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Em um novo relatório publicado na revista científica The Lancet, uma comissão global aponta 17 ameaças “catastróficas” à saúde, incluindo duas com potencial de levar os seres humanos à extinção. Para chegar a essa conclusão, os 37 membros da comissão analisaram em detalhes quais são esses riscos, qual a gravidade que podem atingir e como a humanidade pode enfrentá-los ao longo deste século.
“A constatação marcante não é apenas a dimensão dessas ameaças, mas o fato de que a humanidade ainda tem capacidade de agir. Diante de todas as 17 ameaças catastróficas, as decisões tomadas pelos líderes hoje moldarão a saúde e o bem-estar da próxima geração. No entanto, adiar a ação servirá apenas para transferir e aumentar os custos para o futuro”, afirmou o copresidente da comissão, Christopher J.L. Murray, diretor do Instituto de Métricas e Avaliação da Saúde da Universidade de Washington, em comunicado.
Entre os 17 temas analisados, dois se destacaram: a ameaça de um conflito nuclear e os riscos representados pelo uso malicioso da inteligência artificial (IA). Embora a probabilidade desses eventos permaneça relativamente baixa, os especialistas afirmam que eles merecem atenção especial por seu potencial de provocar consequências em escala global, incluindo riscos existenciais para a humanidade.
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Ao considerar tanto o impacto potencial quanto a probabilidade de ocorrência, a comissão concluiu que medidas para prevenir um conflito nuclear poderiam evitar cerca de 133 milhões de mortes e 9,35 bilhões de anos de vida ajustados por incapacidade (DALYs, na sigla em inglês) até 2100. Já ações para reduzir os riscos associados ao uso malicioso da inteligência artificial poderiam evitar cerca de 10,4 bilhões de anos de vida ajustados por incapacidade no mesmo período.

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As ameaças catastróficas à saúde humana
Segundo o relatório, as ameaças incluem:
- Poluição do ar;
- Redução da assistência internacional à saúde;
- Pandemias de origem natural;
- Resistência antimicrobiana;
- Consumo excessivo de álcool;
- Obesidade;
- Desnutrição infantil;
- Hipertensão arterial;
- Problemas de saúde mental;
- Mudanças climáticas;
- Desigualdade de renda;
- Tabagismo;
- Conflitos convencionais;
- Baixo nível de escolaridade;
- Envelhecimento não saudável.
As duas ameaças apontadas como potenciais riscos de extinção são:
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- Uso malicioso da inteligência artificial;
- Conflito nuclear.
As mudanças climáticas já representam uma ameaça catastrófica e urgente à saúde humana, segundo a comissão. O relatório conclui que limitar o aquecimento global a cerca de 1,8°C, em vez de permitir que alcance 4,4°C, poderia evitar a perda de aproximadamente 1,89 bilhão de anos de vida saudável em decorrência de eventos como ondas de calor extremo e poluição atmosférica.
Os pesquisadores ressaltam que o impacto real pode ser ainda maior. Isso porque a estimativa considera apenas danos atualmente mensuráveis e deixa de fora efeitos de difícil quantificação, como deslocamentos populacionais, secas prolongadas e impactos na saúde mental. Sem reduções significativas nas emissões de gases de efeito estufa, essas perdas tendem a se acumular para além de 2100 e a agravar outras ameaças já identificadas.
A obesidade também foi apontada como uma preocupação crescente. Segundo o relatório, a condição poderá responder por 23,1 bilhões de anos de vida ajustados por incapacidade potencialmente evitáveis até o fim do século. Já a África Subsaariana deve concentrar cerca de 70% da carga de saúde evitável associada a um eventual colapso da assistência internacional destinada ao setor.
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Plano de ação
A comissão propõe uma agenda baseada em três frentes para enfrentar esses desafios.
A primeira delas é a preparação. Os autores afirmam que líderes globais precisam atuar de forma coordenada para fortalecer a capacidade de resposta a ameaças futuras, garantindo apoio financeiro inclusive às populações mais vulneráveis.
O segundo eixo envolve o incentivo à inovação. O relatório defende investimentos em pesquisas, novas vacinas, medicamentos e tecnologias climáticas, além da ampliação do acesso a essas soluções de forma mais equitativa entre os países.
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Por fim, a comissão destaca a importância do monitoramento contínuo dos riscos. Segundo os pesquisadores, entender a dimensão das ameaças é condição essencial para o desenvolvimento de respostas eficazes.
Em editorial que acompanha o relatório, os autores ressaltam que a lista não deve ser vista como um ranking definitivo. Novas evidências científicas poderão alterar a avaliação dos riscos ao longo das próximas décadas. Ainda assim, eles reforçam o alerta para que governos e instituições se preparem desde já. As mudanças climáticas, por exemplo, não são classificadas atualmente como uma ameaça de extinção, mas poderiam atingir esse patamar nos séculos seguintes caso as emissões globais não sejam reduzidas.