Os 6 maiores eventos financeiros que guiarão 2015 (e que inclui o Brasil)

Dólar, rublo, alta de juros nos EUA, desenvolvimento dos emergentes após eleições: empresa de serviços financeiros Makor Capital destacou quais devem as principais questões que moldarão o ano de 2015 - com o Brasil no radar

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SÃO PAULO – O ano de 2014 acabou e, com isso, os mercados devem ficar atentos aos possíveis sinais do que importará neste ano que se inicia.

E, com isso, a empresa de serviços financeiros Makor Capital destacou quais devem as principais questões que moldarão o ano de 2015 – com o Brasil no radar. Confira os principais pontos abaixo: 

1. O aumento do dólar: 2014 foi um ano de expressiva valorização do dólar, que teve um de seus pontos baixos em 2008 e 2011. E, segundo a consultoria, a previsão é de que o dólar se aprecie moderadamente em 2014.

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A apreciação do dólar americano pode significar, em particular, uma contínua fraqueza das cotações do ouro e outras commodities. Mas também deve começar a alimentar ganhos menores do que o esperado para as grandes empresas multinacionais norte-americanas e o inverso na Europa e Japão. Deste modo, 2015 finalmente pode experimentar uma performance superior da Europa frente os EUA no setor empresarial. 

2. O colapso dos preços do petróleo. Esta pode ser uma surpresa para a maior parte do mercado, uma vez que a expectativa é de que os preços do petróleo se recuperem em 2015.

A maioria dos analistas, destaca a Makor Capital, vê o petróleo de volta aos patamares dos US$ 100 o barril até 2020. Mas a análise da consultoria é diferente. Isso porque um aumento contínuo do dólar pode exercer pressão ainda maior sobre os preços de petróleo e outras commodities.

3. O colapso do rublo. O colapso do rublo foi certamente o evento financeiro mais espetacular de 2014, provocada pelas sanções econômicas e, especialmente, com os preços do petróleo em queda acentuada. Em algum momento, o rublo tinha ido para baixo para uma queda superior a 50%, atingindo um mínimo de 80 por dólar. Porém, a depreciação, mesmo que “espetacular”, é “coisa de criança” em comparação com a depreciação de 1998. No entanto, de forma interessante, o colapso da moeda não gerou um pânico ou mesmo uma saída frente aos ativos russos.

Na verdade, as grandes reservas de petróleo da Rússia, por exemplo, estão tendo sua melhor corrida frente aos preços do petróleo desde o 2008. Este pode ser um indicativo de que o valor pode ter sido encontrado nos estoques de petróleo russo, independentemente dos preços do petróleo. Com isso, o rublo em colapso não se traduziu em um mercado de ações caindo como nas crises anteriores.

4. China – e as suas bolsas. Um dos melhores desempenhos de bolsa do mundo, a China segue como um dos vetores a serem monitorados em 2015. A consultoria destaca que a ascensão tem sido meteórica desde as quedas de meados de 2014. No entanto, tal aumento significativo tem que ser descontado de uma realidade econômica diferente. “Para nós, parece óbvio que a ascensão do mercado está anunciando um crescimento econômico muito mais elevado do que o previsto”, afirma, em meio aos sinais de desaceleração econômica na China.

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5. Grandes eleições, grandes mudanças por vir. Segundo a Makor Capital, as eleições na Índia, na Indonésia e no Brasil devem levar (ou já estão levando) a grandes mudanças nas políticas econômicas dos respectivos países e que podem afetar o mercado de ações.

A Índia e a Indonésia trouxeram dois reformadores ao poder, com Narendra Modi e Joko Widodo, enquanto isso Dilma Rousseff foi reeleita para um segundo mandato. No entanto, destaca a consultoria, o primeiro movimento da brasileira foi nomear Joaquim Levy, economista ortodoxo, como ministro da Fazenda. A consultoria ressalta que a Índia é a segunda, a Indonésia é a quarta e o Brasil é o quinto em termos de população mundial, enquanto os dois primeiros países, juntos, são um mercado maior que a China.

“Nós pensamos que a Índia e na Indonésia, graças aos preços mais baixos do petróleo e políticas econômicas reformistas, terão espaço para taxas de juros muito mais baixas, enquanto os mercados de ações pode desafiar os patamares de 2007 em termos dolarizados. No entanto, para nós, as melhores oportunidades estão no Brasil, tanto em relação a ações quanto em renda fixa. Mais uma vez, obrigado por preços mais baixos do petróleo, e dada a designação de Levy como ministro das Finanças, esperamos reduções significativas nas taxas de juros”, afirma a consultoria, contrariando o consenso de mercado, que vê alta de juros em 2015.

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Joaquim Levy foi secretário do Tesouro no primeiro mandato de Lula, e foi creditado a ele a redução dos significativos déficits orçamentais. “A nova política econômica do Brasil não foi anunciado ainda, e esperamos que tome forma no início de 2015. Note-se que, com exceção da Rússia, Brasil e Índia são os únicos grandes do mercado com uma curva de rendimentos invertida. Isto irá proporcionar um ambiente particularmente positivo para as taxas de juros em declínio, afirma a Makor.

E, se isso acontecer, algumas das beneficiadas podem ser as ações do setor de construção civil. Além disso, também contrariando o consenso de mercado, as ações de empresas controladas pelo governo, como Petrobras (PETR3;PETR4) e Eletrobras (ELET3;ELET6), podem se beneficiar da menor intervenção do governo.

6. A queda continuada dos rendimentos dos títulos nas economias desenvolvidas: a rentabilidade dos títulos continuaram a cair ao longo do ano em todas as economias desenvolvidas, incluindo os EUA. Isso foi visto como uma surpresa para os economistas, analistas, e até mesmo para a consultoria, já que este não foi certamente a visão consensual no início do ano passado, que esperava que a recuperação econômica dos EUA levaria a uma alta de juros. Este cenário pode mudar, pois parece que a economia dos EUA está em um bom momentum.

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O cenário é de que uma correção significativa nos mercados desenvolvidos. A consultoria também destaca uma possível recuperação do preço do ouro, com uma série de indicadores já parecendo apontar para a alta dos preços da commodity. Os estoques de ouro estão em cotações mínimas históricas mas, deve haver uma recuperação. Em 2015, avaliam, a expectativa é de que o ressurgimento do ouro possa acontecer.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.