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SÃO PAULO – De uma simples marola, assim como ditado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em meados de 2008, para um tsunami financeiro e a perspectiva de que o País pode atravessar uma recessão. O PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro recuou 3,6% no quarto trimestre de 2008, o pior resultado em 12 anos e trouxe preocupações para 2009.
O fraco resultado, divulgado no dia 10 de março, refletiu diretamente na percepção do mercado, como mostra o relatório Focus desta semana. Entre os destaques da consulta, chama atenção à previsão de menor crescimento econômico, com a mediana das estimativas apontando que o PIB brasileiro avançará 0,59% neste ano, enquanto, na semana passada, essa projeção era de 1,20%.
Perante ao cenário macroeconômico em desaceleração, os analistas do Bank of America Merrill Lynch revisaram suas perspectivas para a economia brasileira e já articulam a possibilidade de recessão econômica para o Brasil.
PIB
O desempenho do quarto trimestre confirmou as expectativas negativas da equipe quanto à economia brasileira. A queda do consumo interno, após 21 trimestres de variação positiva, das importações e exportações, além do nível de investimento, refletiu os impactos da crise econômica no País.
Além de preocupantes em uma avaliação de curto prazo, esses indicadores, segundo os analistas, não reverterão sua tendência de queda instantaneamente, culminando na revisão para o PIB em 2009.
De acordo com a equipe, a atividade econômica brasileira crescerá 0,8% neste ano, abaixo da previsão anterior de 1,3%. Para o primeiro trimestre, o banco espera retração de 2,9% na comparação anual e de 0,5% no segundo trimestre, o que colocaria o Brasil na lista – cada vez maior – dos países em recessão.
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A recuperação viria a partir do terceiro trimestre, quando, em comparação anual, o PIB cresceria 0,5% e saltaria para 6% no quarto trimestre deste ano, engatando um movimento consistente de recuperação junto à economia norte-americana e europeia.
Inflação e juros
Como consequência deste cenário, a expectativa dos analistas, como a do mercado em geral, é de uma menor inflação neste ano. Para o banco, a alta oficial nos preços deverá fechar o ano próximo em 4%, inferior aos 4,4% anteriormente previsto.
Em resposta ao recuo das expectativas inflacionárias, o Copom (Comitê de Política Monetária) deverá aplicar uma política monetária mais agressiva neste ano, com cortes expressivos na Selic.
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Para os analistas, o comitê cortará em 100 pontos-base a taxa básica de juro nas próximas duas reuniões, levando-a para à casa dos 9,25% ao ano, equiparando-se aos pares globais em termos de taxa de juro real.
Projeções para 2009
| Países | PIB (anual) | Inflação (anual) | Taxa de juro (a.a) |
| América Latina | 0,6% | 7,1% | 8,76% |
| Argentina | 1,6% | 6,7% | 13,50% |
| Brasil | 0,8% | 4,0% | 9,25% |
| Chile | 1,6% | 4,9% | 1,50% |
| EUA | -3,1% | -1,0% | 0,13% |
| Zona do Euro | -3,1% | 0,5% | 1,00% |
| Mercados Emergentes | 2,5% | 3,5% | 6,11% |
Fonte: Bank of America Merrill Lynch