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A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) materializou um fantasma que já rondava o mercado antes do pleito. A expectativa desses gestores é de continuidade de um cenário que envolve alto endividamento público, o que pode frear investimentos; avanço em políticas sociais que injetam dinheiro na economia, o que mantém uma dinâmica de juros elevados; e a dificuldade de governabilidade com um Congresso eleito mais alinhado ao candidato adversário, o que deve trazer desafios para aprovar projetos.
O resultado da urna levou a B3 a acionar, nesta segunda-feira (26), o mecanismo de circuit breaker, o que interrompeu as negociações na Bolsa por 30 minutos. A última vez que isso havia sido colocado em operação foi em março de 2020, com as incertezas da pandemia.
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Para Roberto Simioni, economista-chefe da Blue3 Investimentos, a gestão Lula 4 terá como desafio demonstrar que a agenda de proteção social, investimentos públicos e fortalecimento do mercado interno podem coexistir com uma trajetória crível de estabilização da dívida pública.
Ele pondera que eliminar investimentos essenciais, manutenção de infraestrutura ou verbas de educação básica, por exemplo, pode até melhorar o superávit primário de imediato, mas tende a asfixiar o crescimento potencial do país e piorar a própria trajetória da dívida no médio prazo.
“A vitória de Lula tem como desafio manter a credibilidade fiscal em um Legislativo adverso. Para Lula, o desafio central será demonstrar que uma agenda de proteção social, investimento público e fortalecimento do mercado interno pode coexistir com uma trajetória crível de estabilização da dívida”, afirma Simioni.
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Projeções apontam maior prêmio de risco
As projeções da Oby Capital indicam um aumento do prêmio de risco fiscal, com o dólar retornando à faixa de R$ 5,50 a R$ 5,70, elevação das taxas dos juros futuros longos e recuo entre 6% e 10% no Ibovespa.
A gestora prevê ainda que a dívida bruta salte dos atuais 83% para cerca de 95% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2030, sob a premissa de um ajuste focado na arrecadação, o que deve limitar a queda da taxa Selic abaixo de 11% ao ano.
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Camilo Cavalcanti, gestor de portfólio da Oby Capital, pontua que o Executivo chega a 2027 com a tarefa de acomodar entre R$ 70 bilhões e R$ 90 bilhões referentes a novos gastos e renúncias prometidas durante a campanha.
Isso não inclui as sinalizações feitas por Lula no discurso após a vitória, que citou mais investimento em tratamento de câncer, universalização do programa Pé-de-Meia para combater a evasão escolar, educação em tempo integral, fortalecimento de políticas sociais voltadas aos idosos, além de incentivo para desenvolvimento de tecnologias nacionais próprias, como uma inteligência artifical em português.
Governabilidade sob pressão
A necessidade de construir uma base sólida no Legislativo é apontada como o primeiro grande obstáculo do próximo governo.
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Cavalcanti observa que, com um Congresso mais à direita, qualquer medida que vise o controle de gastos ou o aumento de receitas dependerá de uma negociação intensa com o bloco do centrão, que historicamente exige contrapartidas na forma de emendas e cargos.
Este cenário também acende um alerta para Simioni, que coloca foco na qualidade da articulação política.
Testes dos primeiros meses e ano de gestão
Nos primeiros três meses, a nova gestão precisará responder a três perguntas centrais, avalia Simioni: quem comandará a política econômica e com quanto poder; como serão financiadas as despesas sociais e os investimentos prometidos; e qual será a estratégia de negociação com o Legislativo.
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Até o encerramento do primeiro ano da nova gestão, a avaliação exigirá a demonstração de execução orçamentária, entrega de resultado primário compatível com o anunciado, aprovação de medidas no Congresso e preservação dos investimentos que sustentam o crescimento futuro, aponta Simioni.
O principal risco identificado é que, diante das resistências na Câmara e no Senado, o governo opte por um ajuste superficial baseado em cortes de despesas discricionárias e receitas eventuais, sem enfrentar as rigidezes estruturais do orçamento.