Premiê do Reino Unido diz que Rússia interferiu em votação do Brexit em 2016

Andy Burnham fez o comentário ao alertar os eleitores da França e da Alemanha sobre as tentativas apoiadas por Moscou de influenciar a ⁠política ‌desses países

•

Publicidade

LONDRES, 12 Out (Reuters) – O primeiro-ministro ⁠britânico, Andy Burnham, afirmou que a Rússia interferiu na ⁠votação do Brexit de 2016, embora seu gabinete tenha declarado posteriormente que ‌Moscou não conseguiu influenciar o resultado e que a decisão de sair da União Europeia foi legítima.

Burnham, que assumiu a liderança do Reino Unido em julho ‌e afirmou no mês passado que o país poderia considerar um retorno à União Europeia no futuro, é o primeiro primeiro-ministro britânico a afirmar abertamente que há evidências de interferência russa na votação.

Ele fez o comentário ao alertar os eleitores da França e da Alemanha sobre as tentativas apoiadas por Moscou de influenciar a ⁠política ‌desses países.

Continua depois da publicidade

“Fiz a seguinte pergunta ao chegar a Downing Street: houve interferência da ⁠Rússia no referendo de 2016? E recebi a resposta clara de que sim, houve”, disse Burnham em entrevista ao podcast “The Rest Is Politics”.

Burnham não explicou como acredita que a Rússia tenha interferido no referendo e não deu detalhes sobre quais evidências essa afirmação se baseia.

A embaixada russa em Londres ​não respondeu a um pedido de comentário.

Continua depois da publicidade

A Rússia já havia negado anteriormente qualquer interferência na votação do Brexit, retratando a Reino Unido como um país ​tomado por histeria antirussa.

RESULTADO CONTINUA LEGÍTIMO

Os comentários de Burnham marcam um afastamento das declarações do ex-primeiro-ministro Boris Johnson, que fez campanha pela saída da UE e afirmou, em 2020, que não havia evidências de interferência russa no referendo.

Continua depois da publicidade

Os britânicos votaram por 52% a 48% a favor da saída da UE em 2016, ‌mergulhando o país em sua maior crise política desde ​a Segunda Guerra Mundial.

O secretário adjunto do Ministério das Relações Exteriores, Stephen Doughty, esclareceu as declarações de Burnham nesta segunda-feira, afirmando que não há evidências de que a Rússia tenha interferido com sucesso ⁠no referendo.

Questionado se a ​interferência pode ter alterado ​o resultado, ele disse à Sky News: “Eles não tiveram sucesso.”

Continua depois da publicidade

Um porta-voz de Burnham também afirmou que o ⁠governo acredita que o resultado do referendo foi ​legítimo.

Nigel Farage, um dos principais defensores do Brexit, chamou Burnham de “mentiroso” e disse que ele tem ‘todo tipo de ideias bizarras”.

Burnham disse no podcast que os eleitores nas democracias europeias ​precisam estar mais bem informados sobre tentativas de perturbar sua política.

“Quero dizer, é importante deixar essas coisas bem claras agora e acredito que ​isso ajude os eleitores ⁠na Alemanha e na França a entenderem que parte dessa política é instigada por nossos inimigos, a saber, ⁠a Rússia”, disse ele.

Um relatório de 2020 da Comissão de Inteligência e Segurança do Parlamento do país constatou que o governo britânico não conseguiu determinar se a Rússia interferiu no referendo de 2016.

O relatório também constatou que a Rússia tentou influenciar o referendo sobre a independência da Escócia de 2014, no qual os eleitores rejeitaram a ​independência.