Quando até adolescentes compram ações, é sinal de bolha? China entra em alerta

Na quarta-feira da semana passada, a negociação combinada dos mercados de Xangai e Shenzen alcançaram a marca de 1,24 trilhão de yuans, ou US$ 198 bilhões, a sétima sessão seguida que os volumes ultrapassam os 1 trilhão de yuans

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SÃO PAULO – “Alguns dizem que quando os investidores médios voltam para o mercado de ações, é hora de sair. Mas e quando adolescentes começam a comprar?”

É assim que uma reportagem do Market Watch alerta os investidores sobre o novo frenesi que tomou conta da China, algo como a bolha ponto.com nos EUA, levando os volumes de negociação em renda variável a níveis nunca antes alcançados na história daquele país.  

Na quarta-feira da semana passada, a negociação combinada dos mercados de Xangai e Shenzen alcançou a marca de 1,24 trilhão de yuans, ou US$ 198 bilhões, a sétima sessão seguida que os volumes ultrapassam os 1 trilhão de yuans. Em comparação, a NYSE teve um volume médio de US$ 40 bilhões a US$ 50 bilhões de volume negociado por dia durante os dois primeiros meses do ano.

O índice Shangai esteve a ponto de bater a sua máxima em sete anos na terça-feira, quando o índice completou uma série de dez altas. No ano, o índice acumula alta de 13,8%, sendo o melhor desempenho de 2015 entre os índices do leste asiático, mas ainda tem um longo caminho a percorrer até igualar a alta de 53% de 2014.

E a atração pelo mercado de ações tem atraído investidores improváveis, com adolescentes entrando no mercado de ações. “Normalmente, estes jovens investidores especulam com o dinheiro dado a eles por seus pais”, conforme destacam relatórios de corretoras chinesas. 

No entanto, um outro relatório, desta vez do jornal Beijing News, relata que nos salões comerciais de Pequim da China Securities Co. “até mesmo a senhora da limpeza” abriu uma conta para operar no mercado.

Os dados parecem estar de acordo com as “anedotas”: em uma semana, 1,14 milhão de contas de ações foram abertas na China, o maior aumento desde junho de 2007, de acordo com a China Securities Depository & Clearing Corp.

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E o que isso significa?
Conforme destaca o Market Watch citando relatório do Bank of America Merrill Lynch, o mercado de capitais da China está eufórico e, assim, “está na hora de embolsar alguns lucros”. 

Após uma classificação overweight (acima da média do mercado) em ações chinesas desde agosto do ano passado, o BofA cortou a recomendação para neutro, deixando claro que os problemas econômicos sugerem que o ambiente atual não justifica a compra em ações.

“As taxas de juros reais da China continuam demasiadas altas, a moeda está valorizada”, disseram os analistas. Agora a expectativa é com a escala da flexibilização monetária/fiscal da China, que seria grande, mas não é tão sustentável.

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Por outro lado, há quem esteja otimista, como o estrategista do banco de investimentos Macquarie, Erwin Sanft, que diz que, apesar da recente valorização, as valorizações das ações denominadas em yuan são normais e não estão em nível de bolha.

Sanft disse que a alta das bolsas chinesas é em parte devido ao fato de que o mercado de Xangai foi afastando-se de uma base extremamente baixa ao longo dos últimos 10 a 20 anos. Já outro economista, Larry Hu, destaca o Market Watch, afirma que as ações chinesas ainda têm espaço para crescer, mesmo porque o país está em processo de reforma e desenvolvimento dos seus mercados de ações como um canal para as empresas para arrecadar fundos diretamente.

Hu também disse que as ações chinesas estão se beneficiando de problemas em outras classes de ativos, como no mercado imobiliário, o que faz com que as ações fiquem mais atraentes para as famílias chinesas. 

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Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.