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SÃO PAULO – O mercado aguarda apreensivo uma das decisões mais importantes da semana: o término da reunião Federal Reserve às 15h (horário de Brasília), quando o banco central americano poderá tirar o “paciente” do seu discurso dando a entender que uma alta de juros será realizada em breve. A expressão sugere ao mercado que, na prática, não haverá elevações de juros nas próximas duas reuniões. A presidente do Fed, Janet Yellen, falará no mesmo horário.
O mais provável para o mercado é que o “paciente” seja realmente tirado do discurso, o que terá um efeito imediato em todos os mercados, já que com o juros mais alto lá haveria uma migração de recursos. Para reforçar a importância do evento, inclusive por aqui, a diretora do FMI (Fundo Monetário Internacional), Cristine Lagarde, alertou ontem que “emergentes devem se preparar para volatilidade nos mercados” diante do processo de normalização da política monetária nos Estados Unidos. Os emergentes quem sofrerão mais devido a possibilidade de volatilidade nos fluxos de capital e aumento repentino dos spreads de juros.
Como consequência, os Treasuries caem de preço e sobe o yield, o dólar se valoriza frente as demais moedas e as ações dos Estados Unidos e Ásia recuam. Na Europa, as ações cairiam um pouco menos porque o euro se desvaloriza. Já no Brasil, os juros subiriam, real desvalorizaria e as ações cairiam bem já que os países dos emergentes e de países com problemas políticos devem ser evitados, avalia o analista independente Flávio Conde.
Em uma pesquisa feita pelo Barclays, 86% dos investidores responderam que esperam que o Fed remova o termo nessa reunião, segundo relatório desta quarta-feira. As opiniões, no entanto, divergem quanto ao momento que as taxas, de fato, seriam elevadas. Em março, a proporção dos investidores que acreditavam que as taxas subiriam era de 34%, contra 28% em fevereiro.
Nesse caso, as ações que poderiam liderar as altas na Bovespa seriam as mais expostas ao dólar, como as do setor de papel e celulose Fibria (FIBR3) e Suzano (SUZB5), além da siderúrgica Gerdau (GGBR4). Por outro lado, papéis que poderiam cair mais seriam Petrobras e bancos, já que aumentaria na margem o risco-País, comenta Conde.
Por outro lado, se o Fed surpreender e mostrar que os juros ainda vão demorar a subir os Treasuries americanos sobem no preço e yields caem e o dólar se desvaloriza em quase todo o mundo. “Como aparenta ser consensual a retirada do termo, se for mantido, esperamos uma boa correção na moeda americana, que vem se valorizando fortemente contra seus pares”, disse a Guide Investimentos. Nesse cenário, o Ibovespa poderia seguir em alta, comentou Conde.