Ibovespa fecha em queda de 0,8% e dólar recua em dia de S&P e Tombini

Com dois drivers muito claros, índice tem mais uma queda e se afasta dos 52 mil pontos; Vale e siderúrgicas foram derrubadas com dados que mostraram desaceleração na China

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SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em queda nesta terça-feira (24) em um dia marcado por dois drivers claros e conflitantes que impactaram tanto o benchmark quanto o câmbio. Por um lado, a S&P manteve o rating brasileiro em BBB-, trazendo otimismo, enquanto por outro, as declarações do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, fizeram com que investidores operassem com cautela. No cenário externo, as bolsas dos EUA caíram enquanto o mercado faz apostas sobre quando será o primeiro aumento dos juros. 

O índice de ações da Bolsa brasileira recuou 0,78%, a 51.506 pontos, após chegar a subir 0,6% na máxima do dia. Já os contratos futuros do dólar caíam 0,41%, a R$ 3,132, recuperando-se de uma queda de quase 1,5% na mínima do dia. Enquanto isso, o dólar comercial teve baixa de 0,57%, para R$ 3,1250 na compra e R$ 3,1275 na venda. O volume financeiro negociado foi de R$ 5,360 bilhões. 

Para o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, Tombini mostrou em sua nova fala que tem sido um elemento destoante na equipe econômica do governo. Se de um lado, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, e o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, parecem alinhados no objetivo do ajuste fiscal, o presidente do BC não traz sinais claros de onde o governo quer que o dólar esteja. “Ele disse que não tem pressa para se desfazer do volume de Swap, o que não deixa claro se vai acabar, se vai manter ou se o volume será reduzido”, diz.

Criado para apaziguar a volatilidade provocada pela oscilação da moeda norte-americana, o programa de swap vigora desde agosto de 2013. No fim do ano passado, o BC anunciou que ele seria estendido até 31 de março, reduzindo a oferta da “ração” em leilões de swap a até 2 mil contratos, equivalentes a US$ 100 milhões por dia. Inicialmente, o programa oferecia 10 mil contratos de swaps cambiais diariamente, volume que já havia sido reduzido para 4 mil contratos em 2014.

No entanto, a virada do dólar para nova queda mais tarde, para Galhardo, mostrou que o câmbio já está no patamar que deveria estar. “Estava em sintonia com o cenário que a gente tinha para o dia. O euro perdia um pouco de força contra o dólar, mas nada que não pudesse ser considerado um ajuste”, disse. O gerente acredita que a disparada da divisa norte-americana no período da tarde foi exagerada em vista do teor das falas de Tombini. 

Além do presidente do BC, outro driver que contribuía para reverter o otimismo da abertura dos mercados trazido pela manutenção do rating brasileiro em BBB- pela S&P era um possível recuo da presidente Dilma Rousseff (PT) no ajuste fiscal. De acordo com o gestor da H.H. Picchioni, Paulo Henrique Amantea, essa possibilidade da Dilma de mexer no ajuste é o que mais impacta na cautela e na perda da força compradora hoje. “O mercado não está pressionado, mas o especulador vê que o comprador retraiu e abre uma frente para bater”, explica.

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Ações em destaque
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 9,24, +0,22%; PETR4, R$ 9,39, +0,43%) subiram depois de também ter sua nota de risco mantida pela S&P. Em compensação, a agência cortou a perspectiva das notas de crédito da estatal de estável para negativa. A mudança na perspectiva da nota reflete a dificuldade da Petrobras de financiar seu plano de negócios e de acelerar o crescimento da produção, que ajudaria a reduzir o endividamento. 

Enquanto isso, as ações da Gol (GOLL4, R$ 8,85, -4,32%) viraram para queda após subirem forte na véspera depois que acionistas aprovaram a mudança no estatuto da empresa. Os acionistas aprovaram a mudança na estrutura de capital e aprimoramento na governança corporativa da empresa. Um total de 81,7% dos acionistas participou da votação, e destes 99,7% aprovaram a proposta do conselho de administração da companhia. Somente entre os minoritários, a aprovação foi de 99%. A proposta apresentada pela Gol é criar uma “super preferencial” com dividendos 35 vezes maiores do que as ordinárias. As ações ONs serão elevadas na mesma proporção. 

Também na ponta negativa, as ações da Vale (VALE3, R$ 19,58, -3,93%; VALE5, R$ 16,90, -2,42%) e siderúrgicas Gerdau (GGBR4, R$ 10,89, -1,54%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 11,70, -3,70%), CSN (CSNA3, R$ 5,84, -1,35%) e Usiminas (USIM5, R$ 4,85, -3,00%) recuaram nesta terça com menores projeções do preço do minério de ferro. O Morgan Stanley cortou a previsão para a commodity em 28%, citando perda de força da economia chinesa. O Itaú BBA ressaltou panorama negativo para aço e minério de ferro após conference call com a World Steel Dynamics (WSD). Ontem, o Citi reiterou um visão bearish (baixista) para o minério de ferro, com expectativa de que os preços caíam para baixo de US$ 50 a tonelada.

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Sobre as empresas do setor de papel e celulose, o Bank of America Merrill Lynch reiterou hoje recomendação de compra para Fibria (FIBR3, R$ 40,02, -0,17%), Suzano (SUZB5, R$ 13,87, -0,22%) e Klabin (KLBN3, R$ 17,30, -0,51%).

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano
 GOLL4 GOL PN N2 8,85 -4,32 -41,70
 VALE3 VALE ON 19,58 -3,93 -10,63
 GOAU4 GERDAU MET PN ED 11,70 -3,70 +4,17
 EMBR3 EMBRAER ON EJ 24,09 -3,52 -1,27
 BRAP4 BRADESPAR PN 11,58 -3,50 -19,02

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

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 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano
 PDGR3 PDG REALT ON 0,49 +4,26 -43,02
 BRPR3 BR PROPERT ON 13,12 +3,72 +28,00
 ELET3 ELETROBRAS ON 5,93 +3,49 +2,24
 CYRE3 CYRELA REALT ON 13,65 +3,25 +23,42
 VIVT4 TELEF BRASIL PN 50,50 +2,75 +14,13

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN 35,48 -0,62 405,86M
 PETR4 PETROBRAS PN 9,39 +0,43 326,66M
 VALE5 VALE PNA 16,90 -2,42 240,15M
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 10,94 -2,67 212,65M
 KROT3 KROTON ON 10,86 +0,18 189,87M
 BBDC4 BRADESCO PN 36,40 -0,95 178,09M
 BBSE3 BBSEGURIDADE ON 32,80 -0,06 162,79M
 CIEL3 CIELO ON EDJ 45,42 -1,15 147,44M
 ABEV3 AMBEV S/A ON 18,53 -1,44 143,98M
 UGPA3 ULTRAPAR ON 61,95 0,00 134,51M

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão) 

Exterior
O principal índice europeu de ações fechou em alta nesta terça-feira, pouco abaixo da máxima em sete anos e meio, com indicadores econômicos fortes sobre a Alemanha e a França compensando números decepcionantes sobre a atividade industrial na China.

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O índice FTSEurofirst 300, que reúne os principais papéis do continente, subiu 0,26 por cento, a 1.604 pontos. O FTSEurofirst havia atingido na sexta-feira a máxima desde meados de 2007.

As bolsas se recuperaram após recuarem no início dos negócios após o Índice de Gerentes de Compras (PMIs, na sigla em inglês) mostrar que o setor privado da Alemanha cresceu em março no ritmo mais forte desde julho e que o setor privado da França expandiu-se pelo segundo mês consecutivo.

“Os dados de hoje mostram que a Europa está caminhando para a recuperação, na direção correta. Isso também ampara nossa avaliação de que os lucros europeus vão surpreender favoravelmente em 2015”, disse o estrategista de ações do HSBC Global Research, Robert Parkes.

“As companhias não estão mais baratas, mas os preços ainda não estão esticados e vemos mais altas potenciais para as bolsas europeias nos próximos meses”, acrescentou.

Nos Estados Unidos, os índices acompanharam apostas para o aumento dos juros básicos pelo Federal Reserve. Entre os indicadores divulgados no país hoje, as vendas de novas casas superaram as estimativas do mercado e ficaram em 539 mil em fevereiro ante 481 mil em janeiro. Enquanto isso, a inflação medida pelo CPI (Consumer Price Index), ficou em linha com o esperado, avançando 0,2% no mês passado. 

(Com Reuters)

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