Por que Matthew McConaughey decidiu passar dois dias lendo suas piores críticas

Experiência ajudou o ator a diferenciar críticas motivadas por preconceito de feedbacks capazes de acelerar o desenvolvimento profissional

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Matthew McConaughey tem um Oscar, uma fortuna estimada em US$ 200 milhões e duas décadas de críticas acumuladas, tanto positivas quanto negativas. Mas, apesar do sucesso, decidiu fazer algo incomum: reuniu todas as piores críticas já escritas sobre ele, foi para o deserto por um fim de semana e leu uma por uma.

“Transformei tudo em um livro grosso, não as críticas positivas, mas as negativas, e sentei para lê-las”, contou o ator em uma entrevista recente ao podcast Build or Break.

“Era a única coisa que levei comigo, e passei dois dias olhando para aquilo. Foi difícil.”

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A experiência levou McConaughey a concluir que existem dois tipos de críticos, e que apenas um deles merece atenção.

“Em algumas críticas, percebi logo na primeira frase que a pessoa já tinha algo contra mim. Não importava se tinha visto o filme ou não. Ela simplesmente não gostava de mim e já iria escrever uma crítica negativa”, afirmou.

Mas nem toda avaliação desfavorável era motivada por implicância.

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“Li algumas e pensei: ‘Essa pessoa tem razão’. Era alguém que realmente gostava do meu trabalho, mas não recebeu da minha atuação aquilo que eu esperava transmitir. Onde foi que eu falhei?”

Para o ator, esse é o verdadeiro significado de uma crítica construtiva.

“Essa pessoa estava analisando o trabalho de forma objetiva. Elogiava algumas coisas, mas também apontava onde eu tinha ficado abaixo do esperado.”

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A partir daí, surgiu a pergunta mais importante:

“Como posso aprender com isso?”

Segundo ele, algumas pessoas sempre desejarão o fracasso dos outros.

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“Alguns vão falar mal de você não importa o que faça, porque simplesmente não gostam de você, do seu sucesso ou do que você representa”, disse. “Mas há críticos muito bons, que apontam de forma construtiva o que você fez de errado. E com isso você pode aprender.”

Para McConaughey, a lição vale para qualquer profissão: por maior que seja o sucesso alcançado, sempre há espaço para melhorar. O desafio é separar o feedback relevante do simples ruído.

A viagem ao deserto do oeste do Texas, próximo à cidade de Marfa, ocorreu por volta de 2018 ou 2019, quando o ator escrevia sua autobiografia Greenlights, segundo sua equipe. Naquele momento, ele já acumulava mais de duas décadas de carreira, impulsionada por trabalhos como Jovens, Loucos e Rebeldes (Dazed and Confused), Interestelar (Interstellar) e a série True Detective.

Críticas continuam importantes no topo

McConaughey está longe de ser o único profissional de sucesso a buscar feedback constante.

O ator Jason Bateman, da série Ozark, afirmou em entrevista à Esquire que lê todas as críticas de seus filmes e programas de TV porque considera importante entender como seu trabalho é recebido pelo público.

“Faço esses projetos para consumo público, então me importo com o que as pessoas pensam deles”, afirmou.

No mundo corporativo, a lógica é semelhante.

Apesar de comandar uma empresa avaliada em trilhões de dólares, Jensen Huang, CEO da Nvidia, diz que continua extremamente autocrítico. O executivo afirma trabalhar sete dias por semana e viver em um estado permanente de preocupação com os riscos para o negócio.

“Ninguém sofre melhor do que eu”, disse recentemente. “Para fazer algo extraordinário, você precisa sofrer. Não é um passeio no parque.”

Huang também afirma que está “ainda aprendendo a ser um bom CEO” e que faz questão de criticar o trabalho de seus colaboradores para ajudá-los a evoluir.

“Você não pode me mostrar algo sem receber algum tipo de crítica”, afirmou.

Já Patrice Louvet, CEO da Ralph Lauren, também defende feedbacks diretos e sem suavizações excessivas. Segundo ele, enfrentar fraquezas de forma rápida ajuda tanto empresas quanto carreiras a evoluir.

A importância da capacidade de lidar com críticas chegou até os processos de contratação. Gagan Biyani, CEO da plataforma educacional Maven e cofundador da Udemy, passou a incluir feedbacks ao vivo durante entrevistas de emprego.

Segundo ele, a reação do candidato costuma dizer muito sobre seu potencial.

“Se a pessoa trava ou se ofende, isso indica que ela não se encaixa na empresa”, afirmou. “Se encara aquilo com entusiasmo, há mais chances de funcionar.”

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