Vale projeta 700 mil t de cobre até 2035; VBM pode gerar mais de 40% do EBITDA

Em Londres, CEO Gustavo Pimenta destacou o crescimento dos metais básicos, disse que IPO da unidade “não é iminente” e avaliou que mercado de minério de ferro seguirá equilibrado mesmo com Simandou

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Gustavo Pimenta, CEO da Vale (Foto: FT Live)
Gustavo Pimenta, CEO da Vale (Foto: FT Live)

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O cobre deve ganhar ainda mais peso no portfólio da Vale nos próximos anos. Durante participação no FT Metals & Mining Summit, em Londres, o CEO da companhia, Gustavo Pimenta, afirmou que a produção do metal pode avançar das atuais cerca de 380 mil toneladas para 700 mil toneladas nos próximos anos, impulsionada principalmente pelas oportunidades em Carajás, no Brasil. Para o executivo, essa trajetória de crescimento ainda é subestimada pelo mercado.

O avanço pode ampliar também a participação da Vale Base Metals (VBM) nos resultados da companhia. Segundo Pimenta, a unidade responde hoje por cerca de 30% da contribuição para o EBITDA da Vale, patamar que pode superar 40% nos próximos anos, na sua visão.

“Acredito fortemente que nossa história no cobre é a mais subestimada do setor hoje. Temos o maior crescimento entre as grandes mineradoras. Hoje produzimos cerca de 380 mil toneladas e temos a meta de chegar a 700 mil toneladas de cobre, principalmente em Carajás, no Brasil, com baixíssima intensidade de capital”, afirmou.

Em entrevista conduzida por Camila Hodgson, correspondente de commodities do Financial Times, Pimenta explicou que uma das vantagens competitivas da Vale nessa expansão é a infraestrutura já existente no Brasil. Segundo ele, um projeto desenvolvido pela companhia apresenta, em média, metade da intensidade de capital de um projeto greenfield típico, por poder aproveitar estruturas como ferrovia e porto. O CEO destacou ainda que há dois projetos de cobre em construção.

Obras de expansão do sistema de correias transportadoras no Complexo Minerário de Carajás Serra Sul (S11D), infraestrutura que otimiza o transporte de minério de ferro com maior eficiência operacionalObras de expansão do sistema de correias transportadoras no Complexo Minerário de Carajás Serra Sul (S11D), infraestrutura que otimiza o transporte de minério de ferro com maior eficiência operacional. (Foto: Jeferson Capela/ Vale)

A estratégia, segundo Pimenta, é crescer sem renunciar à remuneração aos acionistas. Ele afirmou que a Vale tem conseguido combinar a expansão dos negócios com o pagamento de dividendos e destacou a eficiência de capital dos projetos da companhia como um diferencial para sustentar as duas frentes.

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IPO da Vale Base Metals “não é iminente”

Mesmo com a perspectiva de expansão da VBM, Pimenta afastou uma abertura de capital da unidade no curto prazo. Segundo ele, a prioridade é desenvolver o potencial do cobre, sobretudo em Carajás, onde existem sinergias entre os negócios da Vale.

“O IPO pode ser um caminho se, em algum momento, quisermos recorrer aos mercados de capitais para financiar competitivamente algumas dessas oportunidades de crescimento. Mas não é um objetivo em si. É um meio para um fim”, afirmou.

Questionado diretamente se uma abertura de capital seria iminente, ele negou. Ao projetar a companhia daqui a cinco anos, Pimenta reforçou a perspectiva de crescimento do portfólio. A visão apresentada pelo executivo contempla a Vale alcançando 700 mil toneladas de cobre e elevando a produção de minério de ferro do patamar de cerca de 335 milhões a 338 milhões de toneladas para aproximadamente 360 milhões de toneladas, com melhora no mix de produtos.

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Minério de ferro deve permanecer equilibrado mesmo com Simandou

No minério de ferro, Pimenta avaliou que o mercado deve permanecer equilibrado mesmo com a entrada em operação de Simandou, na Guiné. Na avaliação do CEO, a nova oferta deverá compensar, em grande medida, a exaustão natural da produção existente.

Segundo ele, o setor registra de 60 milhões a 80 milhões de toneladas de exaustão por ano. Por isso, a Vale vê Simandou mais como uma compensação dessas perdas de produção nos próximos anos do que simplesmente como uma adição de oferta ao mercado.

Pimenta chamou atenção também para o teor mais elevado de alumina observado no minério que está saindo recentemente de Simandou. Para o executivo, essa característica reforça o valor dos produtos brasileiros com baixo teor de alumina na composição das misturas utilizadas pelas siderúrgicas.

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China segue relevante, enquanto Índia e Vietnã ampliam demanda

Sobre a China, Pimenta afirmou que a demanda continua sólida. Segundo ele, o país produz pouco mais de 1 bilhão de toneladas de aço bruto, ligeiramente abaixo do ano anterior, em um cenário no qual a expansão da manufatura vem substituindo parte da demanda relacionada ao setor imobiliário.

Ao mesmo tempo, o CEO apontou crescimento em outros mercados asiáticos. Citou o Vietnã, que está triplicando sua produção de aço bruto, e a Índia, onde mencionou projeção de expansão da produção de cerca de 170 milhões para aproximadamente 600 milhões de toneladas.

Nossa visão é a de que, no médio a longo prazo, mesmo com a entrada de Simandou, o mercado permanecerá equilibrado.

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Relação com a China vai além da compra de minério

Pimenta também classificou como construtiva a relação da Vale com a China Mineral Resources Group (CMRG). Segundo ele, a companhia se posiciona como parceira estratégica da China e vem discutindo com o grupo iniciativas de descarbonização, soluções de blending e alternativas que possam gerar benefícios para todas as partes.
O CEO afirmou estar otimista com as conversas e indicou que o diálogo deverá continuar nos próximos anos.

Brasil pode ampliar peso da mineração na economia

Na parte final da conversa, Pimenta destacou o potencial mineral brasileiro. Segundo ele, a mineração representa atualmente cerca de 4% do PIB do país, mas há espaço para ampliar essa participação diante da disponibilidade de recursos minerais. Como comparação, citou a Austrália, onde a mineração responde por mais de 10% do PIB.

O executivo defendeu avanços no licenciamento acompanhados de uma agenda de mineração responsável e citou Carajás como exemplo. Segundo Pimenta, as operações utilizam de 2% a 3% do território e protegem 800 mil hectares de floresta.

Gustavo PimentaGustavo Pimenta, CEO da Vale

“Estamos convencidos de que podemos trabalhar por um futuro em que não apenas forneçamos aquilo que é essencial, mas também possamos tornar o mundo melhor”, diz Gustavo Pimenta, CEO da Vale

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