Cresce a deterioração do mercado de trabalho

O IBGE constatou, em março, queda na renda média recebida pelo trabalhador em março e um aumento do desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do país. São os efeitos do baixo crescimento do PIB

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O governo vive de alívios temporários nos últimos tempos. Segunda-feira, como vimos no “Primeiras” de ontem, sentiu que a sua avaliação positiva junto à população ainda não voltou a crescer suficientemente para a presidente Dilma Rousseff voltar a se apresentar em público. A não ser em espaços controlados. Por isso, cancelou até, com uma desculpa pouco convincente, o pronunciamento presidencial de Primeiro de Maio.

Nesta terça-feira, caiu a ilusão de que o mercado de trabalho poderia começar a melhorar, mesmo com a economia em queda. O sinal que deu alento ao governo, analisado superficialmente como positivo pelo Palácio do Planalto, veio do Caged, os dados mensais de contratação e demissão de mão-de-obra com carteira assinada levantados pelo Ministério do Trabalho.

Depois de dois meses seguidos de queda, março apresentou uma contratação líquida de cerca de 19 mil trabalhadores. Embora muitos analistas tenham dito que havia sido um movimento sazonal, e os números do Caged tenham ficado negativos no acumulado do primeiro trimestre, o ministro do Trabalho, Manoel Dias, comemorou como se estivesse havendo uma virada.

Esquecido também das advertências realistas do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, de que a economia brasileira, infelizmente, antes de começar a melhorar, vai piorar ainda um pouco mais.

A ducha de água veio ontem. A Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do IBGE, com dados do mês de março, pesquisa que abrange a seis principais regiões metropolitanas do país. O desemprego, por essa métrica, passou de 5,9% em fevereiro para 6,2% no mês passado. Em relação a março de 2014, a alta foi de 1,2 ponto percentual. É a taxa mais alta desde maio de 2011 (6,4%).

E, o mais preocupante: agora começou a atingir mais fortemente também a renda recebida pelos trabalhadores: ela teve sua maior queda em 12 anos – diminui 2,8% em março ante fevereiro. Na comparação com março do ano passado, a perda chegou a 3%.

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Amanhã, véspera do feriado, o IBGE deve divulgar o resultado da economia brasileira para o primeiro trimestre do ano. As previsões dos analistas vão de uma queda do PIB, em janeiro/feveiro/março comparado com outubro/novembro/dezembro do ano passado, entre 0,5% e 2%. A maior parte das expectativas se situa acima de menos 1%,

Há divergências entre eles também em relação ao momento em que o PIB começará a se recuperar: alguns poucos acreditam que a retomada já começou, ainda que lentamente, outros esperam o início da curva ascendente no terceiro ou quarto trimestre e uns outros poucos apenas no ano que vem. De todo modo, não há grandes divergências quando ao PIB de 2015: deverá ficar mesmo com um resultado negativo superior a 1%.

Em tempo: segundo o jornal “O Globo” o PT não gostou do cancelamento do discurso presidencial do Dia do Trabalho – considera que Dilma se “acovardou”. O partido esperava que ela aproveitasse a ocasião para fazer uma crítica enfática ao projeto de mudança nas regras de terceirização, já aprovado na Câmara e em discussão no Senado.

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Em tempo ainda: hoje é dia do Banco Central anunciar a nova taxa básica de juros: a aposta generalizada é de mais um ajusta 0,5 ponto percentual. As dúvidas é se o BC vai parar por enquanto por aí e vai dar mais um aumento.

Outros assuntos de destaque nos jornais  do dia

– OPERAÇÃO LAVA-JATO – O Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu habeas corpus a nove executivo de empreiteiras presos no Paraná acusados de participação no esquema de corrupção na Petrobras. Entre eles está o dono da empreiteira UTC, Ricardo Pessoa, considerado o organizador do “cartel” que atuava na Petrobrás. E de quem a Polícia Federal, o Ministério Público e juiz Aldo Moro esperavam informações sobre o esquema de propina na estatal de petróleo mas também em outras estatais. Eles estão de olho principalmente na Eletrobrás. Os nove suspeitos, segundo o STF, passam agora a prisão domiciliar, controlados por tornozeleiras eletrônicas. Foi um baque para os investigadores, que acreditam que os executivos agora poderão, mais aliviados, mudar alguns depoimentos. E que muitos deles, que estavam dispostos a fazer acordos de delação premiada, poderão desistir da ideia.

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– MARTA É BAIXA NO PT – A senadora e ex-prefeita Marta Suplicy, também ex-ministra do Turismo e da Cultura, depois de desfiar durante meses sua insatisfação com o PT, num crescendo de críticas, finalmente ontem anunciou seu desligamento do partido. Em um carta endereçada aos diretórios em São Paulo e ao Diretório Nacional, ela justificou sua atitude não agüentou ver o partido como “protagonista de um dos maiores escândalos que a nação brasileira experimentou”. Marta fala também que o partido esqueceu os princípios e projetos que nortearam sua criação. Ela ainda não definiu seu destino, mas deve ir para o PSB e disputar a prefeitura de São Paulo. O PT ainda não reagiu, pode pedir o seu mandato de volta. O que deve levar a uma batalha judicial com temas, por exemplo, se houve ou não mudança ou desvio no programa partidário.

– IMPEDIMENTO DE DILMA – A cúpula do PSDB, sob o comando do senador Aécio Neves, ele mesmo a poucos dias dando sinais de que poderia encampar a promessa, decidiu enquadrar seus “rebeldes” e adiar, sine die, a decisão de apresentar um pedido de impeachment da presieente Dilma Rousseff. Teme-se que um fracasso do processo fortaleça Lula e o PT e resolveu-se esperar o surgimento de um fato incontestável envolvendo a presidente para retomar a iniciativa.

– DÍVIDA DE ESTADOS E MUNICÍPIOS – Uma vitória do ministro Joaquim Levy: o Senado aprovou o projeto de lei complementar que estende até 31 de janeiro de 2016 o prazo para o governo federal aplicar o novo indexador na correção das dívidas dos Estados e municípios. O projeto, negociado exaustivamente por Levy, foi negociado também com alguns prefeitos e governadores. O que não livrará Brasília de cobranças de recursos para obras e projetos de prefeitos e governadores. Principalmente dos dirigentes municipais, assustados com a perspectiva de enfrentar a eleição de 2016 a pão e água. Para alívio de prefeitos e governadores, o Senado aprovou também uma proposta do senador José Serra que permite Estados e municípios usarem recursos de depósitos judiciais e administrativos para pagar, por ordem de preferência, precatórios judiciais,  divida pública, investimentos e despesas previdenciárias. Pode ser um alívio, porém a proposta precisa passar ainda pela Câmara.

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  1. Merval Pereira – “STF atrasa Lava-Jato” – Globo
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  4. Editorial – “Desemprego e populismo” – Estadão
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