com o PIB (Produto Interno Bruto) em trajetória de queda”, disse Pastore a jornalistas durante o Congresso Internacional de Mercados Financeiro e de Capitais da BM&FBovespa, em Campos do Jordão.
O BC anunciou nesta sexta-feira (28) que o PIB recuou 1,9% no segundo trimestre de 2015, na comparação com o trimestre anterior. Com dois semestre seguidos de queda, como aconteceu agora, o país entrou na chamada “recessão técnica”. No primeiro trimestre do ano, o PIB cedeu 0,7%.
Grau de investimento
Em relação à classificação de risco do país, Pastore afirmou que olhando os níveis do CDS (Credit Default Swap, seguro que o mercado usa como medida de risco do país), a probabilidade do Brasil perder grau de investimento é muito alta. “As agências de risco agem com muita defasagem”, disse.” O Ex-presidente do BC afirmou que os sinais de deterioração da economia tem piorado ao longo do tempo e o governo não tem conseguido melhorar a situação. “Não tem vindo sinais da política econômica, principalmente fiscal, de que possa haver mudança dessa tendência”, disse Pastore.
O economista também avaliou a diminuição de credibilidade do país com os investidores estrangeiros. “O mercado percebe que o país está indo para uma situação em que seu risco cresce”, afirmou. Isso, segundo ele, é refletido câmbio e no CDS. “[o investidor internacional de] de Renda variável já saiu tem algum tempo. Mas em renda fixa começou a ter uma aceleração de saída de capital. Isso é sintoma de que risco cresceu muito na percepção dos agentes”, afirmou.
* O jornalista viajou a convite da BM&FBovespa