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SÃO PAULO – O Ibovespa parecia que ia dar sequência à euforia vista em abril na primeira semana de maio. Foram dois pregões de forte alta para depois devolver praticamente metade dos ganhos no restante da semana, que ainda encerrou em alta (+1,64%). O grande motivo do arrefecimento foram os papéis da Petrobras (PETR3; PETR4) e Vale (VALE3; VALE5), grandes propulsores da Bolsa no mês passado, mas que começaram a sofrer o peso da rápida valorização. Um movimento que trouxe preocupação a investidores se o rali do mercado brasileiro vai continuar.
Para o analista-chefe da Guide Investimentos, Luis Gustavo Pereira, o fluxo do mercado ainda segue positivo. Os estrangeiros podem ter ajustado suas posições essa semana, dado que foram eles quem puxaram a alta do mercado em abril, mas ainda continuam compradores em Ibovespa. “Foi um movimento de ajuste visto não só no Brasil, mas no restante dos mercados emergentes, com a China devolvendo boa parte dos ganhos”, comentou.
Ele acredita que foi uma realização natural dos mercados emergentes, que vinham bastante esticados, mas isso não significa uma reversão do movimento. A tendência da Bolsa ainda segue de alta. “Difícil falar que o fluxo de estrangeiros vai cessar, dado que ainda está bem positivo. Podemos ver uma diminuição, mas também se ajustando às expectativas de alta dos juros nos Estados Unidos no final do ano”. A projeção de que o Federal Reserve, banco central dos EUA, iria demorar mais para elevar os juros contribuiu para impulsionar os mercados emergentes. Com a “farra” de liquidez lá fora, o capital correu para esses países.
O que olhar na próxima semana?
A temporada de balanços, que serviu de catalisador essa semana, deve continuar na próxima, com o esperado balanço do primeiro trimestre da Petrobras programado para sair na sexta-feira (15) – último dia oficial da temporada no Brasil.
O mercado vai estar atento a questão da alavancagem da empresa, disse Pereira. Com a forte valorização do dólar frente ao real no primeiro trimestre, se o Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) não tiver recuperação, a relação da dívida líquida/Ebitda, que mensura em quantos anos a geração de caixa da empresa vai conseguir quitar sua dívida líquida, vai sofrer ainda mais, podendo chegar a quase 5 vezes, comentou.
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Além da petrolífera, na próxima semana ganham destaques os balanços da Kroton (KROT3), Gol (GOLL4), Banco do Brasil (BBAS3) e BM&FBovespa (BVMF3). (Para conferir a agenda de resultados, clique aqui). No total, serão reportados 47 resultados de empresas listadas na Bovespa na semana que vem.
Mas não apenas os balanços chamarão atenção. O mercado vai ficar atento também à divulgação do plano de negócios revisado da Vale, que deve sair na próxima semana, além da questão do desinvestimento da Petrobras. Sobre a mineradora, o movimento do minério de ferro estará em voga, dado que já subiu bastante e, para Pereira, pode vir a sofrer uma correção. A expectativa do consenso dos analistas consultados pela Bloomberg aponta a commodity a US$ 61,50 para o segundo trimestre e ela ja está incorporando esse preço. “A alta recente levou o minério já para seu upside”, comentou.
Entre os indicadores econômicos, a semana será fraca depois de dias relativamente agitados com dados dos Estados Unidos, com destaque para o Payroll divulgado hoje. Para o curto prazo, o mercado vai observar as vendas de varejo, PPI, produção industrial e confiança do consumidor de Michigan.
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No Brasil, destaques para fluxo cambial na quarta-feira, vendas do varejo em março na quinta e IBC-Br de março, considerado a prévia do PIB. Para o Credit Suisse, haverá um crescimento do IBC-Br na comparação com o mesmo período do ano anterior de -3,2% em fevereiro para 1,3% em março. Para os economistas do banco suíço, apesar do cenário menos desfavorável para atividade econômica no primeiro trimestre deste ano, os dados de atividade econômica divulgados mais recentemente (como produção de veículos de abril) sugerem que a contração da economia doméstica no segundo trimestre tende a ser ainda maior do que a observada agora.