Petrobras estende ganhos e bancos sobem até 3,5%; BRF cai 2%

Confira os principais destaques do pregão desta sexta-feira (10)

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SÃO PAULO – O Ibovespa fechou nesta sexta-feira (10) dando continuidade ao “marasmo” dos últimos dias, com o Ibovespa fechando com ganhos de 0,76%, a 54.214 pontos. A alta foi sustentada pelos ganhos da Petrobras e pela recuperação dos bancos, que fecharam com valorização. Confira os destaque do pregão desta sexta:

Petrobras (PETR3, R$ 11,83, +2,51%; PETR4, R$ 11,82, +2,25%)
Após abrir com forte volatilidade, as ações da Petrobras fecharam com ganhos nesta sexta, estendendo a alta da sessão passada, quando dispararam 9% em um movimento de “short squeeze”. O movimento de hoje ocorre em meio à expectativa pela divulgação do balanço com as baixas contábeis e ainda seguindo as falas do ministro de Minas e Energia Eduardo Braga acenar com uma possível revisão nas regras do regime de partilha  na exploração do pré-sal e da política de exigência de conteúdo local na indústria de petróleo, as ações da Petrobras registram um movimento volátil.

De acordo com a Folha de S. Paulo, a Petrobras estima que o cálculo de perdas com o esquema de corrupção na estatal ficará entre R$ 5 bilhões e R$ 6 bilhões. A conta atinge todos os contratos e aditivos firmados com empresas citadas na Lava Jato. 

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a Petrobras vai separar, no balanço dos terceiro e quarto trimestres do ano passado, as perdas decorrentes do processo de imparidade (reavaliação de seus ativos) e o que está sendo chamado na petroleira de “custo da corrupção”. Na imparidade, o valor inflado dos projetos considerado foi constatado principalmente na área de refino.

A ideia é explicitar nas demonstrações financeiras o que a companhia entendeu serem atos de corrupção, baseada em registros encontrados nos processos da Operação Lava Jato. A missão da nova diretoria de Governança, Risco e Conformidade será desenvolver metodologias que possam capturar artificialismos no preço dos serviços que fornecidos à Petrobras e que até hoje são extremamente difíceis de ser identificados. Com isso, a empresa espera evitar a repetição de irregularidades constatadas em contratos listados como suspeitos na investigação da Polícia Federal.

Vale (VALE3, R$ 18,42, -2,02%; VALE5, R$ 15,36, -1,48%)
Após conseguir registrar leves ganhos na véspera, as ações da Vale fecharam no negativo nesta sessão. Nos últimos dias o fluxo de notícias não foi dos mais positivos em meio ao corte de recomendação (desta vez para “underperform”) pela BMO e também com novas notícias sobre a China. Já o Credit Suisse reduziu o preço-alvo dos ADRs de US$ 7 para US$ 5. A China se movimenta para apoiar sua indústria de minério de ferro, que enfrenta dificuldades, cortando impostos, potencialmente ampliando um excesso de oferta global e enfraquecendo a estratégia das mega mineradoras de forçar concorrentes de alto custo para fora do mercado.

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A mineradora brasileira Vale e as australianas Rio Tinto e BHP Billiton têm buscado forçar a saída das mineradoras com custos mais altos e menos eficientes na China, para abrir caminho para um novo fluxo de produção. Porém, o gabinete da China disse na quarta-feira que cortará o imposto que cobra de produtoras domésticas de minério de ferro pela metade para 40% da taxa básica a partir de 1º de maio, em uma tentativa de ajudar mineradoras que têm acumulado prejuízos em meio à queda dos preços globais.

Vale destacara ainda o movimento descolado e mais acentuado de queda da Bradespar (BRAP4), holding que tem grande participação na mineradora. Os papéis da companhia registram perdas de 1,92%, cotados a R$ 10,70.

Bancos
Os bancos fecharam no positivo com os investidores ainda tentando entender as recentes notícias envolvendo o setor. Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 37,02, +0,73%) e Bradesco (BBDC3, R$ 31,45, +0,80%; BBDC4, R$ 31,026, +1,07%) operam com maior volatilidade, enquanto o Banco do Brasil (BBAS3, R$ 24,30, +3,58%) tem ganhos mais consistentes.

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Para Elad Revi, da Spinelli, hoje os bancos devem andar de lado esperando que a notícia do imposto seja negada ou confirmada. “Podem ficar andando de lado entre +0,5% e -0,5% esperando alguma notícia ou algum comunicado”, afirma.

Segundo a Exame, a Febraban foi informada que o ministro da Fazenda Joaquim Levy planeja aumentar o imposto CSLL para instituições financeiras de 15% para 17%. O aumento do imposto pode elevar a arrecadação em R$ 1,5 bilhão. Segundo a publicação, o ministro não quis comentar sobre o assunto. 

Além disso, o Credit Suisse rebaixou a recomendação para as ações do Itaú, Itaúsa, Bradesco e Banco do Brasil de outperform para marketperform destacando que o potencial de valorização para as ações é limitado e os desafios no âmbito macroeconômico pioraram. “Acreditamos que é hora de adotar uma postura mais conservadora”. 

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Educacionais
A Ser Educacional (SEER3, R$ 14,05, +3,13%) e a Kroton (KROT3, R$ 12,00, 0,00%) tiveram as recomendações elevadas de manutenção para compra pelo Santander. Enquanto as ações da Ser sobem forte, as da Kroton tem apenas leves ganhos. Apesar das elevações, o banco cortou o preço-alvo das ações das companhias. A Ser teve o preço-alvo cortado de R$ 22,50 para R$ 19, enquanto a Kroton teve o preço-alvo cortado de R$ 15,50 para R$ 14.

A Anima Educação (ANIM3, R$ 17,97, +4,17%) e a Estácio (ESTC3, R$ 20,31, -1,88%) ficaram com recomendação de manutenção. O preço-alvo de Anima foi cortado de R$ 28,50 para R$ 20 e da Estácio elevado de R$ 22,50 para R$ 23,50. Contudo, as ações da Estácio têm uma das maiores baixas do índice, de 1,30%, cotadas a R$ 20,43.

“Nossa visão sobre o setor de ensino superior tornou-se mais positiva após certa calmaria na atividade regulatória, resultados preliminares relativamente positivos para novas matrículas no 1S15 e a definição de expectativas em níveis mais razoáveis”, segundo relatório de analistas do Santander. A recomendação de Kroton e Ser foi elevada “com base em seus  fundamentos sólidos e relativamente maior potencial de alta”.

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Suzano e Fibria
Após fecharem em alta na sessão passada, as ações do setor de papel e celulose demonstraram realização nesta sessão após chegarem a subir 2% no início do pregão. No radar segue a notícia de que o CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) aprovou a liberação comercial do eucalipto geneticamente modificado da FuturaGene, empresa de biotecnologia da Suzano Papel e Celulose (SUZB5, R$ 14,70, +1,24%), tornando o Brasil o primeiro país a aprovar o plantio de eucalipto transgênico para fins comerciais.

A Futuragene afirma que o eucalipto geneticamente modificado traz ganhos de produtividade da ordem de 20 por cento em relação ao eucalipto convencional devido ao maior crescimento da planta. Mas a tecnologia é questionada por movimentos sociais e pela indústria de mel. A liberação foi aprovada pela comissão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) por 18 votos favoráveis e três contrários. Os papéis da Fibria (FIBR3, R$ 45,00, -0,24%) registram leves perdas.

BRF (BRFS3, R$ 63,95, -1,99%)
A BRF fechou entre as maiores perdas do dia após o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) ficar subir mais que a expectativa ao avançar 1,03% na primeira prévia de abril. As projeções de analistas ouvidos pela Agência Estado apontavam para uma alta de 0,99%. No dado fechado do mês passado, o IGP-M subiu 0,98%.

A FGV informou ainda os resultados dos três indicadores que compõem a primeira prévia do IGP-M de abril. O IPA-M, que representa os preços no atacado, e que subiu 1,28% , em comparação à alta de 0,79% na primeira prévia de março. O IPC-M, que corresponde à inflação no varejo, e que apresentou alta de 0,53% na leitura anunciada hoje, após subir 0,88% no mês passado. Já o INCC-M, que mede o custo da construção, teve elevação de 0,69%, após registrar aumento de 0,20%, na mesma base de comparação.

Copasa (CSMG3, R$ 18,08, -4,08%)
As ações da Copasa afecharam no vermelho nesta sexta. Mais cedo, a Bloomberg informou que a companhia pretende fazer um aumento de capital para obras de infraestrutura. A notícia surge um dia após o Valor Econômico afirma que o governo de Minas Gerais planeja fazer uma injeção de recursos na Copasa. “Os recursos são necessários para cobrir os gastos extras de um projeto de captação de água da empresa que está a cargo da construtora Odebrecht por meio de parceria público privada (PPP)”, disse a publicação.

PDG Realty
Após fecharem com as maiores altas nas últimas duas semanas em meio a um “short squeeze”, as ações da PDG (PDGR3, R$ 0,58, 0,00%) tiveram fortes quedas nos últimos dias, mas fecharam estáveis nesta sexta. Mesmo assim, os ativos seguem voláteis, chegando a registrar ganhos de 8% no início do dia, mas perdendo força logo depois. Apesar da alta de hoje, os papéis caminham para encerrar a semana com fortes perdas.

CPFL (CPFE3, R$ 20,76, -2,08%)
As ações da companhia recharam com forte queda após o UBS cortar a recomendação para as ações de compra para neutra.


Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.