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SÃO PAULO – O sell-off dos mercados asiáticos dos últimos dias mostra que há uma certa agitação entre os investidores dos mercados emergentes, em meio à suposição de que, em breve, o Federal Reserve possa começar a elevar as taxas de juros, juntamente com a grande incerteza de sobre quando exatamente isso começará a acontecer?
E, em relatório, o Goldman Sachs fez a seguinte questão: quais são os países emergentes mais ameaçados pela possível alta de juros do Fed?
A resposta, conforme destaca o banco, não mudou. Trata-se da relação entre o equilíbrio das contas correntes e o cenário da inflação, além de também considerar a moeda dos países emergentes. Assim, o Goldman criou uma escala de vulnerabilidade que combina o equilíbrio externo interno de um país. E, conforme destaca o Goldman, outra questão chave tambem são os preços do petróleo.
E, foi através de desequilíbrios externos e internos que levaram a um sell-off há dois anos em meio às indicações de tapering (diminuição do programa de compra de títulos) nos EUA, depois que o Fed disse que iria começar a reduzir seu programa de flexibilização monetária no valor de US$ 85 bilhões. Mas as condições mudaram, afirmam os analistas do banco, e os “5 frágeis” do Brasil, Índia, Indonésia, África do Sul e Turquia, que mais sofreram naquele momento, podem não ser agora os mais expostos.
Porém, em termos. O déficit em conta corrente da Índia é agora menor do que o Goldman vê como sustentável, enquanto a Indonésia está próxima dos níveis considerados sustentáveis. Mas o Brasil, África do Sul e Turquia estão com déficits bem acima dos sustentáveis.
Enquanto isso, a inflação indiana no final de março estava dentro da meta do governo, assim como a África do Sul. Em contraste, a inflação está bem acima da meta no Brasil, Turquia e Indonésia.
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“Por estas medidas, o Brasil se destaca como sendo muito mais vulnerável agora do que era na véspera do tapering”. A inflação subiu para mais de 3 pontos percentuais acima da meta, e o déficit em conta corrente em relação ao PIB é quase 1 ponto percentual maior do que era há dois anos. Enquanto isso, a Índia tem trabalhado duro para enfrentar ambos os desequilíbrios, com um êxito – embora a sua meta de inflação, em 6%, seja mais fácil de acertar do que a meta do Brasil de 4,5%.
E, conforme destaca a matéria do Financial Times, uma coisa que separa os dois países é que desde o tapering, a Índia teve uma mudança de regime significativa – primeiro com a nomeação de Raghuram Rajan como presidente do Banco Central, em seguida, com a eleição de Narendra Modi como primeiro-ministro. Enquanto isso, no Brasil foi diferente.
“É verdade, Dilma Rousseff, presidente do Brasil, ganhou a reeleição no ano passado com a promessa de não alterar suas políticas estatizantes e intervencionistas e, desde então, nomeou um ministro da Fazenda [Joaquim Levy] amigável ao mercado e com a tarefa de fazer com que o Brasil saia recessão. Mas o seu trabalho é difícil e ele está fazendo isso nas barbas da oposição e do próprio partido governista do presidente”, afirma o jornal britânico.
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Os efeitos
O Goldman espera que a pressão sobre a moeda continue na Colômbia, na Turquia, no Brasil e na África do Sul, com problemas maiores para os três primeiros países. Por outro lado, a expectativa é de corte de taxas na Hungria, Tailândia, Coréia e Israel, assim como para a flexibilização adicional na China.
“Colômbia, Brasil e Turquia estão entre as economias mais desequilibradas avaliando as altas taxas de juro, com déficits em conta corrente mais elevados do que as estimativas de inflação sustentáveis. Já a África do Sul tem um nível semelhante de desequilíbrio externo, mas com a inflação abaixo da meta no primeiro trimestre de 2015 […]. Já México, Índia e Chile parecem estar em um lugar muito melhor”, avaliam os analistas.
A economia do Brasil é mais desequilibrada hoje do que era há dois anos, avalia o Goldman, e grande parte da tarefa dolorosa de reequilíbrio ainda está à frente. Este reequilíbrio necessário é suscetível de implicar um ajuste fiscal e parafiscal significativo para desinflacionar e mover a economia para um equilíbrio interno. A significativa depreciação do real para facilitar um ajuste de conta corrente suave e mover a economia para um equilíbrio externo.
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A Índia tem uma história mais feliz, afirma o Goldman: ela começou a partir de um ponto de desequilíbrio semelhante no primeiro trimestre de 2013- e, sem dúvida, foi a mais atingida nas fases iniciais do “tapering” do Fed – mas o déficit em conta corrente melhorou substancialmente até o final de 2013 após os fortes aumentos nas taxas e, mais recentemente, ajudados pela queda dos preços do petróleo.
Com isso, a inflação também está agora abaixo de um alvo reconhecidamente generosa de 6%. E a reversão recente dos preços do petróleo será um teste importante para saber se estas melhorias podem ser sustentadas. Enquanto isso, a Turquia mostra desequilíbrios grandes, dado o alto déficit em conta corrente que é o maior em toda a amostra de mercados emergentes, junto com a Colômbia. Ao mesmo tempo, a inflação continua significativamente acima da meta mesmo após um impulso desinflacionário por conta da queda do preço do petróleo.
Pressão sobre moedas
O Goldman argumenta que a pressão sobre moedas como o real vão persistir, uma vez que a depreciação pode trazê-la mais perto do equilíbrio externo. Mas isso também empurraria a inflação para cima. O FT ressalta que, com sua taxa de juro Selic já em 13,25% ao ano, o Brasil não pode apertar muito mais a política monetária.