Société Générale vê consumo dos EUA mais próximo de despertar

Vendas de automóveis engrossam tese favorável, embora com ressalva; Retail Sales pede para conter otimismo

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SÃO PAULO – Por característica histórica, a curva de demanda dos EUA por bens de consumo sempre se manteve elevada, a ponto de registrar déficits onerosos na balança comercial nos últimos anos para suprir a fome de importações. Entretanto, a crise financeira e suas decorrências na economia real, vide aumento da taxa de desemprego, reduziram a propensão por consumir dos norte-americanos.

Partindo deste quadro, a equipe do Société Générale indagou-se com a seguinte questão: quando os consumidores dos EUA acordarão depois de hibernarem por um inverno gelado e longo? “Após caírem no ano passado, o consumo e as vendas do varejo aumentaram modestamente nos primeiros dois meses do ano”, observaram os analistas, ao iniciarem a tese e ressaltarem um possível ponto de inflexão.

Entre automoveis e recuperação

Para fundamentar a tese de que o pior já faz parte do passado, a instituição francesa ressalta o incremento “notável” das vendas automobilísticas em março nos EUA. Contudo, como as montadoras mesmo destacaram, os veículos comercializados foram destinados às corporações, deixando míopes os traços paralelos com o consumo das famílias no mesmo período em questão.

Nesse sentido, os analistas do banco creem que a demanda norte-americana mostrará “expansão modesta” no segundo trimestre e no semestre final deste ano. “O consumo permanece como o componente crucial para o ciclo de recuperação nos EUA”, completa a equipe do Société Genérale, listando a importância do consumo, dada a elevada participação desta componente no PIB (Produto Interno Bruto).

Surpresa negativa

Pela manhã, o Departamento de Comércio dos EUA revelou o Retail Sales, responsável por medir as vendas de março do varejo. O indicador recuou 1,1% no período, enquanto estimativas do mercado apontavam alta de 0,3%.