BC prevê desaceleração e projeta inflação abaixo do centro da meta em 2009

Projeção central para a variação do IPCA indica inflação de 4,0%, 0,7 ponto percentual abaixo do previsto no relatório passado

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SÃO PAULO – Em seu Relatório Trimestral de Inflação, divulgado na manhã desta segunda-feira (30), o Banco Central prevê uma desaceleração do ritmo da inflação para este ano, em grande parte proporcionada pela retração da demanda mundial e pelas reduções projetadas para os preços no atacado de produtos industriais.

Para 2009, a projeção central associada ao cenário de referência para a variação do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) em doze meses indica inflação de 4,0%, 0,7 ponto percentual abaixo do previsto no relatório de dezembro. Para 2010, a projeção parte de 4,3% no primeiro trimestre e atinge 4,0% no último acumulado de meses.

Abaixo da meta

O valor estimado pela autoridade monetária indica que a inflação durante esta ano deverá ficar abaixo do valor central da meta estabelecida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), atualmente em 4,5%.

Contudo, considerando o cenário de mercado, a projeção passa para 4,1%, ou seja, 0,1 ponto percentual maior do que a associada ao cenário central, mas 0,4 ponto percentual inferior em relação ao último Relatório de Inflação.

A projeção de inflação acumulada em doze meses desloca-se para 4,4% no primeiro trimestre de 2010, mesmo patamar em que encerra o ano, estima o BC. “A elevação da projeção de inflação para 2010, comparativamente à projeção para 2009, em parte se deve à expectativa de analistas de mercado de continuidade do processo de redução da taxa básica de juros iniciado pelo Copom na reunião de janeiro”, afirma a autoridade.

Atividade econômica

Assim como outros bancos centrais, o Bacen espera um retrocesso da atividade econômica no âmbito internacional durante este ano, resultado da obstrução dos canais de crédito nos mercados financeiros, afetando, invariavelmente, a cadeia produtiva global.

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De acordo com o cenário de referência, o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro previsto para 2009 foi revisado para 1,2%, ante os 3,2% projetados no Relatório de Inflação de dezembro.

Contas nacionais

Segundo o Banco Central, as perspectivas para a evolução da economia mundial seguem indefinidas, perante as incertezas do ambiente internacional, que podem impactar nos cenários projetados para os fluxos de capitais e taxas de crescimento, bem como para os preços internacionais das commodities.

Neste cenário traçado, as expectativas para 2009 consideram a manutenção das condições de financiamento do balanço de pagamentos e a redução do déficit em transações correntes.

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Esse resultado, de acordo com o BC, é influenciado, por um lado, pela redução do superávit comercial e, por outro, pela redução das remessas líquidas de serviços e rendas, deverá ser financiado com ingressos líquidos da conta financeira, com ênfase para os fluxos de Investimentos Estrangeiros Diretos.