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SÃO PAULO – O comportamento do câmbio durante os últimos meses trouxe uma série de dúvidas. Com o aprofundamento da crise o dólar disparou, passando da região abaixo de R$ 1,60 para algo próximo a R$ 2,50. Porém, desde o início do ano, o movimento foi totalmente o contrário. Haveria mais espaço para quedas? O questionamento é do economista Alberto Furuguem.
Em tese, explica em relatório publicado pelo Banco Cruzeiro do Sul, em um regime no qual a taxa de câmbio é flutuante, não existe limite, nem superior nem inferior, para o preço da moeda estrangeira. Nesse sentido, “qualquer previsão sobre o comportamento futuro da taxa de câmbio será, sempre, um exercício arriscado”.
Mas existe uma pessoa que pode acertar com “grande precisão”, qual será o patamar da moeda norte-americana em um futuro próximo. Essa pessoa é o presidente do Banco Central, completa Furuguem. A instituição pode, se achar o melhor dos caminhos, evitar que a divisa continue caindo, intervindo no mercado quando achar necessário.
Pistas sobre o comportamento do câmbio
Apesar de ser difícil acertar com alguma precisão qual será o nível do câmbio daqui a alguns meses, alguns fatores econômicos podem fornecer pistas. O Brasil tem mostrado uma boa resiliência à crise internacional, ponto que foi motivo de grandes dúvidas no início da turbulência, contrariando o ocorrido em épocas anteriores.
Um desses pontos é a balança comercial, aponta o economista, que “não está tão ruim quanto se esperava estar”, em virtude do cenário econômico global. O outro é o interesse que o País tem despertado nos investidores, devido ao seu desempenho em face de outras nações também impactadas pela crise.
Ceteris paribus, dólar deve manter tendência
Considerando esses fatores, enquanto esse quadro persistir, a tendência seria para a continuidade dessa tendência cambial. “Com o mercado financeiro cada vez mais globalizado, não haverá limite para a queda do dólar se a economia brasileira for considerada a noiva da vez, pois o volume de ingresso de capitais externos poderá atingir proporções gigantescas”, afirma ele.