Ibovespa sobe com melhora no cenário político e dólar cai mais de 1%

Índice tem alta em dia de aquisição bilionária no setor de petróleo; mais uma disparada da Vale, junto com alta forte da Petrobras, puxa o benchmark

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SÃO PAULO – O Ibovespa sobe nesta quarta-feira (8) com IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) um pouco abaixo das expectativas do mercado e Michel Temer (PMDB) nomeado para a articulação política do governo. Lá fora, o mundo repercute o anúncio da compra da BG pela Shell, avaliada em US$ 70 bilhões. A companhia será a maior parceira da Petrobras, de acordo com informações do Estado de S. Paulo. 

Às 12h44 (horário de Brasília), o índice subia 0,78%, a 54.148 pontos, enquanto o dólar comercial caía 1,46%, a R$ 3,0884 na venda. 

A inflação do mês passado atingiu 1,32%, chegando a 8,13% no acumulado de 12 meses. É a taxa mais elevada para meses de março desde 1995 e o maior índice mensal desde fevereiro de 2003. As expectativas do mercado estavam em torno de uma elevação de 1,37%. 

Entre outros indicadores importantes, o fluxo cambial ficou positivo em US$ 2 bilhões em março, a entrada de dólares superando a saída em US$ 7 milhões na semana de 30 de março a 2 de abril. 

No noticiário político, a presidente Dilma Rousseff (PT) nomeou o vice-presidente, Michel Temer (PMDB), para a função de articulador político do governo depois de receber uma negação de Eliseu Padilha (PMDB). Eliseu, apesar de membro do grupo de Temer, sofreu rejeição do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB). “A nomeação de Temer não deve aumentar a percepção de risco por aqui, pelo contrário”, disse a equipe de análise da Guide Investimentos em relatório.

Para o analista da WinTrade, Bruno Gonçalves, embora a inflação tenha ficado abaixo das expectativas, ela ainda foi muito forte, e portanto, a alta da Bolsa estaria sendo sustentada por dois outros fatores: a melhora do cenário político e a entrada de um forte fluxo de capital vindo dos estrangeiros. Responsável por 54% dos investimentos na Bovespa, o fluxo do investidor no exterior teve uma entrada forte no dia 6 de abril (segunda-feira). As perspectivas de que o Federal Reserve deve demorar mais para elevar os juros nos Estados Unidos, especialmente depois dos decepcionantes dados de emprego na maior economia do mundo divulgados na sexta, trouxeram maior apetite de risco ao mercado. 

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Ações em destaque
As ações da Petrobras (PETR3; PETR4) caíam, enquanto as da Vale (VALE3; VALE5) subiam, apesar de amenizar muito em comparação com as disparadas da manhã. O noticiário corporativo é movimentado nesta quarta-feira, com destaque mais uma vez para estas duas blue chips. 

Para a petroleira, a SBM Offshore, companhia de leasing de plataformas de petróleo e gás holandesa, negou uma notícia de que teria alcançado um acordo de 1,7 bilhão de dólares  com autoridades brasileiras sobre acusações de corrupção. “As discussões com autoridades brasileiras estão em estágios iniciais e números não foram acertados”, disse em comunicado no qual nega matéria publicada pela Folha de S.Paulo nesta quarta-feira.

No caso da Vale, o Conselho de Estado da China, que é o gabinete do governo, afirmou nesta quarta-feira que vai reduzir os preços de energia e o imposto sobre minério de ferro para diminuir os custos das empresas e apoiar a economia. Preços de energia com base em carvão devem ser reduzidos em uma média de cerca de 0,02 yuan (US$ 0,003) por quilowatt-hora, disse o gabinete em um comunicado no site do governo. A partir do próximo mês, o governo vai reduzir o imposto existente sobre minério de ferro em 40%, afirmou, sem dar mais detalhes.

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Já o BTG Pactual cortou o preço-alvo para os ADRs da companhia, além de prever que a Vale pode suspender os dividendos temporariamente em 2016. 

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 RENT3 LOCALIZA ON EJ 38,78 +3,83
 LIGT3 LIGHT S/A ON 15,30 +3,38
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 12,04 +3,35
 KROT3 KROTON ON 11,83 +3,32
 OIBR4 OI PN 6,33 +3,09

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 PDGR3 PDG REALT ON 0,62 -10,14
 ELET6 ELETROBRAS PNB 7,38 -2,77
 GFSA3 GAFISA ON 2,25 -2,17
 USIM5 USIMINAS PNA 4,70 -2,08
 QUAL3 QUALICORP ON 22,87 -1,46
* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

Aquisição bilionária no petróleo
As bolsas mundiais operam entre perdas e ganhos nesta quarta-feira (8) diante da notícia do acerto da aquisição da BG pela Shell por 47 bilhões de libras, outra gigante do petróleo. As ações da BG disparam 35,11% com a notícia.

Em comunicado conjunto, as duas empresas disseram que, como parte do acordo recomendado, a Shell pagará 383 pences em dinheiro e 0,4454 ação B da Shell por cada ação da BG. As companhias disseram que o valor representa um prêmio de cerca de 52 por cento sobre a média diária negociada de 90 dias. O acordo fará com que acionistas da BG passem a deter cerca de 19 por cento do grupo combinado.

Além disso, na Europa, também fazem preço as divulgações de dados macroeconômicos como as vendas do varejo na zona do euro, que subiram em relação ao ano anterior como esperado em fevereiro, de acordo com dados divulgados nesta quarta-feira, graças a uma demanda mais alta dos produtos não-alimentícios e por combustível automotivo.

A agência de estatísticas da União Europeia, Eurostat, informou que as vendas no varejo nos 19 países que compartilham o euro recuaram 0,2 por cento sobre o mês anterior mas subiram 3,0 por cento na comparação anual, exatamente em linha com o consenso de economistas consultados pela Reuters.

As vendas varejistas são uma medida da demanda do consumidor, um importante componente do Produto Interno Bruto da zona do euro, cuja expectativa é de expansão de 0,3 por cento no primeiro trimestre de 2015 sobre os três meses anteriores, ante 0,2 por cento no último trimestre de 2014.

Contudo, na Alemanha, as encomendas à indústria caíram 0,9% em fevereiro ante janeiro. O resultado contrariou a previsão dos analistas consultados pela Dow Jones Newswires, que esperavam um aumento de 1,5%. No mesmo tipo de comparação, as encomendas ao exterior caíram 1,6%. Internamente, o dado ficou estável.

Ásia
O índice japonês Nikkei alcançou máximas de quinze anos nesta quarta-feira e o mercado de Hong Kong saltou para máximas de sete anos em meio a especulação sobre mais estímulos na China e no Japão, como também acerca do início adiado de qualquer aperto do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos.

O banco central do Japão decepcionou alguns ao encerrar uma reunião de política monetária de dois dias sem qualquer nova medida em sua já maciça campanha de compra de títulos. No entanto, com a inflação de volta a zero, há muitas conversas de que o banco central pode ampliar o programa em sua próxima reunião em 30 de abril.

Investidores estavam encorajados o bastante para impulsionar o Nikkei 0,8 por cento. A alta levou o índice para patamares alcançados pela última vez em abril de 2000 e era vista como altista do ponto de vista técnico, com o patamar dos 20 mil pontos sendo o óbvio próximo alvo.

Outros marcos se espalharam pela região, com o índice Hang Seng de Hong Kong quebrando uma importante resistência e registrando máximas desde meados de 2008.

(Reuters)

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