Após reestruturação polêmica, Jaguar apresenta seu primeiro novo carro em oito anos

Primeiro modelo da nova fase da montadora britânica, o Type 01 custará £ 130 mil, será vendido a partir de 2027 e marca a aposta da empresa em uma linha exclusivamente elétrica

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A atriz Florence Pugh posa ao lado do Jaguar Type 01, veículo elétrico de luxo de quatro portas da marca, durante o evento de estreia mundial do modelo em Nova York, nos Estados Unidos, em 6 de outubro de 2026. REUTERS/Mike Segar
A atriz Florence Pugh posa ao lado do Jaguar Type 01, veículo elétrico de luxo de quatro portas da marca, durante o evento de estreia mundial do modelo em Nova York, nos Estados Unidos, em 6 de outubro de 2026. REUTERS/Mike Segar

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A Jaguar apresentou o primeiro modelo de sua nova linha 100% elétrica, um grand tourer de £ 130 mil (cerca de R$ 850 mil) criado para recolocar a tradicional marca britânica no radar dos consumidores de luxo.

As encomendas do Type 01 serão abertas no início de 2027, mais de dois anos depois de a Jaguar interromper as vendas de carros novos no Reino Unido como parte de uma estratégia de reposicionamento da marca. A empresa reformulou sua identidade visual e decidiu atuar apenas no segmento de veículos elétricos de luxo. O foco agora é atrair consumidores mais jovens, especialmente nos Estados Unidos, uma mudança importante para uma marca historicamente associada a homens de meia-idade e frequentemente escolhida por primeiros-ministros britânicos.

O novo modelo, o primeiro lançamento da Jaguar em oito anos, chega em um momento decisivo para a montadora. A ampla reformulação da marca, anunciada em 2024, recebeu críticas. Um vídeo divulgado para apresentar a nova fase gerou reações divididas por não mostrar nenhum carro e destacar apenas modelos em uma campanha de moda.

As primeiras imagens do Type 01, divulgadas no YouTube, também provocaram opiniões divergentes. Enquanto alguns usuários classificaram o carro como “sem graça” e “parecido com um elétrico chinês genérico”, outros elogiaram o design, chamando-o de “bonito” e “espetacular”.

A apresentação oficial aconteceu na noite de terça-feira, em Nova York, seguindo uma tendência vista em outros lançamentos recentes de veículos elétricos de luxo. O primeiro elétrico da Ferrari, o Luce, foi alvo de muitas críticas, enquanto a Bentley, do grupo Volkswagen, preferiu um visual mais conservador para evitar controvérsias em torno do design de seu primeiro modelo totalmente elétrico.

Diferentemente da Ferrari, a Jaguar precisava de uma transformação mais profunda. Sua controladora, a Jaguar Land Rover (JLR), pertencente à indiana Tata Motors, vinha concentrando investimentos nas marcas Land Rover e Range Rover, cujos SUVs geram margens maiores e registram forte demanda nos Estados Unidos.

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Já a Jaguar vinha perdendo espaço. Em seu último ano completo antes da pausa nas operações, a marca vendeu 66,9 mil veículos, pouco mais de um terço do volume alcançado após o lançamento do I-Pace, seu modelo mais recente até então, apresentado em 2018.

Ainda assim, interromper quase toda a produção é uma medida incomum para uma fabricante de automóveis, mesmo durante um processo de reposicionamento. A Jaguar encerrou a fabricação de praticamente toda sua linha em 2024, mantendo apenas o SUV F-Pace, produzido no Reino Unido para exportação.

A marca, cujas origens remontam a 1922 e que ficou conhecida por clássicos como o lendário E-Type, continua sendo “uma parte fundamental da estratégia de crescimento da JLR”, afirmou o CEO P.B. Balaji em comunicado. A empresa anunciou sua guinada para uma linha exclusivamente elétrica pela primeira vez em 2021.

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A escolha de Nova York para o lançamento reflete a importância do mercado americano para o Type 01. Isso acontece apesar de uma parcela dos consumidores dos EUA ainda demonstrar resistência aos veículos elétricos, inclusive no segmento premium. Com 5,2 metros de comprimento, o novo Jaguar é tão grande que nem cabe nas vagas de estacionamento padrão do Reino Unido.

Mesmo na Europa, onde os elétricos já têm presença mais consolidada, ainda existe certa cautela em relação à eletrificação total. Por outro lado, as vendas cresceram neste ano, impulsionadas pelos preços mais altos dos combustíveis e pela retomada de incentivos em mercados importantes, como a Alemanha.

Algumas montadoras europeias, como Volkswagen e Mercedes-Benz, chegaram a suavizar metas anteriores de eletrificação total após uma desaceleração da demanda, mas o mercado voltou a ganhar força.

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Nesta quarta-feira, a Porsche reafirmou sua aposta nos motores a combustão. A fabricante alemã pretende lançar uma nova linha de esportivos com motor central e preços mais elevados, reforçando sua presença no segmento de alto luxo.

O Jaguar Type 01 será produzido na fábrica de Solihull, enquanto os motores elétricos e os conjuntos de baterias sairão da unidade de Wolverhampton, ambas na Inglaterra.

O veículo terá autonomia de até 644 quilômetros por carga. Em estações de carregamento rápido, será possível recuperar cerca de 320 quilômetros de autonomia em apenas 13 minutos. O modelo acelera de 0 a 100 km/h em 3,2 segundos.

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Segundo o secretário de Negócios do Reino Unido, Jonathan Reynolds, o novo Jaguar representa “mais uma demonstração de confiança” na indústria automotiva britânica. O anúncio ocorre após recentes promessas de investimento de empresas como McLaren e Nissan.

Ao mesmo tempo, a JLR está cortando cerca de 4 mil empregos enquanto enfrenta desafios como tarifas impostas pelos Estados Unidos, os efeitos de um ataque cibernético que afetou a produção e a concorrência cada vez mais intensa de fabricantes chinesas. Recentemente, a companhia também apresentou seu primeiro Range Rover totalmente elétrico.

A expectativa é que a nova Jaguar opere com produção limitada, priorizando exclusividade e rentabilidade em vez de buscar os volumes de vendas que já alcançou no passado.