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Está chegando a hora das definições para a Petrobrás. Até o fim do mês ela terá de apresentar o balanço do terceiro trimestre do ano passado, mesmo sem o aval da Price, sob o risco de ser declarada em default nos Estados Unidos caso não o faça.
Mas não é somente isto. As empreiteiras suspeitas de abastecerem o “petrolão” estão tendo cada vez mais dificuldades para tocar suas obras, algumas já estão atrasando até salários de empregados, caso da Mendes Junior na semana passada. A OAS pode ir até para um pedido de recuperação judicial.
Além disso, novas licitações estão em compasso de espera depois que a estatal, para dar satisfações às pressões, desabilitou 23 construtoras para fazerem novos contratos com ela, até pelo menos estar tudo esclarecido.
Por isso, voltaram as pressões para que seja encontrada uma solução para que essas empresas possam voltar a trabalhar para a Petrobrás, independentemente dos processos da Operação Lava-Jato.
O “Estado de S. Paulo” de domingo, por exemplo, informa que a Petrobras está pressionando essas 23 empreiteiras a assinem acordos de leniência. Elas admitiriam a culpa, se comprometeriam a ressarcir a estatal dos prejuízos, repactuariam os acordos vigentes, adottariam medidas de compliance. Com isso, poderiam ser reabilitadas e voltar a concorrer aos trabalhos da petrolífera.
Na mesma edição do jornal, o ministro da Advocacia Geral da União, Luís Inácio Adams, homem de extrema fidelidade à presidente Dilma Rousseff, defende a assinatura desses acordos. Segundo ele, “a empresa não pode fechar por desvio de funcionários”. O governo tenta, no caso, evitar prejuízos econômicos mais graves.
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Mas nem todos no governo pensam assim, pelo menos publicamente. O novo chefe da Corregedoria Geral da União, Valdir Simão, no site da revista “Veja” disse que não há hipótese de um “acórdão”. Disse que cada caso vai ser analisado individualmente e “que os pedidos têm de ser convenientes para a administração”.
Porém, enquanto não resolve a questão das empreiteiras nacionais, a Petrobras, de acordo com reportagem do “Valor Econômico” de hoje, já está recorrendo a fornecedores estrangeiros para substituir os nacionais. A estatal informou ao jornal que abriu licitação para recontratar os serviços de construção de módulos de compressão de gás antes contratados da Iesa Óleo e Gás. É concorrência destinada a estrangeiras.
Enquanto isso, a Petrobras busca saídas emergenciais para amenizar seus problemas de caixa e manter seus investimentos. Segundo ainda o “Estadão” de sábado, investidores financeiros e petroleiros instalados no Exterior estão sendo sondados pela estatal para avaliar se têm interesse em comprar fatias do pré-sal pertencentes à companhia brasileira.
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Os custos de cortar despesas
Embora a disposição do governo de cortar suas despesas de custeio em cerca de um terço (segundo informações dos jornais de fim de semana o ministro Joaquim Levy queria até mais) tenha sido bem recebido, a maioria dos analistas independentes acha muito difícil que a meta venha de fato a ser alcançada.
A medida teria sido uma demonstração de boa vontade dos ministros econômicos, mas aguarda-se uma coisa mais concreta para depois que o Orçamento de 2015 estiver aprovado pelo Congresso – sabe-se lá quando.
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Reportagem de hoje do “Valor Econômico” aponta o custo de algumas políticas do governo e mostra as dificuldades que Levy e sua equipe terão para fazer os ajustes. Segundo o texto, o custo do Tesouro com transferências de renda passaram de 2,6% do PIB para 3,6% entre 2010 e 2014; as renúncias fiscais cresceram de 3,6% para 4,7% do PIB; e as despesas com subsídios subiram 0,15% para 0,85 do PIB.
Isto significou algo como R$ 140 bilhões a mais em despesas nesses quatro anos, em áreas na quais os cortes são impossíveis e/ou politicamente complicados.
Há resistências internas, algumas não disfarçadas, aos cortes muito pesados. Em conversa com Sérgio Leo, do “Valor”, o ministro do Desenvolvimento, Armando Monteiro Neto, que no discurso de posse havia pedido alguma moderação nos cortes, disse que o governo precisa também de uma “agenda positiva” de promoções das exportações, investimentos e modernização da indústria”. Ou seja, em outras palavras, não apenas uma “agenda negativa”, de ajuste fiscal.
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O “Estadão” de sábado dá conta de outros movimentos para furar alguns bloqueios do ministro da Fazenda, inclusive com corridinhas a gabinetes do Palácio do Planalto de gosto “desenvolvimentista”.
Outro exemplo das dificuldades de Joaquim Levy para segurar a tropa, foi a autorização dada pela presidente Dilma Rousseff, segundo informações do ministro das Minas e Energia, Eduardo Braga, para que os bancos oficiais financiem R$ 2,5 bilhões para cobrir os rombos do setor elétrico. Não é o que preconiza o ministro da Fazenda.
Marta, o pote de mágoas, explodiu
Uma das dúvidas sobre o real sucesso da presidente Dilma Roousseff em relação aos seus entendimentos com o Congresso no segundo mandato diz respeito à forma que ela distribuiu os ministérios aos partidos aliados.
Noves fora o que é natural na política brasileira – todos acham que não receberam o suficiente –, o modo como Dilma conduziu e escolheu seus ministros, desagradou boa parte dos aliados e deixou seqüelas que aparecem a toda hora.
Há alguns, que levaram mais do que esperavam, satisfeitos. São poços. É o caso, por exemplo, do Pros e do PSD. Até por isso, os dois maiores partidos da aliança ficaram mais insatisfeitos do que se imaginava.
PT e PMDB, além de não serem atendidos totalmente – a não ser alguns grupos específicos dentro das legendas – sentem que Dilma pretende esvaziá-los no Congresso.
O PMDB desconfia que o incentivo ao dono do PSD, Gilberto Kassab, com base do ministério da Cidade, a fundar um novo partido, fundi-lo com o seu atual, e formar a segunda bancada da Câmara e uma mais robusta no Senado, é para pegá-lo diretamente..
Além disso, Dilma investe não muito disfarçadamente para derrotar a candidatura de Eduardo Cunha ã presidência da Câmara. Satisfeitos no PMDB apenas o vice Michel Temer e seus amigos e os nomeados por Dilma.
Os peemedebistas estão na espreita para dar o troco. Renan Calheiros está nervoso no Senado. E Cunha já disse que pode apoiar uma nova CPI da Petrobrás na Câmara, que a oposição está se preparando para tentar botar de pé.
Do lado do PT a desconfiança é de que Dilma está mesmo formando o seu próprio grupo no partido, independente de sua corrente majoritária, a Construindo um Novo Brasil, à qual pertence o ex-presidente Lula, para ter uma segunda gestão menos dependente do padrinho e influir na sucessão de 2018. Rumores cada vez mais fortes em Brasília dão conta de que ela prepara nomes além de Lula para sua sucessão.
Nessa estratégia, ela afastou o lulismo do centro do poder no Palácio do Planalto. E está dando força do ministro da Educação, Cid Gomes para, a partir do Pros, articular a criação de um bloco de esquerda no Congresso, com partidos como o PC do B, o PDT, parcelas do PSB, para deixá-la também menos dependente de alas do PT.
Mercadante, inimigo de Lula
As reações por aí também já estão surgindo. A entrevista da ex-prefeita de São Paulo, ex-ministra da Cultura e senadora Marta Suplicy ao jornal “O Estado de S. Paulo” de domingo enquadra-se nesta linha.
Mesmo considerando-se que Marta é um pote de mágoa com Dilma (foi escanteada quando Dilma descobriu que ela estava engajada no “Volta, Lula”), a petista bateu firme demais. E, mesmo sendo uma figura mais ou menos independente no PT e sem meias palavras, tocou nas feridas que vão na alma do petismo não dilmista.
Entre outras coisas disse que “ou o PT muda ou acaba”, chamou o ministro Aloizio Mercadante de “inimigo de Lula” (joga para ser o candidato em 2018), que Ruy Falcão traiu o partido, que está “estarrecida” com os desmandos na atual gestão.
Uma declaração de guerra de quem está se preparando para deixar o PT e disputar a prefeitura de São Paulo em 2016 por uma outra legenda. Naturalmente, nem o PT nem o Planalto aplaudiram a ex-ministra. De toda forma, Marta pode ter extrapolado, ter sido agressiva demais, mas não disse nada de muito diferente do que pensa de certo petismo.
Agora, os insatisfeitos estão rondando o Planalto para tentar buscar recompensas na divisão do segundo escalão. Se Dilma não entender as queixas, é possível que comece o ano tropeçando no Congresso. Os ministros que ela escolheu, com honrosas exceções, não têm a liderança que aparentam e vendem.
LEITURAS SUGERIDAS
1. Ricardo Noblat – “Dilma versus Lula, segundo Marta” – Globo
2. Editorial – “A prioridade das prioridades” – Estadão
3. Cristiano Klein – “Equilibrado, ministério de Dilma dá menor presença do PT em 12 anos” – Valor
4. Editorial – “BC entrega meta mais inflação ainda não está sob controle” – Valor