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SÃO PAULO – Mesmo considerando que a crise não é dentro do sistema capitalista de mercado e sim do sistema em si, o diretor de gestão da Pimco, Paul McCulley, afirma que há, sim, uma carta na manga dos líderes econômicos globais: a flexibilização quantitativa competitiva.
Segundo ele, normalmente quando pensamos em políticas globais competitivas, pensamos de modo negativo, como um aumento competitivo de tarifas ou a depreciação de moedas em uma tentativa de conseguir maior demanda. “Em contraste, a flexibilização quantitativa competitiva oferece base para um crescimento na demanda global agregada”, explica o gestor.
Na visão de McCulley, a flexibilização quantitativa competitiva acontece quando os bancos centrais sacrificam temporariamente sua independência para agirem sob o mando da autoridade fiscal.
Contexto necessário
Para que seja possível uma flexibilização quantitativa competitiva, é necessário que o banco central deixe de controlar a expansão de seu balanço, levando a taxa básica de juro para próximo de zero. Olhando para a política adotada pelo Federal Reserve, pode-se deduzir que é esse o caminho que o banco está trilhando.
Com um juro básico na faixa entre 0% e 0,25% ao ano, um dos requisitos o Fed já preencheu. “Assim, o Federal Reserve está praticamente livre para aumentar sua folha de balanço o quanto quiser”, ressalta Paul McCulley, acrescentando que esse cenário deixa o Banco Central norte-americano à vontade para trabalhar em conjunto com a autoridade fiscal – no caso dos EUA representada tanto pelo Tesouro quanto pelo Congresso.
Correlacionada, mas não coordenada
A ideia exposta pelo gestor da Pimco é de que, se grande parte dos países desenvolvidos adotar a flexibilização quantitativa, o cenário global não seria mais de uma luta por grandes fatias de uma pequena demanda mundial e sim de uma correlação de esforços para aumentar a demanda nominal.
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“Notem que eu disse correlacionados e não coordenados. Não é preciso necessariamente que haja uma coordenação explícita entre países, porque aqueles que escolherem não participar, provavelmente experimentarão um aumento em suas taxas de câmbio reais, um impulso deflacionário para suas economias subutilizadas”, reiterou McCulley.
De acordo com sua avaliação, não é preciso um mecanismo de reforço da propagação da flexibilização quantitativa, somente cada país agindo pelos seus próprios interesses individuais. “Este é o melhor tipo de comportamento cooperativo, explicitamente porque não precisa ser coordenado, mas simplesmente trazido pela – adivinhem – mão invisível de Adam Smith!”.
O caso do BCE
É conhecido que o BCE (Banco Central Europeu) hesita em adotar a flexibilização quantitativa. Segundo McCulley, isso se deve ao fato de que a União Europeia representa a união monetária, mas não política nem fiscal.
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“Colocando de forma diferente, se o BCE quiser acomodar mais estímulos fiscais keynesianos, monetizando de fato, qual a autoridade fiscal que ele chamaria para fechar o negócio? Esta é uma pergunta aberta, mas minha sensação é que depois de cerca de dez dígitos de valorização do euro, o BCE encontraria a resposta!”