Perda de US$ 20 bi e mudança nos investimentos; o que esperar do balanço da Petrobras?

Analistas estão evitando fazer projeções sobre o que o resultado deve apresentar, mas muitos já apostam em uma alteração no plano de investimentos da estatal

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SÃO PAULO – Está mais perto do que nunca. Após ser adiado por duas vezes, esta terça-feira (27) pode marcar a divulgação do balanço do terceiro trimestre da Petrobras (PETR3; PETR4), ainda que não auditado. Sem dar nenhuma certeza, a companhia informou que nesta data ocorre a reunião de seu conselho de administração e que seu resultado será apresentado e que dependendo do que ocorrer no encontro, seu balanço pode ser apresentado ao mercado.

O grande destaque deve ficar com a baixa contábil que poderá ser divulgada. Segundo especialistas têm dito nas últimas semanas, as perdas com corrupção devem girar em torno de US$ 10 bilhões, mas se considerarmos também as mudanças de projeções de projetos atuais e revisão de valor de outros projetos, a baixa pode atingir US$ 20 bilhões.

Além dos números, há também uma grande expectativa que a estatal apresente uma nota explicativa discriminando quanto de suas perdas se originou de propinas, assim como se a empresa tentará recuperar esse valor na Justiça. Importante destacar também se a companhia irá incluir em suas novas projeções o preço do petróleo, que tem tido forte queda nos últimos meses.

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Enquanto isso, o mercado também começa a apostar em uma divulgação de possíveis mudanças no plano de investimento, devido a suas limitações de caixa e aos baixos preços do petróleo no mercado externo. Para Celson Plácido, analista da XP Investimentos, a Petrobras não deve cortar investimentos por meio de uma paralisação de projetos em vigor. Na visão dele, o que deve ocorrer é uma corte de seu programa de investimentos, como uma alternativa para que a companhia preserve caixa.

Porém, em geral, especialistas têm evitado fazer projeções sobre o assunto. “A gente não sabe nem o que falar, o que esperar, está todo mundo um pouco tenso com isso, mas espero que ele (balanço) saia e consigam acalmar os ânimos um pouco”, afirmou a analista Mariana Bertone, da corretora GBM.

Embora muitos analistas procurados pela Reuters tenham preferido manter-se em silêncio, aguardando os desdobramentos do caso, os que aceitaram falar com a reportagem manifestaram incerteza e muita cautela.

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O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie), Adriano Pires, ressaltou que a publicação de números não auditados traz bastante dificuldade para os atuais executivos da petroleira. “Eles serão responsáveis por qualquer número que saia ali, não vão ter a cobertura da auditoria”, frisou Pires.

Segundo informações da PF, de procuradores do Ministério Público e de delatores do caso, executivos da estatal indicados por partidos políticos conspiraram com empresas de engenharia e construção do país para sobrevalorizar refinarias, navios e outros bens e serviços da Petrobras. Os valores excedentes dos projetos teriam sido desviados para executivos, políticos e partidos.

Para o diretor do Cbie, o reconhecimento de baixas relacionadas à corrupção será uma decisão delicada. “Eles fazendo isso (baixa contábil), vão assinar um papel dizendo que houve corrupção. E aí como faz? Envolve quem, quem fez, onde estão as pessoas?”, indagou. “Para mim não vai ser surpresa se eles adiarem mais uma vez.”

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Como os números previstos não serão auditados pela PriceWaterhouse&Coopers (PwC), o advogado e sócio da área de óleo e gás do escritório Veirano Advogados, Alexandre Calmon, acredita que possíveis baixas contábeis deverão ser apresentadas de forma conservadora.

“Eu tenho dificuldade em achar que vamos ver, em um primeiro momento, uma quantidade enorme de baixas contábeis, até porque não está muito clara a extensão das denúncias”, afirmou ele, para quem a celeuma entre Petrobras e auditoria externa deve estar na definição do que deve ser contabilizado como baixa.

“Se fosse uma questão de se ter todas as baixas possíveis, não vejo porque uma auditoria independente se negaria a assinar o balanço”, afirmou o advogado, acrescentando que a falta da chancela do auditor vai dar margem para muita especulação.

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“O que para mim parece a grande armadilha é que a Petrobras vai apresentar números não auditados, que basicamente ela vai querer que os analistas confiem, em um cenário onde a credibilidade da diretoria da Petrobras anda absolutamente em cheque”, afirmou Calmon.

Há ainda quem acredite que não sejam registradas quaisquer baixas contábeis na terça-feira.

Questionado se a publicação do balanço pode reduzir a ansiedade do mercado em relação à Petrobras, o analista Henrique Florentino, da UM Investimentos, afirmou que vai depender de possíveis reconhecimentos de baixas contábeis por corrupção.

“Acredito que a companhia esperará a revisão dos auditores para realizar baixas, porém qualquer sinalização nesse sentido pode minimizar o receio do mercado com as potenciais perdas”, disse Florentino.

Em vídeo publicitário que começou a ser veiculado no fim de semana, a Petrobras afirma que “década após década, desafio após desafio, seguimos em frente. Recentemente fizemos uma descoberta que surpreendeu o mundo: o pré-sal. Hoje os desafios são outros. Por isso, estamos aprimorando a governança e a conformidade na gestão”.

Com Reuters


Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.