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O trader diante dos próprios medos: Marci Delgado levará psicanálise à Casa Clear

Presente todos os dias na Casa Clear, Marci Delgado discutirá como o medo de perder e as reações emocionais interferem nas decisões do trader

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Conhecer uma estratégia e conseguir executá-la são desafios diferentes no day trade, sobretudo quando o medo de perder interfere nas decisões.

Essa relação entre técnica e emoções estará na Casa Clear, em uma abordagem voltada à compreensão do comportamento de quem opera.

Marcielli Delgado, psicanalista e trader, estará todos os dias na Casa Clear, com atendimentos individuais e encontros em grupo sobre psicanálise aplicada aos traders.

A proposta será discutir questões como medo de clicar, dificuldade de aceitar perdas e excesso de operações, além de abrir espaço para perguntas dos participantes.

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O comportamento diante do gráfico

Para Marci, compreender as dificuldades de um trader exige observar como ele reage diante do mercado.

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Em sua experiência, é frequente ouvir relatos de pessoas que percebem uma diferença entre o comportamento cotidiano e aquele que apresentam quando começam a operar.

“A pessoa é quem ela é quando ela está fazendo day trade. É ali que os monstros dela aparecem”, afirma.

Segundo a psicanalista, essa percepção está relacionada às convenções que orientam a convivência social.

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Enquanto outros ambientes exigem uma apresentação mais controlada de si, ela entende que o trading expõe fragilidades que podem permanecer escondidas nas relações pessoais e profissionais.

“Fora do gráfico a gente tende a ficar dentro de uma moralidade, de uma ética e de uma vida mascarada, para esconder as nossas debilidades”, comenta.

Nesse sentido, sua atuação parte também da experiência diante da tela, que permite reconhecer dificuldades relatadas por quem busca atendimento.

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Assim, o conhecimento do mercado se soma à escuta sobre a maneira como cada pessoa vivencia suas operações. “Por ser trader, eu sei exatamente as dores que os traders passam”, explica.

Além disso, Marci ressalta que o acompanhamento precisa considerar as particularidades de cada pessoa. Em sua abordagem, compreender essas diferenças é o que orienta a escolha dos recursos utilizados no trabalho com o trader.

“Eu, sendo psicanalista, sei as ferramentas que posso entregar para cada perfil de trader. Porque, para cada um, as ferramentas mudam”, destaca.

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Técnica e perfil emocional

Embora destaque o componente emocional, Marci reconhece a importância do estudo para construir uma base operacional.

Gráficos, estatísticas e estratégias ajudam o trader a compreender como executar suas decisões, mas ela atribui às emoções outro papel nessa dinâmica.

“Costumo dizer que a técnica é o volante, é como você vai chegar no teu objetivo, mas as emoções são o motor”, compara.

Por outro lado, a interpretação de um resultado negativo pode ampliar a dificuldade de lidar com o mercado. Na avaliação da psicanalista, uma visão marcada pelo pessimismo transforma o significado da perda e pode dificultar o avanço do aprendizado.

“Uma mentalidade negativa é uma mentalidade que estaciona, uma mentalidade estagnada. Uma mentalidade que enxerga no loss uma tragédia, um fracasso”, observa.

Por isso, o trabalho descrito por Marci envolve investigar a formação dessa maneira de pensar, incluindo experiências anteriores ao trading. A proposta é ajudar a pessoa a reconhecer aspectos da própria história que influenciam suas reações atuais.

“Ajudar essa pessoa a fazer uma autoanálise, de por que ela é tão negativa, em que meio ela transitou quando era criança, adolescente, que fez com que ela ficasse uma pessoa negativa”, explica.

Da mesma forma, acumular conhecimento não encerra a discussão sobre a execução. Para a psicanalista, também é necessário observar a compatibilidade entre o método estudado e as características de quem pretende utilizá-lo.

“Ela pode aprender várias técnicas, mas será que se encaixa no perfil daquela pessoa, no perfil de personalidade, no perfil emocional?”, questiona.

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Quando o medo impede de agir

Ao abordar os momentos em que o acompanhamento pode contribuir, Marci diferencia o receio de quem começa daquele associado a experiências dolorosas. No primeiro caso, ela relaciona a insegurança à falta de familiaridade com o funcionamento do mercado.

“O medo da pessoa que acabou de começar. Tudo é desconhecido para ela. Se é desconhecido, amedronta; se é desconhecido, ameaça; e, se ameaça, nosso instinto mais primitivo é recrutar esse mecanismo de defesa chamado de medo através da ameaça para que o corpo comece a reagir frente a essa ameaça”, descreve.

Diante disso, a trader considera importante construir uma base técnica antes de buscar o acompanhamento especificamente voltado ao trading.

Ela menciona aproximadamente um ano de trajetória como referência em sua avaliação, associado ao estudo e à compreensão da atividade.

“Então ela já tem que ter ali como base os fundamentos do mercado, o que são as técnicas básicas, análise técnica, análise gráfica e assim por diante”, sustenta.

Já entre os mais experientes, a dificuldade pode surgir depois de grandes prejuízos, mesmo quando existe conhecimento para operar.

Nesse cenário, segundo Marci, o receio de repetir a experiência interfere na tomada de decisão. “Aí a pessoa hesita, a pessoa fica com medo de clicar de novo”, relata.

Além das perdas financeiras, ela considera acontecimentos externos ao mercado ao avaliar o que impede um trader de avançar. Portanto, a experiência acumulada não elimina a possibilidade de enfrentar bloqueios ligados a episódios difíceis.

“Mas aconteceu alguma coisa traumática ou fora do mercado ou dentro do mercado que está impedindo ela de avançar e sair desse looping de repetição destrutiva”, assinala.

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Escuta na Casa Clear

Na Casa Clear, essa abordagem ganhará espaço em dois formatos, com a presença de Marci em todos os dias do evento.

Além dos atendimentos individuais, os participantes terão encontros coletivos para conhecer seu trabalho e discutir dificuldades relacionadas à rotina operacional. “Nós teremos a psicanalítica aplicada para traders em grupo todos os dias”, informa.

Nos encontros em grupo, o conteúdo será apresentado em formato de palestra, com uma visão mais ampla dos desafios enfrentados por quem opera. Entre os assuntos previstos estão o excesso de operações e episódios de descontrole diante do mercado.

Também haverá espaço para abordar a relação com os resultados negativos, conectando o conteúdo às situações que os participantes encontram diante da tela.

Nesse ponto, Marci pretende discutir tanto a experiência de perder quanto a dificuldade de aceitar esse resultado. “É como lidar com as os dias de loss, como lidar com não aceitação do loss”, acrescenta.

Além da exposição dos temas, o formato coletivo permitirá interação com a psicanalista.

Assim, quem estiver na Casa Clear poderá apresentar questões da própria rotina e esclarecer dúvidas sobre os comportamentos discutidos, aproximando os encontros das dificuldades vividas no trading.

“Eles terão a possibilidade de fazer perguntas, interagir e tirar dúvidas”, ressalta.

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Bruno Nadai
Mercados | Economia | Onde Investir

Bruno Nadai é trader e repórter do InfoMoney, com foco em trading e análise técnica. Acompanha o mercado financeiro desde 2005 e aprofundou seus conhecimentos com diversos mentores, entre eles Márcio Noronha. No InfoMoney, realiza entrevistas com nomes do universo trader e cobre os programas do GainCast, unindo experiência prática e jornalismo na produção de conteúdos sobre análise técnica, estratégias e mercado.