Quer empreender gastando pouco? A Nuvemshop pode ser um bom começo

A plataforma virou porta de entrada para quem quer empreender gastando pouco — mas ter ficado mais barato não significa ter ficado mais fácil

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Quanto custa tirar uma ideia do papel? Gosto dessa pergunta porque a resposta muda muito dependendo de quando ela é feita. E, nas últimas décadas, mudou mais rápido do que a maioria de nós percebeu.

Por exemplo…

Nos anos 1990, uma startup precisava de pelo menos US$ 5 milhões só para começar. E não sou eu quem diz isso.

Matthew Rhodes-Kropf, professor visitante do MIT Sloan, estudou o assunto e chegou a esse número. Era o preço dos servidores, das licenças de software e de uma equipe técnica contratada muito antes de aparecer o primeiro cliente.

A pergunta que me faço é: quanto essa mesma empresa precisaria hoje para fazer as mesmas coisas?

Mesmo com trinta anos de inflação no meio do caminho, a resposta é uma fração disso. Os servidores viraram aluguel na nuvem, pago conforme o uso. O software virou assinatura. E, no último ano, até parte da equipe passou a caber numa assinatura também.

O texto que pedia um redator, a peça que pedia um designer, a primeira versão do código que pedia um programador: tudo isso hoje pode sair de uma conversa com uma inteligência artificial, em minutos, por algumas dezenas de reais por mês.

O curioso é que nem o próprio mercado de startups levou isso a sério de imediato. Na euforia de 2020 e 2021, contratar muita gente ainda era sinônimo de crescer. Foi preciso a ressaca, e a chegada da IA, para a conta mudar.

Segundo a Carta, plataforma que acompanha dezenas de milhares de startups americanas, uma startup que captava sua primeira rodada tinha, em 2022, uma equipe típica de seis a sete pessoas. Em 2025, eram quatro.

Quatro pessoas, em empresas que recebem milhões de dólares de fundos.

Pode parecer uma redução sutil, de duas ou três cadeiras. Mas, se essas empresas entregam o mesmo que entregavam em 2022, significa fazer o trabalho com cerca de 40% menos gente. É como se cada pessoa da equipe passasse a render 60% a mais. E, numa startup, gente costuma ser o maior custo.

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Mais perto do zero

Se é assim para quem tem investidor, imagine para quem começa sem nenhum. É aqui que a conversa me interessa de verdade, porque ela deixa de ser sobre o Vale do Silício e passa a ser sobre a vizinha que vende bolo, o amigo que desenha camisetas, o estagiário que tem uma boa ideia e nenhum capital.

Para essas pessoas, a IA não chega como ameaça ao emprego de ninguém. Chega como o funcionário que elas nunca poderiam contratar.

Os dados do Sebrae apontam nessa direção: mais da metade dos pequenos negócios brasileiros já usa IA, e em nove de cada dez deles o número de funcionários não mudou. A tecnologia não está substituindo gente. Está ocupando o lugar das contratações que, antes, eram condição para abrir as portas.

E tem o tempo, que também é dinheiro. Quem trabalha durante o dia e empreende à noite sabe o valor de uma tarde livre. Quando a descrição do produto, o logotipo e a página da loja deixam de tomar semanas, o custo de começar cai duas vezes: no bolso e na agenda.

Por isso, arrisco dizer que, hoje, o ponto de partida de quem quer empreender pode estar mais perto de R$ 0 do que de R$ 10 mil.

Parece exagero? Então vale olhar para um exemplo concreto. E, para entendê-lo bem, vale contar a história de trás para frente.

180 mil lojas

A Nuvemshop é hoje a plataforma de e-commerce com a maior base de lojas da América Latina: mais de 180 mil marcas em cinco países, que movimentam mais de R$ 15 bilhões por ano.

Para abrir uma loja ali, não é preciso pagar nada. Existe um plano gratuito, sem prazo para acabar, e os pagos vão de R$ 69 a R$ 449 por mês.

Não por acaso, boa parte de quem está lá ainda está no começo da jornada. Pela pesquisa NuvemCommerce 2026, da própria empresa, seis em cada dez lojistas tocam a loja sozinhos.

Muitos nem têm estoque: vendem por dropshipping, modelo em que o produto fica com o fornecedor e vai direto para a casa do cliente. Há quem torça o nariz para isso.

Não acho que toda loja aberta desse jeito vá virar uma empresa de verdade. Muitas, provavelmente, não vão. Mas, como ponto de partida, é difícil pensar em algo melhor. Ainda mais quando ele vem com ferramentas que, até pouco tempo atrás, só estavam ao alcance de quem tinha equipe e orçamento para pagar por elas.

A novidade mais recente da Nuvemshop é um bom exemplo.

Em agosto, quando a OpenAI começou a exibir anúncios no ChatGPT para usuários brasileiros, a plataforma liberou uma integração com o Pixel da OpenAI: basta colar um código nas configurações da loja para medir visitas, carrinhos e compras que vieram dessas campanhas. Sem programador e sem custo de ativação.

Para quem está começando, isso significa poder entrar nessa vitrine desde o primeiro dia e saber, com números, se ela traz cliente ou não. Ou seja: o que há poucos anos exigiria uma equipe técnica para medir, hoje exige alguns cliques.

Antes das 180 mil

Olhando para a Nuvemshop de hoje, com 180 mil lojas e integração com a OpenAI, é fácil esquecer que ela também já foi um negócio pequeno, sem dinheiro e sem garantia de nada.

Talvez seja por isso que a empresa aposta tanto em quem começa desse jeito: os fundadores começaram assim, com uma primeira ideia que deu errado. Em 2008, cinco amigos do ITBA, em Buenos Aires, entre eles Santiago Sosa, hoje CEO, e Alejandro Vázquez, presidente, criaram um marketplace ligado às redes sociais.

Faltou quem vendesse e faltou quem comprasse. Em 2011, mudaram de rota e passaram a oferecer a cada vendedor a ferramenta para montar a própria loja. Entre os primeiros clientes estavam a mãe de um dos fundadores e uma designer de vestidos de festa.

No Brasil, como Vázquez contou na edição deste ano do D2C Summit, em São Paulo, o começo foi a pé. Os sócios andaram pela Avenida Paulista perguntando a lojistas se eles vendiam online e, nas temporadas na cidade, dividiam um apartamento de 35 metros quadrados.

Em 2014, tinham menos de quatro meses de caixa e, mesmo assim, recusaram duas propostas de compra. Sete anos depois, a empresa foi avaliada em US$ 3,1 bilhões.

Ou seja, os fundadores empreenderam do jeito que a plataforma deles hoje permite que outras pessoas empreendam: com pouco.

Mas repare num detalhe: entre o projeto de faculdade e a empresa bilionária, foram treze anos, um fracasso e uma crise de caixa.

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Mais barato, não mais fácil

Agora vem a parte menos confortável deste artigo: ter ficado mais barato começar não significa ter ficado mais fácil dar certo.

A pesquisa Sobrevivência de Empresas, do Sebrae, mostra que quase três em cada dez microempreendedores individuais fecham em até cinco anos. O próprio estudo aponta uma das razões: o que é fácil de abrir também é fácil de fechar.

E há um detalhe que pouca gente considera. Se começar ficou barato para você, ficou barato para todo mundo.

A barreira que caiu na sua frente caiu também na frente dos seus concorrentes. Não à toa, os lojistas da Nuvemshop apontam a falta de capital para reinvestir e a dificuldade de atrair clientes entre seus maiores desafios. O dinheiro que deixou de ser cobrado na entrada passou a ser cobrado no meio do caminho.

O que mudou, então, não foi o tamanho do desafio. Foi o tamanho do risco. Empreender continua exigindo tombos, mas hoje dá para cair de uma altura menor.

Errar o produto, o preço ou o público custa algumas semanas e algumas centenas de reais, não as economias de uma vida. Por isso, penso no começo barato como um laboratório: um lugar para testar ideias, não para se acomodar nelas.

Se você ainda não empreende porque acha que falta dinheiro, talvez valha rever o argumento. E, se você já empreende, a pergunta é outra: o que você está fazendo com o risco que deixou de correr?

Errar ficou mais barato. Acertar continua dando trabalho.


Jornalista, empreendedor, fundador da agência Made In Moon e professor da Link School Of Business