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As eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, as chamadas “midterms”, podem ter consequências mais amplas para a economia americana do que o mercado atualmente considera, segundo análise do UBS.
Na visão do banco, o resultado mais provável é um avanço do Partido Democrata no Congresso, cenário que pode alterar não apenas a política fiscal, mas também o processo de indicação de dirigentes do Federal Reserve nos próximos anos.
O UBS destaca que os democratas precisam de apenas três cadeiras adicionais para conquistar maioria na Câmara. Além disso, historicamente, o partido do presidente perde, em média, 24 assentos nas eleições legislativas de meio de mandato.
Segundo os economistas do banco, uma Câmara controlada pelos democratas aumentaria as chances de impasses fiscais e disputas envolvendo orçamento e teto da dívida.
Já uma vitória democrata mais ampla também poderia afetar diretamente a política monetária por meio do controle do processo de confirmação dos futuros integrantes do Fed.
Fed pode ser afetado por resultado eleitoral
O principal alerta do relatório é que o mercado estaria subestimando o impacto potencial das eleições sobre o banco central americano.
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O UBS observa que mudanças naturais na composição do Conselho de Governadores do Federal Reserve podem abrir espaço para a substituição de até quatro membros até o início de 2028. Entre os nomes citados estão Jerome Powell, Michael Barr, Lisa Cook e Christopher Waller.
Como os novos dirigentes precisam ser aprovados pelo Senado, um Congresso mais favorável aos democratas poderia limitar a capacidade da Casa Branca de emplacar os nomes de sua preferência. Segundo o banco, isso tende a aumentar a independência institucional do Fed e introduzir uma camada adicional de incerteza sobre o rumo futuro da política monetária.
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“O resultado eleitoral pode mudar não apenas a política fiscal, mas também o ambiente institucional em que a política monetária será conduzida”, escrevem os economistas do UBS.
Teto da dívida volta ao radar
Na frente fiscal, o banco chama atenção para uma série de prazos importantes, como o financiamento do governo federal para o ano fiscal de 2027 e um programa de infraestrutura de aproximadamente US$ 500 bilhões expiram em 11 de dezembro, o que aumenta a possibilidade de negociações prolongadas e extensões temporárias para 2027.
O teto da dívida também volta a aparecer como instrumento de barganha política. Segundo o UBS, democratas podem tentar negociar mudanças em programas sociais, incentivos habitacionais, créditos para energia limpa e outras prioridades em troca de apoio em votações relacionadas ao endividamento público.
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O resultado pode ser um acordo fiscal mais expansionista do que o atualmente projetado pelo Congressional Budget Office (CBO), ainda que a divisão de poder dificulte a aprovação de grandes pacotes partidários.
Ao mesmo tempo, o banco alerta que o processo pode aumentar os riscos de paralisações parciais do governo (shutdowns) e novos episódios de tensão envolvendo o teto da dívida.
Saúde, habitação e energia podem ganhar espaço
O UBS também traça um mapa das áreas com maior potencial para acordos bipartidários.
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Entre os temas mais citados estão: ampliação ou retomada de subsídios ligados ao sistema de saúde; expansão do programa de negociação de preços de medicamentos;
flexibilização de mudanças recentes no Medicaid; incentivos para compradores do primeiro imóvel; programas de habitação acessível; reformas relacionadas ao sistema de cartões de crédito e aumento dos limites de seguro para depósitos bancários.
No setor de energia, o banco enxerga espaço para iniciativas relacionadas à infraestrutura elétrica, centros de dados e projetos de transmissão, além de discussões sobre licenciamento e incentivos para fontes renováveis.
Inteligência artificial pode entrar no centro do debate
Outra área que tende a ganhar relevância é a regulação da inteligência artificial. Segundo o UBS, parlamentares democratas vêm defendendo um modelo de supervisão federal mais rígido para sistemas avançados de IA, embora ainda exista pouca convergência bipartidária sobre qual estrutura regulatória deveria ser adotada.
O banco também cita apoio bipartidário para controles mais rígidos às exportações de semicondutores e para projetos relacionados à segurança digital de crianças e adolescentes.
Para o UBS, a principal mensagem é que o mercado tende a focar inicialmente nos riscos de impasse fiscal e aumento dos déficits, mas a capacidade do Senado de influenciar a composição futura do Federal Reserve pode se tornar uma consequência mais relevante para investidores do que os debates orçamentários de curto prazo.
Na avaliação do banco, um Congresso mais favorável aos democratas teria condições de dificultar a nomeação de integrantes alinhados à atual administração e reforçar a independência do Fed, aumentando a incerteza sobre a futura função de reação do comitê de política monetária americano.
Assim, as eleições legislativas podem alterar não apenas o tamanho e a composição do estímulo fiscal nos Estados Unidos, mas também o próprio ambiente institucional em que serão tomadas decisões de juros nos próximos anos.

