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A ação da MBRF (MBRF3) caiu 4,11%, a R$ 18,29, na sessão desta segunda-feira (19), após o Ministério da Agricultura registrar um foco de Doença de Newcastle em uma criação de perus em Santa Catarina. Em Nova York, as ações da JBS (BDR: JBSS32) tiveram baixa de 1%, a US$ 12,90.
De acordo com a ABPA, um acordo assinado com a China prevê que as exportações de carnes de aves brasileiras sejam suspensas no caso da ocorrência de Doença de Newcastle.
Nesta segunda-feira, autoridades disseram que o ministério está informando parceiros comerciais sobre o caso da doença viral altamente contagiosa para aves, que não causa problemas para a saúde humana.
Autoridades acrescentaram que o ministério ainda não recebeu qualquer informação sobre suspensão das exportações brasileiras por conta do foco em perus, em um estabelecimento de avicultura comercial de corte no município de Nova Itaberaba (SC).
“Ainda não temos nada objetivo a informar (sobre suspensão de exportações)”, afirmou o secretário-substituto de Comércio e Relações Internacionais do ministério, Rafael Requião.

Brasil registra foco de Doença de Newcastle em perus em Santa Catarina
A China, um dos principais destinos das exportações brasileiras de carne de frango, impôs em 2024 um embargo ao produto do Rio Grande do Sul após a confirmação de um caso de Doença de Newcastle em uma granja comercial no Estado

Acordo com China prevê autoembargo brasileiro em caso de Newcastle, diz ABPA
De janeiro a setembro, a China respondeu por cerca de 10% das exportações brasileiras de carne de frango, ou 420 mil toneladas, segundo dados do governo brasileiro
Ele disse ainda que o Brasil está analisando os protocolos para identificar quais medidas serão tomadas para um eventual “autoembargo” de exportações.
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“Não queremos antecipar a reação de parceiros, as discussões com a China começam agora”, disse Requião.
Um acordo assinado com a China prevê que as exportações de carnes de aves brasileiras sejam suspensas no caso da ocorrência de Doença de Newcastle, como a confirmada em uma granja de perus em Santa Catarina no domingo, disse o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, à Reuters.
A China aparece como o maior mercado importador de carne de frango do Brasil neste ano –os chineses responderam por cerca de 10% das vendas totais do Brasil de janeiro a setembro, importando 420 mil toneladas, segundo dados do governo brasileiro.
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A partir do “autoembargo”, a China costuma definir como fica o embargo, se restrito apenas à região ou ao Estado atingido pelo foco da doença, explicou Santin.
A confirmação do foco reacendeu uma granja comercial de perus em Santa Catarina reacendeu preocupações sobre possíveis restrições às exportações brasileiras de carne de frango. Ainda assim, o JPMorgan avalia que o impacto para JBS e MBRF tende a ser limitado e temporário, repetindo em menor escala o que ocorreu em 2024.
O banco destacou que o Ministério da Agricultura confirmou a detecção da doença e deve impor uma suspensão temporária das exportações de produtos avícolas enquanto o foco é controlado. As autoridades já isolaram a área afetada e iniciaram o abate sanitário dos animais da propriedade.
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O episódio representa o segundo surto de Newcastle registrado em granjas comerciais no Brasil, após o caso ocorrido em julho de 2024 no Rio Grande do Sul. Na ocasião, destacam os analistas, diversos mercados suspenderam temporariamente as compras, mas as exportações se recuperaram rapidamente depois da retirada das restrições.
Segundo o JPMorgan, a experiência de 2024 sugere efeitos econômicos modestos para as grandes exportadoras brasileiras. Naquele episódio, as exportações de carne de frango do Brasil caíram cerca de 100 mil toneladas durante o período de restrições, equivalente a aproximadamente 25% dos embarques mensais, mas retornaram rapidamente aos níveis anteriores. O banco destaca ainda que o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) de JBS e MBRF não sofreu impacto material, já que os volumes exportados foram recuperados posteriormente.
Desta vez, o banco acredita que os impactos podem ser ainda menores – a avaliação é que o foco foi identificado rapidamente e que a doença costuma ter disseminação localizada. Além disso, vários países importadores passaram a adotar protocolos mais flexíveis após 2024, restringindo compras apenas de áreas específicas afetadas, em vez de impor embargos nacionais.
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O JPMorgan estima que Santa Catarina responda por cerca de 10% a 20% das exportações de frango de MBRF e da operação Seara, da JBS, o que reduz o potencial de impacto caso prevaleçam restrições regionais.
O principal ponto de atenção continua sendo a reação dos importadores. Em 2024, a China foi o mercado que mais afetou o fluxo de exportações brasileiras, mantendo restrições por um período significativamente mais longo que outros compradores. Já países como Japão, União Europeia, México e Arábia Saudita adotaram medidas mais localizadas ou temporárias.
Para os analistas, o histórico recente mostra que a recuperação tende a ocorrer rapidamente desde que o surto permaneça isolado. O relatório ressalta que o governo brasileiro agiu com rapidez para conter a disseminação e que, até o momento, não há sinais de um evento mais amplo que justificasse uma revisão relevante das estimativas para as companhias.
A leitura do JPMorgan é que a notícia deve gerar volatilidade de curto prazo para os papéis ligados à proteína animal, mas não altera a tese estrutural para JBS e MBRF, especialmente se as restrições seguirem limitadas geograficamente e forem retiradas dentro de um prazo semelhante ao observado em 2024.
(com Reuters)