Publicidade
O PMDB, pela voz do vice-presidente da República e presidente nacional da legenda, Michel Temer, e dos presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara, Eduardo Cunha, já avisou a quem de direito que o partido apoiará as medidas de ajuste fiscal do ministro Joaquim Levy e as defenderá, desde que o PT também o faça, sem tergiversações.
O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, procurado por Michel Temer, cada vez mais ativo nas articulações políticas, oficial e extraoficialmente, disse que os tucanos poderão votar contra a proposta que estende os reajustes do salário mínimo, nos mesmo índices, a todos os beneficiários da Previdência Social, desde que o PT tome a frente na defesa desse voto.
Tanto os oposicionistas tucanos quanto os peemedebistas e outros aliados da presidente Dilma se dispõem a ajudar o governo, ou no todo ou em medidas pontuais do acerto das contas públicas. Mas não topam arriscar-se a um desgaste junto a parte da opinião pública, dos empresários e dos sindicalistas enquanto o PT posa de bonzinho.
Está dentro do PT a mais surda resistência às MPs que mexem em benefícios previdenciários e no seguro desemprego e no projeto de lei de aumento das contribuições patronais para a Previdência Social. Há informações de que Lula está arregaçando as mangas para convencer “os companheiros” a aceitarem a proposta. Esses dias ele teve uma conversar com o senador Paulo Pahim (RS) que ameaça deixar o partido se o PT apoiar as medidas de cortes de Levy.
E Pahim não está sozinho nessa resistência. A CUT não aceita as propostas como estão. Joaquim Levy conversou segunda-feira com membros da bancada petista, foi bem recebido, porém, segundo vazamento do encontro, não conseguiu nenhuma garantia de que os projetos serão votados como ele propôs.
O governo já admite alterar as medidas. Informa o jornal “O Estado de S. Paulo” que Dilma, sensível às pressões políticas, num momento em sua popularidade escorrega em grande velocidade ladeira abaixo, já avisou aos parceiros petistas que vai amenizar o ajuste de Levy. Não há mais detalhes na informação.
Continua depois da publicidade
Informa-se também que o Instituto Lula virou um “muro das lamentações” de políticos, sindicalistas e empresários, sindicalistas e políticos contrários ao ajuste – pelo menos no tamanho e na direção que a equipe econômica quer. Para se preservar como negociador – ou por sabedoria política – Lula tem evitado se colocar publicamente a favor das propostas de forma incondicional.
A S&P deu ontem um “voto de confiança” à política econômica ao mantar a nota de classificação de risco. Pelo que vê do comunicado da agência, ela manteve a classificação brasileira mais pela expectativa de sucesso nas ações de Joaquim Levy por fatos reais. Foi uma aposta no futuro, não uma visão do presente e de suas dificuldades políticas reais.
O aval das agências é importante para consumo externo nesse momento. Não é porém a palavra final. Os investidores trabalham com fatos reais, não apenas com perspectivas. Se o governo vacilar, se tergiversar, não vai colher frutos da boa vontade da S & P. Está nas mais do PT aliviar o ambiente político que está pesando na economia.