Ibovespa sobe com rumores de balanço da Petrobras; dólar bate R$ 3,20

Anúncio de fim do programa de leilões de swap cambial traz pressão no dólar, mas perspectivas positivas para a Petrobras melhoram apetite por risco

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SÃO PAULO – O Ibovespa registra alta nesta quarta-feira (25). No radar, especulações de que a Petrobras está perto de apresentar os seus balanços de 2014. Apesar disso, hoje faz pressão negativa a derrota da presidente Dilma Rousseff (PT) na Câmara dos Deputados na votação de sobre dívida de estados e municípios, renovando as preocupações com as tensões política entre PMDB e Planalto que haviam sido amenizadas com o arquivamento das emendas da aposentadoria. 

Às 16h14 (horário de Brasília), o benchmark subia 0,98%, a 52.009 pontos, enquanto o dólar comercial tinha alta de 2,30%, a R$ 3,1996 na venda. No caso do câmbio, a notícia de que o governo acabará com a ração diária de Swaps fez com que surgisse pressão compradora à divisa norte-americana, apesar do otimismo do mercado trazer cautela aos vendidos. Desde agosto de 2013, já foram injetados o equivalente a cerca de US$ 115 bilhões por meio desse instrumento de política cambial.

O analista técnico da Guide Investimentos, Lauro Vilares, disse que não houve muita mudança no cenário, mas o que se percebe é que o índice encontrou uma resistência importante nos 52 mil pontos e ainda não teve força para rompê-la. “Não quer dizer que não vá romper, mas já tem bastante gente que vai colocando dinheiro no bolso quando ele chega neste patamar. Se ele for rompido, o pessoal pode ser obrigado a ‘stopar’ [as posições vendidas], o que vai dar mais força à pressão compradora”, explica.

Na agenda de indicadores, o fluxo cambial da semana entre os dias 16 e 20 de março mostrou que a saída de dólares no Brasil superou em US$ 1,468 bilhão a entrada. Apesar disso, no acumulado do mês o fluxo cambial continua positivo em US$ 762 milhões. Já a confiança do consumidor medida pela FGV e divulgada de manhã cedo, mostrou um recuo de 85,4 pontos para 82,9 pontos, entre fevereiro e março. Com o resultado, o índice atinge o mínimo histórico pelo terceiro mês consecutivo, diz a fundação.  

Nos Estados Unidos, as encomendas de bens duráveis tiveram uma queda inesperada em fevereiro de 1,4% contra 2% de incremento em janeiro. O mercado esperava um crescimento de 0,4%. Já os estoques de petróleo na maior economia do mundo tiveram um avanço de 8,170 milhões. O resultado ficou bem acima dos 5,1 milhões esperados por analistas. 

Ações em destaque
Entre os destaques, as ações da Petrobras (PETR3; PETR4) subiam mais de 5% com especulações do balanço, conclusão da perfuração do segundo poço de extensão de Libra e anúncio de revisão da governança corporativa. O Broadcast apurou que a companhia vai tentar aprovar o balanço de 2014 amanhã, quando o conselho de administração se reúne. Em relatório, a XP Investimentos lembra que, de acordo com fontes, a Petrobras conseguiu que CVM e a SEC aceitassem o método que será utilizado no cálculo do tamanho das perdas com corrupção para fechar o balanço da estatal.

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Já a Vale (VALE3; VALE5) repercutia moderadamente o pessimismo com as perspectivas da companhia para o futuro e operava entre perdas e ganhos. A mineradora pode suspender dividendos em 2016 por condições de mercado adversas, comentou o BTG Pactual nesta quarta-feira, em relatório. Na mesma linha, o Morgan Stanley cortou hoje o preço-alvo dos ADRs (American Depositary Receipts) da mineradora de US$ 6,30 para US$ 5,70, em meio à revisão para baixo da projeção do minério para US$ 57 a tonelada este ano. 

As notícias não são boas para os frigoríficos também, mas JBS (JBSS3) e BRF (BRFS3) veem suas ações subirem nesta quarta-feira. Ontem, foi divulgado que a Rússia restringiu temporariamente as importações de carne suína e bovina de pelo menos oito empresas brasileiras, de acordo com informações do Rosselkhoznadzor, o Serviço Federal de Vigilância Veterinária e Fitossanitária do país. Entre as empresas atingidas estão BRF e JBS, que sofreram restrições em relação às vendas de carne e miúdos de porco. As determinações do órgão russo começaram a valer na última sexta.

Ainda sobre a JBS, uma nota da Bloomberg aponta que a companhia pode estar buscando alternativas para se capitalizar. A empresa considera abrir capital da subsidiária JBS EUA Holdings na bolsa norte americana. O clima mais favorável dos negócios nos EUA e os múltiplos mais elevados podem favorecer essa decisão. De acordo com fontes, a transação pode acontecer ainda este ano.

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As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 USIM5 USIMINAS PNA 5,28 +8,87
 PETR3 PETROBRAS ON 9,74 +5,41
 CSNA3 SID NACIONAL ON 6,14 +5,14
 PETR4 PETROBRAS PN 9,84 +4,79
 FIBR3 FIBRIA ON 41,88 +4,65

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 EVEN3 EVEN ON 4,50 -3,02
 ENBR3 ENERGIAS BR ON 10,01 -2,91
 MRFG3 MARFRIG ON 4,15 -2,35
 LIGT3 LIGHT S/A ON 14,19 -2,27
 GOLL4 GOL PN N2 8,72 -1,47
* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

Cenário externo
As bolsas asiáticas fecharam em leve alta nesta quarta-feira após quedas em Wall Street na véspera, mas o índices em Xangai recuou por realização de lucro após consecutivas altas. A bolsa de Hong Kong teve alta de 0,53%, também de olho nos resultados corporativos. Já na Europa, o dia é de leve queda para as principais bolsas, apesar dos dados melhores do que o esperado na Alemanha.

Os índices da China subiram por volta de 55 por cento desde que o banco central do país cortou inesperadamente as taxas de juros em novembro para apoiar a economia em desaceleração. As expectativas de mais afrouxamento têm alimentado o rali.

“O mercado está um pouco maluco agora. Até trabalhadores migrantes estão começando a abrir contas de ações”, disse o analista da Northeast Securities Shen Zhengyang. “A volatilidade vai naturalmente aumentar.”

Na Europa, o destaque fica para o índice de sentimento de negócios medido pelo IFO, na Alemanha, que cresceu mais do que o esperado em março, refletindo um crescente otimismo em relação ao futuro da maior economia da zona do euro. O índice subiu para 107,9 em março ante 106,8 em fevereiro e expectativa de 107,3. O mercado europeu também segue de olho na Grécia e sua negociação com credores. 

(Com Reuters) 

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