Dilma prepara ofensiva para recuperar a confiança e a popularidade

Enquanto a economia segue um rumo incerto, a presidente tem encontro quinta-feira com os governadores, as nomeações dos partidos vão ser aceleradas, ela vai sair pelo país inaugurando obras, vai até aparecer no programa do PT

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O governo ainda está assustado com as primeiras reações, esperava que a demonstração de “realismo” e “transparência” dada pelos ministros Joaquim Levy e Nelson Barbosa fosse bem recebida. Pelo que se viu, abriram-se mais dúvidas quando à capacidade oficial de conduzir a economia em momento de tamanha crise.

Veja-se um exemplo da imensidão da descrença: o economista Luis Gonzaga Beluzzo, em outros tempos consultor informal de Dilma e insuspeito de oposicionismo, em entrevista hoje ao “Valor Econômico” prevê para este ano uma queda de 2,5% do PIB e para o ano que vem de 2%.

E as incertezas aumentam diante da reunião do Comitê de Política Monetária terça-feira e quarta-feira para definir a taxa básica de juros, Selic, para os próximos 45 dias. Até então, a opinião generalizada era que o Banco Central faria mais um aumento de 0,25 ponto percentual nos juros (de 13,75% para 14%) e encerraria esta fase de aperto monetário.

Não deverá ser mais assim. O BC vinha apostando na política de ajuste do ministro Joaquim Levy para calibrar a Selic. Com a mudança, ficou sem chão. E o sinal de que vai mudar de rumo foi dado na sexta-feira pelo diretor de Política Econômica da instituição, Luiz Awazu Pereira.

Em discurso num evento fechado, mas divulgado no site do BC, Awazu foi duro: avisou que o banco precisa continuar atento porque acontecimentos recentes (leia-se mudança na meta de superávit) mostram que há novos riscos sobre a inflação. Registre-se que nesse segundo mandato, a presidente Dilma perdeu a capacidade de “influenciar” o BC que teve no primeiro. O BC busca a sua própria credibilidade. O ministro do Planejamento, já se conformou: na sexta também admitiu que a nova meta pode levar à alta dos juros.

Esta é a mistura explosiva que os analistas admitem que o ministro Joaquim Levy precisará combater imediatamente: juros maiores, dólar mais elevado, os dois certamente pressionando mais os preços e, em conseqüência, com potencial para segurar ainda mais a atividade econômica. Tudo isso com a confiança no governo de um modo geral em abalo sísmico.

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Caiu a ficha de Dilma
Segundo boa parte dos analistas, tanto os da política quanto os da economia, a presidente não conseguirá reverter a desconfiança econômica se não recobrar antes um mínimo de domínio do processo político – nas suas relações com os partidos políticos e com o Congresso Nacional.

Boa parte das medidas de superação da crise econômica, já se viu à exaustão, passa por decisões da Câmara e do Senado. Lá ainda estão pendurados, por exemplo, para citar o mínimo, o aumento da contribuição patronal para a Previdência e a criação para um imposto para a repatriação de capitais brasileiros no exterior, sem os quais, admite a própria equipe econômica, nem o mínimo superávit primário de 01,5% do PIB será alcançado. Sem contar os sustos com “pautas bombas”.

Desse modo, a prioridade da presidente esta semana, antes que o Congresso volte do recesso branco, com deputados e senadores possivelmente envenenados pelas insatisfações e queixas vistas e ouvidas no contato mais direto com suas bases, será acertar-se pelo menos com os lideres partidários e com a dupla que pode causar-lhe estragos no parlamento, o deputado Eduardo Cunha e o senador Renan Calheiros.

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Para isso, é vital a ação do vice-presidente da República, Michel Temer, articulador político oficial, de retorno a Brasília depois de uma semana nos Estados Unidos. O governo, informam os jornais dos últimos dias, dará ao vice o argumento definitivo para acalmar as bases: finalmente as nomeações por ele acertadas com os aliados (e que, segundo o PMDB, estavam sendo boicotadas na Casa Civil) começarão sair aos borbotões.

Também (não se sabe como, por causa dos apertos do ministro Levy), começarão a fluir os recursos para as emendas dos parlamentares.

A própria presidente vai pôr mãos à obra. Está definida uma reunião do Conselho Político (ministros da área, presidentes e líderes do partidos aliados na Câmara e no Senado) na qual a “nova” Dilma, mais “política”, vai estar presente. Segundo reportagem de “O Estado de S. Paulo”, da jornalista Vera Rosa, finalmente caiu a ficha de Dilma sobre a crise.

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Na quinta-feira, a presidente tem, convocado por ela, um grande encontro com os governadores estaduais para discutir com eles um “pacto de governabilidade”. Os consultores políticos de Dilma apostam na influência dos executivos estaduais sobre suas respectivas bancadas, o que nem sempre é fato.

Informa em manchete o “Estadão” que a presidente conta com eles também para pressionar o TCU a não condenar as contas federais de 2014. Levantamento feito pelo Palácio do Planalto mostra que 17 governadores estariam no mesmo barco, ou seja, utilizaram expedientes (“pedaladas”) semelhantes às de Brasília para fechar sua contabilidade e, portanto, correriam o mesmo risco de Dilma se ele tiver suas contas rejeitadas, outro pesadelo do Palácio do Planalto.

Em outra frente, numa tentativa de começar a recuperar a esgarçada popularidade presidencial e a avaliação do governo pela sociedade, seguindo os conselhos de Lula Dilma prepara-se para sair de Brasília e participar de eventos, inaugurações e coisas assim, pelo país. Está sendo preparada uma agenda positiva e o périplo presidencial deve inicialmente privilegiar o Nordeste. Dilma também gravou uma participação no programa eleitoral do PT a ir ao ar na próxima semana.

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No programa do primeiro semestre ela ficou de fora, com suas versões para a ausência: uma que ela não quis gravar; outra, que ela não foi convidada. O mote do programa, dirigido pelo marqueteiro João Santana, será: a situação está difícil, mas ainda está muito melhor do que antes dos 13 anos de governo petista.

O PT e a presidente tentam também criar alguma vacina contra as manifestações antigoverno e antiDilma marcadas para o dia 16 agosto. Com a incógnita que é que sai diariamente da Operação Lava-Jato, sempre com revelações a levar pânico aos políticos

Outros destaques

dos jornais

– Sábado

– BAIXA CONFIANÇA DO COMÉRCIO – As sondagens do consumidor e do comércio referentes a julho, da FGV, ainda apontam para níveis historicamente baixos de confiança. O índice de confiança do consumidor recuou 2,3% em relação a junho, atingindo o menor nível da série histórica. Esse comportamento refletiu a queda de 5,2% do índice de situação atual e de 2,4% do índice de expectativas. No mesmo sentido, o índice de confiança do comércio recuou 1,0% entre junho e julho, também o menor nível da série histórica, iniciada em março de 2010. Essa queda foi explicada pela piora nas expectativas, cujo índice recuou 4,6%. Por outro lado, a avaliação da situação atual subiu 6,3% no mesmo período.

– NÍVEL DE ATIVIDADE DA CONSTRUÇÃO CIVIL COM LIGEIRA MELHORA – A atividade do setor da construção civil registrou nova melhora em junho de acordo com a Sondagem da Indústria da Construção da CNI. O indicador de atividade em relação ao mês anterior alcançou 37,5 pontos, o equivalente a um avanço de 1,2% na passagem de maio para o mês passado, descontada a sazonalidade. Trata-se da terceira alta na margem, de acordo com os dados revisados. A despeito dessa elevação, a atividade nesse setor continua em patamar baixo. Na comparação interanual, o indicador recuou 15,7%. Além disso, o índice de atividade em relação ao usual caiu 2,2% na margem, excetuados os efeitos sazonais. Em relação ao mesmo período do ano anterior, a queda foi de 30,5%. No mesmo sentido, a utilização da capacidade instalada (UCO) recuou de 69% em junho de 2014 para 60% no mês passado.

 

E MAIS:

 

– “Caixa libera R$ 4 bi do FGTS para casa própria até R$ 400 mil” (Globo)

 

– “MPF denuncia presidentes da Odebrecht e da Andrade e mais 20” (Globo/Estado/Folha)

– “Tesouro vende R$ 134 milhões em ações do BB vindas do Fundo Soberano” (Folha)

– “Lava-Jato dificulta seguros para quem assina contrato com a Petrobras” (Folha)

– Domingo

 

– “Crise trava mercado de imóveis no Rio” (Globo) 

 

– “Famílias perdem ao mês R$ 16 bilhões do poder de compra” (Folha)

– “Gastos com planos de saúde triplicará em 15 anos” (Estadão)

– “Com apoio da Suíça, Lava-Jato avança sobre núcleo político e setor elétrico” (Estadão) 

 

– Segunda

 

– QUEDA NO SETOR ATACADISTA – O setor atacadista acumulou uma queda real acumulada de 10,8% no faturamento de janeiro a maio de 2015, em relação ao mesmo período do ano passado, segundo a associação dos distribuidores. Na comparação de maio agora com maio de 2014, o recuso foi de 13,8%. No primeiro semestre do ano passado o setor havia crescido 1,65%.

 

– “Vale, Petrobrás e siderúrgicas põem US$ 22 bilhões à venda” (Globo)

– “País tem 5,8 mil ações por crimes financeiros” (Globo)

– “Economia frustra R$ 122 bilhões na arrecadação” (Valor)

– “Produção cai e Petrobras eleva a importação de gasolina em 50%” (Valor)

LEITURAS SUGERIDAS

– Domingo

1. Miriam Leitão – “Ressaca fiscal” (diz que as reações às mudanças no superávit ainda serão sentidas em vários setores por um longo tempo) – Globo

2. Jarbas Vasconcelos – “Pelo afastamento de Eduardo Cunha” (diz que para que o presidente da Câmara possa se explicar e se defender o seu afastamento é o melhor caminho” – Folha

– Segunda

  1. Carlos Alberto Rabaça – “Personalidade presidencial” (diz que o ambiente institucional é o fator de maior fragilidade do Brasil e que ninguém, nem mesmo a presidente, tem resposta para todas as perguntas) – Globo
  2. Editorial – “As habilidades de Dilma” (diz que o problema de Dilma não é reclusão ou ojeriza aos políticos, mas sua incompetência) – Estadão
  3. Editorial – “Vetos à irresponsabilidade” (elogia os vetos da presidente ao aumento dos salários dos servidores e à isenção do PIS e da Cofins para o óleo diesel) – Estadão
  4. Editorial – “O trabalho do ajuste” (diz que com a taxa de desocupação crescendo, o PPE deve ajudar a mitigar o efeito da crise sobre os trabalhadores) – Folha
  5. Ângela Bittencourt – “Sem crescimento não há equilíbrio fiscal” (coluna relata conversa com o ministro do Planejamento que diz que nos cálculos do governo o PIB começa a crescer no quarto trimestre) – Valor