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SÃO PAULO – Este princípio de ano segue oferecendo sinais controversos ao investidor. Se por um lado os bancos demonstram confiança ao afirmar que voltaram a ser lucrativos nos primeiros meses de 2009, as condições de crédito apontam o contrário. O crédito corporativo, por exemplo, vem de recordes negativos. Não bastasse, a perspectiva é de piora.
Andrew Watt, da agência de classificação de risco Standard & Poor’s, acredita que o pior ainda está por vir se tratando de qualidade do crédito corporativo este ano. “Acreditamos que irá se deteriorar rapidamente em 2009”, cita em relatório da instituição.
Dobra o risco de calote
Evidência do baixo fluxo de moeda no mercado financeiro, as empresas encontram grande dificuldade para levantar recursos no mercado. Para a S&P, o risco de calote das empresas deve mais que dobrar ao longo deste ano. Sem confiança na capacidade das empresas honrarem seus compromissos, difícil convencer o investidor.
Para se ter uma ideia, a tendência de piora é tamanha que a relação de ratings rebaixados pela agência sobre a de upgrades atualmente gira em torno de 10 para 1. Lembrando que, para a instituição, o pior ainda está por vir.
“Políticas financeiras agressivas e investidores famintos por retorno e dinheiro barato criaram um cenário para a qualidade do crédito corporativo que esperamos ser o mais desafiador já visto”, argumenta a S&P.
Bottom Rung
Esta projeção modesta não é exclusividade da agência. Na semana passada, a Moody’s divulgou sua lista “Bottom Rung”, em que relacionou as empresas que apresentam maior possibilidade de calote em sua opinião. Foram relacionadas 283 empresas que apresentam grande risco a seus credores ou investidores. Entre elas, gigantes como Ford, General Motors, US Airways e Kodak.
A Moody’s ainda projetou que 45% das empresas atualmente na Bottom Rung devem deixar de saldar todas suas dívidas nos próximos doze meses. De todos os ratings da S&P, cerca de um terço está com perspectiva negativa.
Causa e consequência
Os motivos para tanta cautela são básicos. Condições econômicas adversas representam pressão à performance financeira das companhias. Perspectiva que o mercado de crédito siga deteriorado e qualidade do crédito corporativo entre os recordes históricos de baixa.
Como consequência, a projeção é de um período de grande prudência financeira por parte das empresas, com o foco na manutenção da solidez do caixa e tentativa de melhorar sua imagem junto aos credores. Quem mais deve sofrer são as companhias com ratings em grau especulativo.
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Efeito
Mais um argumento para a completa escassez de ofertas no ano passado. Depois de 103 ofertas de ações em 2007, apenas 13 foram realizadas na bolsa brasileira em 2008 de acordo com dados da CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Em 2009, até o momento, nenhuma.