Decepção da Louis Vuitton na China mostra dificuldade no setor de luxo e ação desaba

Suas ações, listadas na bolsa de Paris, foram negociadas mais cedo perto do menor preço em mais de seis anos

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PARIS, 13 Out (Reuters) – O desempenho abaixo ⁠do esperado nas vendas trimestrais de moda e artigos de couro ⁠da LVMH, em função da fraca demanda na China por sua marca principal, a ‌Louis Vuitton, levantou novas dúvidas sobre se o setor de luxo, avaliado em US$350 bilhões, poderá sair de um período de desaceleração que já dura três anos.

Há um ano, a ‌LVMH, a maior empresa de luxo do mundo, divulgou sinais de uma demanda chinesa ligeiramente melhor, provocando uma forte recuperação em todo o setor. Mas hoje há indícios de um declínio mais longo e profundo.

Suas ações, listadas na bolsa de Paris, foram negociadas mais cedo perto do menor preço em mais de seis anos.

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Os principais grupos de luxo da Europa perderam cerca de 330 bilhões ⁠de ‌euros em valor de mercado desde o início do ano, com a LVMH, sozinha, registrando ⁠uma queda de aproximadamente 40%.

“Apesar da recente fraqueza no preço das ações, esperamos mais alguma pressão sobre o setor como um todo hoje, com a confirmação de que o mercado chinês parece ter sofrido uma queda significativa (e maior do que se temia)”, afirmaram analistas do JPMorgan em uma nota aos clientes.

A China surgiu há quase duas décadas como ​o principal motor de crescimento do setor de luxo, mas as vendas têm estado estagnadas desde o fim do boom pós-pandêmico, à medida que o fraco crescimento e a crise ​no setor imobiliário se refletem nos consumidores. Uma repressão fiscal aos mais ricos é a mais recente dor de cabeça para as marcas.

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Cinco analistas reduziram seu preço-alvo para as ações da LVMH em uma média de 7% após a divulgação dos resultados — o primeiro relatório trimestral de uma grande empresa do setor –, prevendo que o desempenho abaixo do esperado também sinalize ‌resultados fracos para alguns de seus concorrentes.

As ações dos grupos de ​luxo Hermès, Kering e Richemont também cediam nesta terça-feira.

RECUPERAÇÃO LEVARÁ TEMPO

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A LVMH divulgou na segunda-feira uma queda de 5% nas vendas orgânicas de sua divisão de moda e artigos de couro, que gera quase metade da receita do ⁠grupo, ficando abaixo das expectativas do ​consenso da Visible Alpha, ​que previa um recuo de 1,8%.

O grupo afirmou que um “cenário menos favorável” na China afetou suas receitas, contribuindo para um ⁠crescimento orgânico das vendas de 1% no total, excluindo ​oscilações cambiais, para 18,5 bilhões de euros, abaixo das expectativas de crescimento de 1,3%.

A Ásia, dominada pela China, responde por mais de um quarto das vendas totais do grupo.

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Questionada sobre as perspectivas de recuperação da ​Louis Vuitton em uma teleconferência com analistas, a diretora financeira do grupo, Cécile Cabanis, disse: “Leva um pouco de tempo, mas não acho que haja muitos atalhos ​aqui”.

Cabanis afirmou que a marca ⁠evitou até o momento medidas drásticas, como cortes de preços, optando por se concentrar em iniciativas de longo prazo.

Para aumentar as ⁠preocupações dos investidores, o crescimento da divisão de relógios e joias da LVMH — que abriga marcas como Bulgari e Tiffany — desacelerou de 9% para 6% no primeiro semestre do ano, marcando uma mudança de tendência em um dos poucos pontos positivos do setor de luxo.