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O mês de outubro, quando comemoramos o Dia das Crianças, me fez pensar em como descobrimos aquilo de que gostamos e no papel dessas experiências na construção do nosso futuro. No meu caso, essa história começou muito cedo.
Meu pai, Ricardo Toledo, também surfista profissional, me colocou em contato com o mar quando eu tinha apenas 10 meses de vida. Cresci em Ubatuba, perto da praia, e o que começou como uma brincadeira acabou se tornando minha profissão.
Quando era criança, eu não pensava em carreira, dinheiro ou no que poderia conquistar com o esporte.
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Eu gostava de estar no mar, de aprender e de passar o tempo fazendo aquilo que me deixava feliz. Com a influência do meu pai e o apoio da minha família, essa relação foi crescendo até que, ainda jovem, decidi seguir profissionalmente no surfe.
Olhando para trás, percebo que gostar do que fazemos pode ter um papel importante na construção de uma carreira. Não significa que tudo será fácil ou que trabalhar com algo de que gostamos elimina as dificuldades. Significa ter uma conexão com aquela atividade que vai além das obrigações e que nos dá vontade de continuar aprendendo e descobrindo novas possibilidades.
Quando comecei a competir profissionalmente, o surfe passou a fazer parte de uma rotina muito diferente daquela da infância. Vieram as viagens, os compromissos e as responsabilidades de quem vive do esporte.
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Aos poucos, fui entendendo também tudo o que existia por trás da oportunidade de transformar aquilo de que eu gostava em profissão.
Acredito que essa transformação acontece em muitas profissões. Uma pessoa pode começar desenhando, cozinhando, jogando bola ou aprendendo a tocar um instrumento sem imaginar que aquilo terá algum papel no futuro profissional.
Com o tempo, a curiosidade pode se transformar em conhecimento, e o conhecimento pode abrir novas possibilidades. Nem sempre isso vai resultar em uma profissão, mas a experiência de descobrir algo de que gostamos já tem seu valor.
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No meu caso, o surfe também abriu portas para o empreendedorismo.
Hoje, participo de negócios em áreas diferentes, muitos deles ligados a interesses que fazem parte da minha vida. Essa experiência me mostrou que uma paixão pode inspirar novos projetos, mas que transformá-la em negócio exige outros aprendizados.
É preciso conhecer o mercado, entender o público e encontrar uma maneira de fazer a ideia funcionar na prática.
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Gostar do que fazemos pode ser um ótimo ponto de partida, mas não substitui o trabalho necessário para construir algo. Empreender envolve lidar com desafios, além de entender que uma boa oportunidade precisa fazer sentido também do ponto de vista financeiro.
A conexão pessoal ajuda a dar sentido ao projeto, enquanto o conhecimento e a dedicação ajudam a mantê-lo de pé. Essa relação com a infância também ganhou um novo significado para mim depois que me tornei pai de três filhos.
Quero que Mahina, Koa e Zain tenham espaço para descobrir o que gostam, experimentar atividades diferentes e desenvolver os próprios interesses. Não espero que sigam meus passos no surfe, assim como não acho que toda criança precise transformar uma paixão em profissão.
O mais importante é que possam explorar suas vontades e contar com apoio para encontrar seus caminhos. Meu pai me apresentou ao surfe, mas a relação que construí com o esporte foi se desenvolvendo ao longo da minha própria história.
Por isso, acredito que incentivar uma criança não significa decidir por ela o que deve fazer no futuro. Às vezes, significa simplesmente oferecer a oportunidade de experimentar, estar presente e permitir que ela descubra o que desperta seu interesse.
Olhando para a minha trajetória, vejo que o surfe me deu muito mais do que uma profissão. Ele faz parte de quem sou, da minha história e das relações que construí ao longo da vida. Tudo começou com a vontade de estar no mar, sem que eu soubesse onde poderia me levar.
Acredito que vale a pena prestar atenção naquilo que desperta nossa curiosidade e nos faz querer aprender cada vez mais. Algumas experiências vão permanecer como hobbies; outras podem abrir portas para profissões e negócios.
Não precisamos saber desde criança aonde vamos chegar. Às vezes, basta ter a oportunidade de descobrir algo de que gostamos e permitir que essa relação cresça com o tempo.