Compra de Treasuries pelo Fed e plano de Geithner podem revigorar bolsas

Se antes o risco acionário contaminou a renda fixa, agora o mercado de títulos promete impactar positivamente as ações

Publicidade

SÃO PAULO – Nos últimos meses, não seria exagero afirmar que os investidores poderiam geralmente adivinhar a direção diária da renda fixa, das cotações das commodities, do câmbio e do crédito apenas observando as mudanças no mercado de ações.

O cenário, entretanto, sofreu algumas alterações depois dos acontecimentos da semana passada. Com o anúncio de que o Federal Reserve irá comprar títulos do governo norte-americano e de agências de financiamento, são os desenvolvimentos na renda fixa que indicam a direção do mercado acionário e de outras classes de ativos.

De acordo com os analistas do UBS, a flexibilização quantitativa que o Fed está promovendo deve ajudar a reduzir o custo de financiamento e moderar as pressões de desalavancagem. Depois do anúncio do Banco Central norte-americano, o dólar mostrou enfraquecimento, as commodities subiram e as bolsas levaram o índice global MSCI AC a se aproximar do maior ganho mensal em uma década.

Em relatório divulgado no início de março, a Pimco já havia comentado a ligação que a crise financeira internacional havia imposto entre as diversas classes de ativos. Segundo a gestora, a conexão principalmente entre os mercados de títulos e o mercado acionário é o fato de os primeiros conterem grandes quantidades de títulos corporativos e hipotecários.

Impacto nos bancos

Dessa forma, caso funcionem como o esperado, as medidas do Federal Reserve terão um impacto significativo também no setor bancário dos Estados Unidos, pois ao melhorar a situação dos mercados imobiliários, ajudam também a reduzir a queda dos preços dos ativos que pesam nas folhas de balanço dos bancos, impulsionando em última instância as ações.

Aliás, o otimismo relativo ao anúncio do Fed na semana passada se une às expectativas positivas referentes ao recém detalhado plano de resgate do setor financeiro do Tesouro dos Estados Unidos. De acordo com o órgão, serão empregados até US$ 1 trilhão de recursos em uma parceria com o setor privado para comprar ativos podres de instituições financeiras.

Continua depois da publicidade

“Dessa forma, presume-se que a competição entre os agentes fará com que o preço pago seja melhor definido, uma vez que o sistema de mercado ditará o valor, o que irá gerar mais transparência no processo e tornar mais eficiente a alocação de recursos públicos”, avalia a Gradual Corretora, ressaltando a “forte sinergia” que as medidas dos dois órgãos possuem.

Dólar em queda, emergentes em alta

A flexibilização quantitativa promovida pelo Federal Reserve também leva os analistas a preverem impactos substanciais na cotação do dólar frente às principais moedas globais. Além de inverter tendências nos investimentos em câmbio, a previsão do enfraquecimento da moeda norte-americana também tem reflexos nas bolsas.

O fortalecimento de divisas internacionais pode atrair a atenção de investidores norte-americanos para outros mercados. Isso favoreceria os países emergentes ao mesmo tempo em que poderia pressionar ativos dos Estados Unidos, principalmente em Wall Street.