Nota de Setor Externo pode sugerir o próximo sintoma da crise: déficit comercial

Média diária aponta deterioração das exportações, o baque da crise nas relações comerciais; atenção também às reservas

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SÃO PAULO – Principal evento na agenda desta terça-feira (24), a apresentação da Nota do Setor Externo desta vez carrega tempero extra. Com o primeiro impacto da crise sobre o crédito e sistema financeiro internacional, a economia real começou a sentir o baque de maneira mais evidente a partir do último trimestre do ano passado. Depois do crédito, o foco recai sobre o comércio exterior.

Até por isso a apresentação pede atenção adicional. Um item em si deve fornecer retrato mais a fundo da atual relação comercial brasileira. O saldo da balança comercial vem se deteriorando nas últimas apresentações, confirma a perspectiva de impacto negativo sobre a atividade exportadora.

Nos dados de janeiro, o saldo da balança comercial ficou negativo em US$ 524 bilhões. O impacto é evidente na comparação com o mesmo período do ano passado, que ainda mostrava tendência superavitária, com saldo positivo em US$ 922 bilhões.

Segunda rodada da crise

Após a rodada inicial sobre o crédito, a extensão dos problemas sobre a economia real pode deixar o próximo sintoma desta crise sobre o comércio exterior, mais especificamente sobre os países com histórico exportador. Henrique Meirelles já alertou para este sintoma, o classificando como “a segunda rodada da crise mundial”.

A deterioração inicial das economias mais maduras atinge países exportadores, que sofrem com a queda brusca das relações de comércio internacional. Basicamente, a Nota de Setor Externo pode confirmar esta tendência, a partir do impacto sobre o volume de exportações.

Média diária

A expectativa é de queda. Dados do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior divulgados nesta segunda-feira (23) apontaram recuo na média diária de exportações nos 54 dias úteis do ano. A média ficou em US$ 506 milhões, 20,7% menor que o visto no mesmo período do ano anterior.

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Em compensação, as importações também apontaram declínio significativo, de 22,2% na mesma base de comparação, atingindo US$ 464,4 milhões.

Foco nas reservas

Apesar da tendência de declínio ser evidente, o Brasil destaca um diferencial frente aos países em desenvolvimento. O próprio Meirelles citou a sólida posição das reservas internacionais como garantia extra contra os problemas de comércio exterior.

Outro ponto importante do indicador. A soma dos resultados das transações correntes e da conta capital constitui o resultado global do balanço de pagamentos. Por definição, é igual às variações das reservas internacionais do País, detidas pelo Banco Central, no conceito de liquidez internacional. A apresentação de janeiro apontou resultado deficitário em US$ 2,23 bilhões.