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À medida que enfrenta uma intensificação dos ataques da Rússia e pressão crescente da Casa Branca, a Ucrânia afirmou nesta terça-feira que algumas de suas operações militares foram prejudicadas após perder parte do acesso a sistemas vitais de comunicação via satélite.
Há anos, as Forças Armadas ucranianas dependem do Starlink, da SpaceX, que fornece conexão à internet por meio de satélites em órbita baixa da Terra. Mais recentemente, passaram a utilizar também o Starshield, versão de uso militar e governamental do serviço. Segundo autoridades ucranianas, algumas operações militares foram comprometidas, especialmente devido a restrições envolvendo o Starshield.
“Nossas Forças Armadas não foram avisadas dessas restrições, e isso levou ao fracasso de várias missões”, escreveu nas redes sociais Serhiy Beskrestnov, conselheiro do presidente Volodymyr Zelensky para tecnologias de armamentos.
Beskrestnov afirmou que as restrições afetaram dispositivos que utilizam o Starshield e se deslocam acima de 160 km/h. Segundo ele, a medida está relacionada à “situação política atual”. Os terminais de internet via satélite da SpaceX podem ser instalados em veículos ou drones para ajudar em navegação e operações de alta velocidade.
O governo de Donald Trump tem pressionado a Ucrânia a limitar ataques dentro do território russo, especialmente contra refinarias de petróleo. A administração americana argumenta que a redução desses ataques ajudaria a estabilizar a oferta global de diesel. Os preços elevados dos combustíveis têm alimentado a inflação nos Estados Unidos e afetado as perspectivas eleitorais do Partido Republicano antes das eleições legislativas do próximo mês.
Autoridades do Ministério da Defesa da Ucrânia atribuíram a situação à SpaceX, afirmando que a empresa restringiu unilateralmente a operação de terminais Starshield. Segundo elas, a medida dificulta missões com drones e reduz capacidades logísticas, de reconhecimento e de retransmissão de sinais na linha de frente.
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A SpaceX e seus principais executivos, Elon Musk e Gwynne Shotwell, não responderam aos pedidos de comentário.
O que é o Starshield?
Enquanto o Starlink já soma mais de 13 milhões de usuários em todo o mundo, o Starshield foi lançado publicamente no fim de 2022 como uma rede de satélites voltada especificamente para governos e aplicações de segurança nacional.
A SpaceX descreve o serviço como uma rede segura capaz de hospedar, processar e transmitir informações classificadas. Segundo a empresa, o sistema foi desenvolvido para atender às necessidades do Departamento de Defesa dos Estados Unidos e de outros parceiros governamentais.
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O governo americano investiu bilhões de dólares na tecnologia, que integra a área de conectividade corporativa e governamental da SpaceX. Parte dessa infraestrutura é disponibilizada à Ucrânia por meio de acordos com o Pentágono.
A SpaceX abriu capital neste ano em uma operação que transformou Musk no primeiro trilionário da história.
Qual a relação entre Starshield e Starlink?
Os dois serviços utilizam a mesma infraestrutura básica de satélites em órbita baixa. A SpaceX, líder global em lançamentos espaciais privados, construiu ao longo dos anos uma vasta constelação de satélites capazes de fornecer internet de alta velocidade para a Terra.
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Musk afirma que o Starlink é um serviço civil, enquanto o Starshield foi concebido para aplicações militares.
“Starshield será propriedade do governo dos Estados Unidos e controlado pela Força Espacial do Departamento de Defesa”, escreveu ele na rede X em 2023.
Apesar dessa distinção, especialistas apontam que os dois sistemas não são totalmente independentes. Em alguns casos, interrupções afetaram simultaneamente Starlink e Starshield. Além disso, governos como o da Ucrânia utilizam há anos o Starlink em operações relacionadas ao esforço de guerra.
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Qual é o papel de Elon Musk?
Musk já demonstrou desconforto com o uso dos serviços da SpaceX para operações ofensivas.
No início da guerra entre Rússia e Ucrânia, ele negou um pedido ucraniano para ativar o Starlink sobre a Crimeia ocupada pela Rússia antes de um ataque planejado com drones.
No ano passado, a SpaceX também interrompeu o acesso de tropas russas que utilizavam ilegalmente terminais Starlink durante combates na Ucrânia.
Em março, Musk voltou a destacar a diferença entre os dois serviços.
“É uma violação dos termos de uso do Starlink comercial utilizar os terminais em sistemas de armamentos”, escreveu na rede X. “Isso se aplica a todos os usuários e o serviço é desligado quando identificado.”
Ele acrescentou que o Starshield é operado pelo governo dos Estados Unidos e não está sob controle direto da SpaceX.
A relação entre o governo ucraniano e Musk tem sido marcada por tensões. O empresário já criticou publicamente Zelensky e aspectos da estratégia militar da Ucrânia. Ao mesmo tempo, a dependência do país em relação ao Starlink e ao Starshield fez com que autoridades alternassem entre elogios e críticas ao homem mais rico do mundo.
c.2026 The New York Times Company