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SÃO PAULO – “Tudo aquilo que foi comemorado como sendo uma vantagem econômica do Brasil só foi conseguido com responsabilidade. A queda dos juros até hoje foi feita com responsabilidade.” Estas foram as palavras do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, em resposta às críticas de vários empresários presentes na reunião do CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social).
Os empresários cobraram diretamente de Meirelles a redução das taxas de juros como uma forma de amenizar os efeitos da crise no Brasil. O dirigente alertou, no entanto, que a taxa básica praticada atualmente corresponde à metade da observada no início do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e também que o juro real praticado hoje no Brasil já é o mais baixo da história.
“Eu sei que nem sempre isso chega na ponta. Mas só de você baixar os juros do Banco Central, já melhora muito”, declarou a empresária Maria Luiza Trajano Rodrigues, da rede varejista Magazine Luiza.
O problema dos juros bancários, nesse momento, está mais ligado ao spread do que à taxa básica, replicou Meirelles. O Copom (Comitê de Política Monetária) irá se reunir na próxima semana para decidir o rumo da taxa básica de juro. As projeções majoritárias do mercado dão conta de corte de 1 ponto percentual, da mesma magnitude do visto na reunião de janeiro, o que levaria a taxa para 11,75% ao ano.
Alerta
Em palestra no Seminário Internacional sobre o Desenvolvimento, que abriu a primeira reunião do CDES, Meirelles alertou que o déficit comercial crescente nos países emergentes “será a segunda rodada da crise mundial”.
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Ao ver do dirigente, a escassez de crédito foi o primeiro canal de contaminação da crise. “Agora, o canal é o de comércio exterior, países exportadores sofrendo com a queda dramática do comércio mundial”, complementou.
O Brasil pode usar suas reservas para financiar empresas e bancos com endividamento externo, ao contrário de outros países, destacou. E chamou atenção para o fato de que o risco-país tem caído aqui, dado que a economia brasileira está centrada na demanda doméstica, repetindo que é isso que “a distingue dos demais emergentes”.