Publicidade
O JPMorgan avalia que as ações dos setores de varejo e saúde ainda têm espaço para valorização após o rali desencadeado pelo resultado do primeiro turno da eleição presidencial. Em relatório assinado pelos analistas Joseph Giordano e Nicolas Larrain, o banco afirma que os investidores devem priorizar empresas com sólidos, previsibilidade de resultados e potencial de crescimento no longo prazo.
Desde 2 de outubro, o valor de mercado do setor de varejo acompanhadas pelo JPMorgan cresceu 16%, enquanto o de saúde avançou 12%. As ações subiram, em média, 20% e 14%, respectivamente, ante alta de 8% do Ibovespa, mesmo após o recuo recente em relação às máximas.
Apesar da realização de lucros recente, o JPMorgan mantém a expectativa de continuidade da reprecificação, impulsionada pela possibilidade de maior disciplina fiscal e juros mais baixos. O banco ressalva, porém, que o consumo deve continuar pressionado no segundo semestre de 2026 e em 2027.
RD Saúde, Smart Fit e Rede D’Or são as preferidas
RD Saúde (RADL3), Rede D’Or (RDOR3) e Smart Fit (SMFT3), todas com recomendação de compra, são as principais apostas do JPMorgan. Segundo o banco, as três combinam fundamentos atraentes de longo prazo, liquidez e potencial de valorização.
A RD Saúde se beneficia da liderança no varejo farmacêutico e de oportunidades de crescimento estrutural. A Rede D’Or reúne escala no setor hospitalar e uma avaliação considerada atrativa, enquanto a Smart Fit mantém potencial de expansão regional e crescimento dos lucros, apesar da concorrência.
No segmento de vestuário, a C&A Brasil (CEAB3) continua sendo a principal tese de reprecificação e de maior sensibilidade ao cenário macroeconômico. A Lojas Renner (LREN3), por sua vez, oferece uma alternativa com maior liquidez.
Continua depois da publicidade
Magalu pode ter subido demais
O varejo tende a superar o setor de saúde em um cenário macroeconômico favorável, dada sua maior sensibilidade a juros mais baixos, à melhora das expectativas de consumo e à redução do prêmio de risco do país.
Nesse sentido, Assaí (ASAI3) e Magazine Luiza (MGLU3) continuam entre as empresas cujos resultados mais podem se beneficiar de uma eventual queda dos juros. No entanto, a valorização recente reduziu a atratividade dessas teses, especialmente no caso do Magazine Luiza, cujo o movimento o JPMorgan considera excessivo.
A instituição prefere capturar o potencial de melhora macroeconômica por meio de empresas de qualidade, como a RD Saúde, que também apresenta potencial de valorização associado à melhora das condições econômicas.
Continua depois da publicidade
No setor de saúde, a Hapvida (HAPV3) também apresenta sensibilidade significativa aos juros. Já a Bradsaúde (SAUD3) pode ter seus resultados prejudicados por uma queda da Selic, devido à sua posição de ativo financeiro líquido.
Varejo e saúde continuam descontados
Apesar do rali, o varejo negocia a aproximadamente nove vezes o lucro projetado, cerca de 40% abaixo da média dos últimos cinco anos. Na saúde, o múltiplo está próximo de dez vezes, com desconto de aproximadamente 33% em relação à média histórica.
Os modelos do JPMorgan indicam espaço para uma expansão adicional de duas a três vezes no múltiplo preço/lucro do varejo, considerando a normalização do custo de capital próprio. Mesmo nesse cenário, as avaliações permaneceriam entre 20% e 30% abaixo da média dos últimos cinco anos.
Continua depois da publicidade
O banco não espera, contudo, uma recuperação integral dos múltiplos históricos. Para sustentar novas altas, as empresas precisarão demonstrar maior previsibilidade dos lucros, fundamentos consistentes e capacidade de atrair fluxos de investimento institucionais.
O JPMorgan também alerta que empresas com problemas específicos, como Natura (NATU3) e Vivara (VIVA3), podem continuar perdendo espaço para companhias com teses de investimento mais duradouras.
No caso da Azzas 2154 (AZZA3), a ação passou a depender mais de eventos específicos, como uma eventual venda da Farm Rio, e menos de uma melhora generalizada do cenário macroeconômico.
Continua depois da publicidade
Já o Grupo Mateus (GMAT3) pode se beneficiar da melhora do consumo e do recente aumento do Bolsa Família, mas apresenta baixa alavancagem financeira e não possui um catalisador claro no curto prazo.
A Hypera (HYPE3) oferece sensibilidade relevante aos juros, considerando sua alavancagem líquida de aproximadamente 2,5 vezes, a avaliação descontada e as oportunidades potenciais relacionadas aos medicamentos agonistas do receptor GLP-1, utilizados no tratamento da obesidade e do diabetes.

