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SÃO PAULO – Agora que a aversão ao risco está diminuindo e as bolsas internacionais experimentam seguidas altas, as atenções se voltam novamente às estratégias de investimento em ações.
Sem entrar no mérito da sustentabilidade do recente rali, as discussões giram em torno principalmente de como escolher os papéis. Com diversas opções baratas, uma das primeiras táticas que vêm em mente é de value investing.
De forma simplificada, os value investors são investidores que compram ações com foco em seus descontos em relação ao valor intrínseco da companhia, ou seja, papéis com múltiplos baixos.
Problemas do value investing
Embora o pânico dos investidores durante esta recessão tenha pressionado as cotações de grande parte das ações oferecendo ótimas oportunidades de compra, a enorme quantidade de papéis baratos pode atrapalhar as escolhas.
“Você poderia digitar códigos aleatoriamente e encontrar ações que estão baratas”, exemplifica Bill Nygren, gestor do fundo Oakmark, focado em value investing. O problema é que nem todos esses papéis oferecem boas oportunidades. Além de múltiplos baratos, os investidores devem focar em qualidade.
Escolhendo onde investir
Dentre os primeiros fatores a serem considerados por value investors estão os múltiplos P/L (múltiplos que medem a relação entre preço da ação e lucro projetado). Porém, ao contrário do que pode parecer, escolher os papéis com P/L mais baratos do mercado pode não ser uma boa ideia. É necessário que o investidor avalie cada empresa em comparação aos seus pares e não ao mercado como um todo.
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O segundo passo é conhecer os riscos para a companhia, através da análise de seu histórico e do funcionamento do setor, favorecendo as empresas com modelos de negócio mais sólidos. Afinal, como bem resume a Money Magazine, “se uma ação está precificada significativamente abaixo de seus pares, ou algo está errado com a firma, ou os investidores acreditam que está”.
Por fim, vale atentar para as palavras do pai do value investing, Benjamin Graham, que pautava suas escolhas também através do tamanho da dívida das companhias, dando preferência às empresas cujo capital de giro excedia os passivos de longo prazo.