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A família defendia o Direito como primeira opção. Ainda na adolescência, no entanto, quando morava em Coelho Neto, na Zona Norte do Rio, Julia de Castro escreveu uma carta para si mesma. “Quero fazer História”, sacramentou.
— Escrevi essa carta aos 16 anos, dizia também que queria fazer o bem, entrar na política, dizia que o coração dos homens era corruptível e o meu não era — lembra.
Aos 24 anos, a jovem nascida em São João de Meriti recebeu 103.880 votos no domingo e foi eleita a deputada federal mais jovem do Rio na próxima legislatura. A futura parlamentar ganhou o apoio de Michelle Bolsonaro durante a campanha e vai reforçar a bancada do PL, partido ao qual se filiou há um ano e meio. Nos tempos de escola, colecionava elogios pela oratória e pela capacidade de defender suas ideias. Em 2021, quando começou a estudar História na UniRio, passou a gravar vídeos na internet, para romper o isolamento na pandemia.
— Minha mãe me incentivou a gravar para começar a expor meus pensamentos. Eu achava que precisava aprender mais. Treinei seis meses. Fui atacada, mas precisava começar — conta.

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Com bandeiras “contra a legalização do aborto, das drogas e em favor do bolsonarismo”, arregimentou seguidores da direita, sobretudo jovens e religiosos. No Instagram, é acompanhada por 511 mil usuários. Na campanha, além dos votos, ganhou uma gastrite e um processo de Erika Hilton: a deputada do PSOL por SP impetrou ação na Justiça Eleitoral citando impulsionamento negativo e “viés transfóbico”.
— Ela me processou por propaganda negativa. A parlamentar tinha usado o termo “pessoas que gestam” e eu disse que achava isso errado. É apagamento da mulher. A maternidade é a única função em que a mãe é insubstituível — defende-se Julia, que tem uma filha de 2 anos, era evangélica e migrou para a igreja católica após conhecer o marido. — Quando me chamam de “Nikolas de saia”, penso que o estado ansiava por gente nova na política. Me inspiro nas convicções e no vigor dele — diz, sobre as comparações com o jovem fenômeno da direita.
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‘Milícia é crime organizado’
Julia de Castro defende o SUS (“com mais acesso, não como é hoje”), a universidade pública (com “mais liberdade”), o fim da escala 6×1 (“nossa legislação foi feita pelo Vargas, as pessoas têm que ganhar por hora”) e o empreendedorismo. Sobre a morte da vereadora Marielle Franco, que militava em campo político oposto ao seu, ela é enfática:
— Uma vereadora morreu por conta do crime organizado. É um absurdo. Para mim, é surreal. Quando penso na história da Marielle, é triste, trágico e revoltante. O que me incomoda são políticos de esquerda usarem o nome dela para palanque. Para mim, milícia é crime organizado, entende?